Pesquisadores do Weill Cornell Medicine descobriram uma cadeia de reações dentro do sistema imunológico que pode explicar por que pessoas com doença inflamatória intestinal (DII) têm um risco significativamente maior de câncer colorretal. Os achados pré-clínicos mostram como sinais no intestino podem desencadear uma explosão de glóbulos brancos da medula óssea, criando condições que favorecem o crescimento de tumores. Este trabalho também sugere novas maneiras de detectar, monitorar e, potencialmente, reduzir o risco de câncer em indivíduos com DII.
A pesquisa se concentrou na TL1A, uma proteína de sinalização inflamatória já conhecida por sua ligação tanto à DII quanto ao câncer colorretal. Medicamentos projetados para bloquear a TL1A mostraram resultados promissores em ensaios clínicos para DII, mas os cientistas não haviam compreendido completamente como essa proteína impulsiona a inflamação e o desenvolvimento do câncer. Em um estudo publicado na revista Immunity, a equipe demonstrou que a TL1A exerce grande parte de sua influência por meio de um grupo de células imunes no intestino chamadas ILC3s. Quando a TL1A ativa essas células, elas atraem um grande número de neutrófilos, um tipo de glóbulo branco, da medula óssea e alteram seu comportamento de maneiras que promovem a formação de tumores.
“Esses achados são significativos, dado o intenso interesse da comunidade médica em compreender o papel da TL1A na DII e seu papel potencial nos cânceres colorretais associados — para os quais tivemos poucas estratégias para mitigar o risco de câncer,” disse o autor sênior do estudo, Dr. Randy Longman, diretor do Jill Roberts Center for Inflammatory Bowel Disease no Weill Cornell Medicine e NewYork-Presbyterian/Weill Cornell Medical Center, e professor associado de medicina no Weill Cornell Medicine.
Por Que a DII Aumenta o Risco de Câncer
A DII inclui a doença de Crohn e a colite ulcerativa e é marcada por inflamação duradoura no trato digestivo. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, entre 2,4 e 3,1 milhões de americanos vivem com essa condição. Além dos sintomas digestivos, a DII aumenta a probabilidade de outros distúrbios autoimunes e inflamatórios e eleva drasticamente o risco de câncer colorretal. Quando o câncer se desenvolve em pessoas com DII, frequentemente aparece em idades mais jovens e está associado a resultados mais adversos.
Os pesquisadores descobriram que a TL1A, que é produzida principalmente por células imunes já presentes no intestino inflamado, impulsiona o crescimento tumoral principalmente através de seus efeitos nas células ILC3. Uma vez ativadas, essas células residentes no intestino liberam o fator estimulador de colônias de granulócitos e macrófagos (GM-CSF), uma substância que estimula a produção de células sanguíneas. Esse sinal desencadeia um processo conhecido como “granulopoiese de emergência” — um aumento rápido na produção de neutrófilos na medula óssea — seguido pela movimentação dessas células para o intestino. Em modelos de camundongo com câncer intestinal, a presença desses neutrófilos sozinha foi suficiente para acelerar o desenvolvimento do tumor.
Alterações Promotoras de Tumores nas Células Imunes
Os neutrófilos são conhecidos por ajudar no crescimento de tumores colorretais ao liberar moléculas reativas que podem danificar o DNA nas células que revestem o intestino. Neste estudo, a equipe também descobriu que as células ILC3 acionam um padrão único de atividade gênica dentro dos neutrófilos. Este padrão inclui uma maior atividade de genes associados ao início e à progressão do câncer. Mudanças semelhantes na expressão gênica foram encontradas em amostras de tecido colônico de pessoas com colite relacionada à DII. É importante ressaltar que essa assinatura promovedora de tumores era menos pronunciada em pacientes que haviam recebido um tratamento experimental que bloqueia a TL1A.
Novos Alvos para Tratamento e Prevenção
Os achados sugerem que vários componentes dessa via imunológica poderiam servir como futuros alvos terapêuticos. Além da própria TL1A, as células ILC3, o GM-CSF e os neutrófilos recrutados pelas ILC3 podem todos desempenhar papéis em estratégias voltadas para tratar a DII enquanto também diminuem o risco de câncer colorretal.
“Acredito que será emocionante para os clínicos na área da DII saber que existe um processo sistêmico em funcionamento aqui, envolvendo tanto o intestino quanto a medula óssea, com potencial para impulsionar a medicina de precisão na DII,” disse a primeira autora do estudo, Dra. Sílvia Pires, instrutora de medicina e membro do Longman Laboratory.
Próximos Estudos dos Pesquisadores
A equipe continua a investigar como essa rede de comunicação imunológica funciona durante a inflamação intestinal. Trabalhos futuros explorarão se a exposição precoce ou ocasional ao GM-CSF pode preparar as células da medula óssea de maneiras que aumentem a suscetibilidade à DII ao longo do tempo, potencialmente abrindo a porta para intervenções e estratégias de prevenção mais precoces.














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