Arronches: Terras sem Sombra, Concerto a Quatro Mãos para Piano e o Papel das Mulheres na Agricultura Moderna

Arronches: Terras sem Sombra, Concerto a Quatro Mãos para Piano e o Papel das Mulheres na Agricultura Moderna

Arronches dará início ao primeiro fim de semana da 22.ª edição do Festival Terras sem Sombra (TSS), em colaboração com a Câmara Municipal, com o tema “Alegres Campos, Verdes Arvoredos: Música e Biosfera (Da Idade Média à Criação Contemporânea)”. Nos dias 28 de fevereiro e 1 de março, o evento trará à cena o ensemble polonês Zarębski Piano Duo, em um concerto que homenageia a contribuição feminina na música, especialmente no ano em que a Polônia é o País Convidado do TSS.

A visita ao patrimônio focará nas fronteiras históricas e sociais que marcaram a região, com ênfase no contrabando, que teve grande importância local em um passado recente, e nas relações de solidariedade entre os dois países ibéricos. Um destaque especial será a visita à localidade do Marco, onde se encontra a menor ponte internacional do mundo. Encerrando a jornada por Arronches, a manhã do dia 1 de março será dedicada ao papel crucial das mulheres na agricultura, enfatizando-as como “Guardiãs do Futuro Comum da Humanidade”.

No evento em Arronches, o TSS conta com a colaboração da autarquia local e da Embaixada da República da Polônia. É importante mencionar o apoio contínuo da Direção-Geral das Artes e do BPI-Fundação “La Caixa”.

A Mulher na Criação Musical

O concerto, agendado para sábado (21h30), tem o título “Um Piano, Quatro Mãos: Obras de Compositoras Polacas e Portuguesas dos Séculos XX-XXI”. A igreja matriz de Arronches, classificada como Monumento Nacional, será o palco para o Zarębski Piano Duo, formado por Grzegorz Mania e Piotr Różański, que apresentará peças de compositoras polacas e portuguesas.

Este ensemble, originário de Cracóvia, tem como principal foco o repertório para piano a quatro mãos, com especial atenção às obras dos séculos XIX e XX, combinando o vasto cânone europeu com composições menos conhecidas. A interação entre os intérpretes, o equilíbrio tímbrico e a clareza formal são elementos-chave de sua interpretação, sempre destacando um critério artístico admirável, reconhecido pela crítica internacional.

Atuam regularmente na Polônia e internacionalmente, realizando concertos em vários países da Europa e do Oriente Médio, além de extensas turnês nos Estados Unidos. Frequentemente, apresentam obras de Brahms, Dvořák, Schubert, Moszkowski, Mozart, Barber, Ligetti e Corigliano, e têm estreado importantes obras de compositoras contemporâneas, como Hanna Kulenty, Anna Rocławska-Musiałęczyk, Katarzyna Kwiecień-Długosz, Anna Ignatowicz-Glińska e Joanna Bruzdowicz. Na noite de 28 de fevereiro, serão executadas composições de difícil acesso e raramente apresentadas.

No Marco, onde se encontra a menor ponte internacional do mundo

Do ponto de vista do Patrimônio, o fim de semana em Arronches reserva a tarde de 28 de fevereiro (15h) para a discussão temática “Raia, Identidades e Contrabando: A Fronteira Invisível”, em um evento que reúne os Municípios de Arronches e La Codosera (na província de Badajoz). A ação contará com guias locais e com a presença de Dulce Simões (antropóloga e pesquisadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa), especialista em comunidades raianas do Alentejo, e José António Falcão (historiador de arte e pesquisador do Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta), experto em patrimônio religioso.

O percurso começa na igreja de Nossa Senhora da Esperança, um notável monumento do século XVI, de onde os participantes partirão em direção ao Marco, que é famosa por abrigar a menor ponte internacional do mundo, com apenas 6 metros de comprimento (a sua concorrente mais extensa conecta o Canadá à Rússia). Essa localidade, dividida entre português e espanhol, se estende ao longo das duas margens da ribeira de Abrilongo, criando um cenário de grande beleza. Na parte portuguesa ainda existe certo comércio, resquício de tempos antigos.

A atividade de sábado propõe uma análise da fronteira como um espaço histórico e social que continua a influenciar o cotidiano de Arronches. Esta região é uma das fronteiras mais antigas da Europa, estabelecida em 1297 pelo Tratado de Alcanizes. Durante o século XX, o contrabando tornou-se uma prática comum de sobrevivência, formando redes informais entre as vilas portuguesas e espanholas. A raia também serviu de passagem para refugiados e opositores políticos, deixando marcas na memória coletiva.

Uma Atividade em Sintonia com o Ano Internacional da Mulher na Agricultura

No domingo, 1 de março (9h30), a ação de Salvaguarda da Biodiversidade será dedicada ao tema “As Mulheres na Agricultura: Guardiãs do Futuro Comum da Humanidade”. O ponto de encontro será no Centro Interativo da Ruralidade de Arronches (CEIRA), de onde os participantes seguirão, em autocarro, para o Monte da Sancha, com um painel composto por três mulheres destacadas no mundo rural e que têm se destacado como empresárias agrícolas modernas: Inês Dragão, Maria João Valentim e Fermelinda Carvalho.

Essa iniciativa sublinha a importância (e a necessidade urgente) de políticas eficazes para a igualdade de gênero nos sistemas agroalimentares, sendo que 2026 foi declarado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher Agricultora. Em Arronches, como em boa parte do interior alentejano, as mulheres rurais têm desempenhado — e continuam a desempenhar — um papel crucial na agricultura familiar e na gestão sustentável da terra. Elas conservaram sementes, preservaram a diversidade agrícola e transmitiram conhecimentos essenciais sobre solos, ciclos e plantas. Hoje, diante do envelhecimento da população, do despovoamento e das alterações climáticas, esse conhecimento é decisivo. A iniciativa buscará refletir sobre o papel das mulheres rurais como agentes de sustentabilidade, segurança alimentar e biodiversidade, entre memória e futuro, a partir de três experiências inspiradoras, em um local de grande beleza.

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