Cientistas descobrem gatilho oculto por trás da dor no tendão de Aquiles e do cotovelo de tenista

Cientistas descobrem gatilho oculto por trás da dor no tendão de Aquiles e do cotovelo de tenista

A dor no tendão de Aquiles, o cotovelo de tenista, o ombro do nadador e o joelho do saltador afetam tanto atletas jovens quanto adultos mais velhos. Essas condições dolorosas surgem quando os tendões são forçados além de seus limites e submetidos a estresse repetido.

“Os tendões são fundamentalmente suscetíveis ao uso excessivo”, explica Jess Snedeker, professor de biomecânica ortopédica na ETH Zurich e no Hospital Universitário Balgrist em Zurique. “Eles devem suportar cargas poderosas, com todas as forças de nossos músculos sendo concentradas nos tendões relativamente finos que transmitem essas forças para o movimento de nosso esqueleto.”

Médicos se referem a essas desordens como tendinopatias. Elas estão entre os problemas mais comuns tratados por especialistas em ortopedia, mas as terapias eficazes ainda são limitadas. A fisioterapia pode trazer alívio, mas em muitos casos graves oferece apenas melhorias modestas. Devido a isso, pesquisadores têm buscado uma compreensão mais clara do que realmente provoca doenças nos tendões, com a esperança de desenvolver melhores tratamentos.

Proteína HIF1 Identificada como uma Causa Molecular

Uma equipe de pesquisa liderada por Snedeker e Katrien De Bock, professora de exercício e saúde na ETH Zurich, agora desvendou uma peça chave do quebra-cabeça. Eles identificaram uma proteína chamada HIF1 como um dos principais responsáveis pela doença tendínea. Uma das funções do HIF1 é atuar como um fator de transcrição, regulando a atividade de genes específicos dentro das células.

Estudos anteriores tinham encontrado níveis elevados de HIF1 em tendões danificados, mas os cientistas não sabiam se a proteína estava apenas associada à doença ou se era diretamente responsável por ela. Através de experimentos em camundongos e de estudos com tecidos tendinosos humanos, a equipe demonstrou que o HIF1 não está apenas presente na doença, mas a induz ativamente.

Experimentos Mostram Ligação Direta ao Danos nos Tendões

Nos estudos com camundongos, os pesquisadores mantiveram o HIF1 constantemente ativado ou o desativaram completamente. Camundongos com HIF1 continuamente ativado desenvolveram doença tendínea mesmo sem estresse excessivo. Em contraste, camundongos nos quais o HIF1 foi desativado no tecido tendinoso não apresentaram doença, mesmo com sobrecarga nos tendões.

A equipe também estudou células tendinosas humanas coletadas durante cirurgias no tendão no hospital. Tanto em camundongos quanto em amostras de tecido humano, níveis elevados de HIF1 causaram mudanças estruturais prejudiciais nos tendões. Especificamente, mais ligações cruzadas se formaram dentro das fibras de colágeno que fornecem força e estrutura aos tendões.

“Isso torna os tendões mais quebradiços e prejudica sua função mecânica”, explica Greta Moschini, estudante de doutorado nos grupos de De Bock e Snedeker e autora principal do estudo. Os pesquisadores também observaram um aumento na formação de vasos sanguíneos e nervos no tecido tendinoso. “Isso pode explicar a dor comumente observada na tendinopatia”, afirma Moschini.

Por que o Tratamento Precoce é Importante

“Nosso estudo não só fornece uma nova compreensão de como a doença se desenvolve. Também mostra que é importante tratar problemas tendíneos precocemente”, diz Snedeker. Ele destaca, em particular, os atletas jovens, que frequentemente experimentam tendinopatias enquanto ainda podem ser tratadas de maneira eficaz.

No entanto, com o tempo, os danos relacionados ao HIF1 podem se acumular e eventualmente se tornarem permanentes. “O dano causado pelo HIF1 no tecido tendinoso pode se acumular e se tornar irreversível ao longo do tempo. A fisioterapia, então, não ajuda mais, e o único tratamento neste momento é a remoção cirúrgica do tendão doente.”

Buscando Tratamentos Específicos para Tendões

Agora que o HIF1 foi identificado como um fator molecular por trás da doença tendínea, uma questão óbvia surge. Poderiam ser desenvolvidos medicamentos para bloquear o HIF1 e prevenir ou reverter a tendinopatia?

De acordo com De Bock, a resposta é complicada. O HIF1 desempenha um papel importante em todo o corpo ao detectar níveis baixos de oxigênio (hipóxia) e desencadear respostas adaptativas normais. “Desativar o HIF1 em todo o corpo provavelmente levaria a efeitos colaterais”, diz ela.

Uma possibilidade é descobrir formas de reduzir especificamente a atividade do HIF1 apenas no tecido tendinoso. Porém, De Bock acredita que uma estratégia mais promissora pode ser estudar os processos biológicos ao redor do HIF1 com mais detalhes. Ao identificar outras moléculas influenciadas ou controladas pelo HIF1, os pesquisadores podem revelar alvos mais seguros e precisos para o tratamento da tendinopatia. Essa busca já está em andamento.

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