Alexander Bah Benfica AVS SAD

Benfica e o calor de 2026: análise prospectiva sobre as saídas da Luz (considerando a situação atual em março)

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A temporada do Benfica está a ser dececionante, com poucas ambições até maio de 2026. Após um investimento superior a 100 milhões de euros nos últimos dois mercados, era inesperado que as águias chegassem a março com resultados tão modestos. Apesar da ‘relação tensa’ entre adeptos e direção, sempre houve a esperança de que o plantel conseguiria competir em alto nível, mesmo com a troca de Bruno Lage por José Mourinho ainda em fase inicial. No entanto, a eliminação na Champions League pelo Real Madrid e o atual terceiro lugar na Primeira Liga fazem com que a massa associativa já comece a pensar na temporada 2026/27. Muitos clamam por uma revolução na equipe, apostando nos jovens da formação, enquanto outros acreditam que o plantel precisa de ajustes, mantendo elementos com qualidade que podem ajudar os encarnados a regressar à luta pelo título, numa fase em que Sporting e FC Porto estão em ascensão.

Para o mercado de verão, devemos fazer um exercício de futurologia e assumir as posições de Rui Costa, Mário Branco e José Mourinho, que terão que estar a trabalhar para a próxima temporada, projetando os vários cenários e considerando opções para todos. Esses três nomes terão a responsabilidade de definir as mudanças no Benfica, incluindo contratações e dispensas de atletas.

Existem certos jogadores cuja continuidade na Luz está em sério risco e que provavelmente terão que mudar de ares, já que não se encaixam no projeto ou não têm o nível necessário para serem opções numa equipe que busca voltar a conquistar títulos e unir uma instituição cada vez mais fragmentada. Saídas em todos os setores são esperadas (sem contar jogadores emprestados que não retornarão ao Inferno da Luz, pelo menos enquanto atletas da casa).

Na defesa, dois nomes têm a porta de saída aberta (e outro que pode sair). Nicolás Otamendi está a atravessar uma temporada apresentando dificuldades, com a idade a fazer-se notar. O argentino é capitão da equipe e trouxe alegrias aos adeptos, mas não faz sentido manter o defesa por mais uma época aos 38 anos. Sua importância no balneário é elevada, mas a sua percentagem no salário também o é. O Benfica tem em Tomás Araújo e António Silva (a menos que também seja vendido para arrecadar fundos) a sua futura dupla de centrais, com Gonçalo Oliveira observando uma oportunidade de mostrar seu potencial. Embora José Mourinho confie em Otamendi, a paciência dos adeptos está esgotada. O internacional argentino provavelmente já está pensando no final da carreira, e um retorno ao seu país natal seria uma maneira digna de concluir uma história bonita.

Alexander Bah também poderá ter o caminho facilitado para a saída. O dinamarquês tem qualidade, mas está em uma ‘posição complicada’. Ele sofreu uma grave lesão em 2024/25, da qual demorou a se recuperar, e viu dois novos nomes emergirem no plantel recentemente: Amar Dedic, lateral adquirido ao RB Salzburgo no verão por 10 milhões de euros, e Daniel Banjaqui, uma nova promessa da formação do Benfica, que conquistou o Mundial Sub-17 e pode assumir a posição na próxima década, a menos que mude para um clube de maior destaque. A qualidade de Banjaqui é inegável, e seu crescimento sob a vigilância do bósnio permitirá que evolua com mais tranquilidade, mas ainda com a supervisão de José Mourinho. Alexander Bah ainda pode embarcar em uma nova aventura em um clube relevante. Com apenas 28 anos, e ao estar fisicamente apto, foi uma adição valiosa. Contudo, não faz sentido para os encarnados mantê-lo, podendo até realizar uma boa venda.

O futuro de Sidny Cabral é incerto. O versátil jogador foi contratado ao Estrela da Amadora em janeiro por seis milhões e meio de euros, depois de se destacar na Primeira Liga. No entanto, não tem convencido o exigente público da Luz, tendo inclusive ficado de fora das últimas convocatórias. O episódio em que pediu a camisola a Vinícius Júnior também não lhe caiu bem no ambiente do Benfica. Seu futuro dependerá das oportunidades que José Mourinho lhe proporcionará. Se voltar a mostrar o nível que já teve, pode ser uma boa opção versátil. Além disso, é sempre útil ter jogadores com capacidade de desempenhar diversas funções no plantel.

  • Nicolás Otamendi: contrato até 2026 – 43 jogos e 3 golos em 2025/26
  • Alexander Bah: contrato até 2029 – 3 jogos e 1 golo em 2025/26
  • Sidny Cabral: contrato até 2029 – 11 jogos, 1 golo e 3 assistências em 2025/26 (pelo Benfica)

No meio-campo, há um jogador que pode deixar o Benfica (sem contar jovens como Diogo Prioste ou João Veloso, que podem até ser emprestados). É improvável que Rui Costa permita a saída de Richard Ríos, que enfrenta críticas quase semanalmente, visto que o colombiano custou 27 milhões de euros e é uma aposta da estrutura. Além disso, as chances de lucro do meio-campista no verão são extremamente baixas. Fredrik Aursnes e Leandro Barreiro são fundamentais para a equipe técnica. Manu Silva é o ‘6’ mais confiável do plantel. Resta Enzo Barrenechea. O argentino, emprestado pelo Aston Villa, teve sua cláusula de compra obrigatória de 15 milhões de euros exercida. Ele se destacou no Valência, mas não teve um impacto significativo na Luz. Enzo é um jogador seguro, cumpre na defesa e é eficiente no passe, mas não se destaca em demasia em comparação com os colegas. Não é um jogador de grandes lances. Apesar de os encarnados terem adquirido o atleta, o clube poderá vendê-lo por um valor superior devido à sua boa lembrança na La Liga. Trata-se de um jogador que não é essencial para a equipe técnica e é facilmente substituível. Além disso, aos 24 anos, ele ainda tem um grande potencial para se afirmar novamente em um contexto europeu. Contudo, permanecer na Luz pode levar à sua estagnação.

  • Enzo Barrenechea: contrato até 2029 – 38 jogos, 2 golos e 1 assistência

No ataque, deixando Henrique Araújo de fora, dois jogadores poderiam se beneficiar de uma saída do Benfica, além de um jogador cuja situação é incerta.

Bruma chegou à Luz após ressurgir em Braga, retornando a uma cidade onde já havia sido feliz. Entretanto, o internacional português sentiu o peso da mudança, não conseguindo manter seu bom desempenho na Pedreira. O extremo não fez diferença na primeira metade de 2025 e enfrentou uma lesão no tendão de Aquiles que o afastou por meses. Poderia ter sido o extremo que José Mourinho tanto desejava, mas sua condição física impediu que ele se destacasse, deixando Dodi Lukebakio assumir essa função. Além do belga, Bruma viu outros nomes como Gianluca Prestianni, Fredrik Aursnes e até mesmo Richard Ríos ocuparem seu espaço no ataque. A estrutura deverá ir ao mercado em busca de um jogador para essa posição, e Bruma ficará sem espaços para atuar. O jogador formado no Sporting está novamente lesionado e terá até maio para provar seu valor. Será um dos nomes com a porta aberta para um bom contrato.

Franjo Ivanovic, uma das ‘contratações bomba’ do verão de 2025, não conseguiu se adaptar. O croata, que foi uma das promessas da Liga Belga, não conseguiu ser relevante na Luz. Seu processo de adaptação não foi fácil, e a forte concorrência de Vangelis Pavlidis não lhe deu chances de brilhar. O grego se tornou o melhor jogador do Benfica, e Ivanovic não conseguiu sair de sua sombra. O sistema também não favoreceu suas características. José Mourinho decidiu até mesmo promover Anísio Cabral para o plantel principal, o que empurrou o balcânico para uma disputa no ataque, onde também não se destacou. O jogador custou 20 milhões de euros aos cofres dos encarnados e não está apresentando o retorno esperado. Não seria chocante se permanecesse, mas estará insatisfeito com a pouca utilização, especialmente em um ano crucial para ele, já que corre o risco de ficar fora do Mundial 2026.

Por fim, a situação de Gianluca Prestianni não pode ser ignorada. O extremo é capaz de mudar o rumo de um jogo, realizar dribles fantásticos e criar jogadas memoráveis. No entanto, sua inconsistência ainda o impede de se firmar na Luz, onde está desde janeiro de 2024. Além disso, o alegado insulto racista dirigido a Vinícius Júnior levanta questões sobre seu futuro. O Benfica deve avaliar seriamente a continuidade do jogador, especialmente caso se prove que a acusação contra ele é verdadeira, o que se tornaria uma saída obrigatória.

  • Bruma: contrato até 2028 – 2 jogos em 2025/26
  • Franjo Ivanovic: contrato até 2030 – 34 jogos, 5 golos e 2 assistências em 2025/26
  • Gianluca Prestianni: contrato até 2029 – 32 jogos, 2 golos e 1 assistência em 2025/26

Os encarnados precisarão realizar pelo menos uma venda de alto valor no mercado de verão, especialmente se não alcançarem a qualificação direta para a próxima edição da Champions League, algo quase impossível. Tudo dependerá das ofertas que chegarem a Rui Costa, que terá um verão agitado, lidando com a saída de jogadores sem espaço e buscando contratações que realmente acrescentem valor, enquanto ainda enfrentará críticas se o Benfica terminar a época sem títulos.

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