XXII Congresso da ADHP reúne 640 profissionais em Elvas para debater tendências da hotelaria nacional

XXII Congresso da ADHP reúne 640 profissionais em Elvas para debater tendências da hotelaria nacional

Nos dias 5 e 6 de Março, o Centro de Negócios Transfronteiriço de Elvas recebeu o XXII Congresso da ADHP – Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal. Esta edição de 2026, que atraiu aproximadamente 640 participantes durante os dois dias, reafirmou seu papel como um dos eventos técnicos mais significativos do setor de turismo em Portugal.

O Congresso juntou hoteleiros, especialistas da hotelaria, e profissionais de áreas como sustentabilidade, educação, bem-estar e inteligência artificial, além de outros stakeholders do turismo, para discutir os desafios e oportunidades mais relevantes para a hotelaria em Portugal.

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A cerimônia de abertura do Congresso contou com os discursos de Fernando Garrido, presidente da ADHP, Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal, José Santos, líder da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, e Nuno Mocinha, vice-presidente da Câmara de Elvas.

No discurso inaugural, o presidente da ADHP destacou a importância dos “profissionais da hotelaria e, em particular, dos diretores de hotel” para o êxito da atividade econômica, ressaltando que o “nível de sofisticação” alcançado pela hotelaria portuguesa “exige lideranças altamente qualificadas.”

“O diretor de hotel deixou de ser apenas um gestor operacional, assumindo hoje a responsabilidade por equipas multidisciplinares e por uma gestão cada vez mais exigente”, afirmou o presidente da ADHP. Ele também mencionou que a iminente implementação do novo Regime Jurídico dos Empreendimentos Turísticos é “um passo aguardado há muito tempo, que permitirá reforçar o enquadramento e o reconhecimento das profissões do setor, especialmente a função de diretor de hotel”, mas que sua implementação deve “responder de forma atual às exigências do setor”.

Fernando Garrido também fez um apelo aos líderes políticos para que haja uma resposta efetiva aos problemas estruturais enfrentados pelo turismo, que representa 14% do PIB português. “É irreal esperarmos que os resultados do turismo continuem a crescer exponencialmente, como nos últimos anos, quando os principais acessos ao nosso país estão esgotados, apesar da nossa oferta ainda estar se expandindo”, lembrou o presidente da ADHP, que reiterou a sua preocupação com a “falta de infraestruturas estratégicas para o turismo”, como o “novo aeroporto de Lisboa e a ferrovia de alta velocidade”.

“Observamos, com certa apreensão, o surgimento de movimentos que defendem a ideia de excesso de turismo e que não representam a opinião da maioria da população, conforme já foi comprovado por estudos junto das comunidades locais. De qualquer forma, é essencial criar condições para uma melhoria na experiência do turismo que, consequentemente, aprimorará a qualidade da vida da população local”, acrescentou Fernando Garrido.

Em meio ao novo conflito armado no Médio Oriente, o presidente da ADHP expressou sua preocupação com o impacto da situação geopolítica internacional no desempenho comercial da hotelaria portuguesa, mas garantiu que “os diretores de hotel estarão acompanhando esta situação com atenção, assegurando, como sempre, a resiliência e a capacidade de adaptação que caracterizam o setor”.

Já o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, durante a cerimônia de entrega dos Prêmios Xénios 2026, ressaltou o papel fundamental dos profissionais da hotelaria na dinâmica positiva que caracteriza o turismo nacional. “Os resultados que obtivemos em 2025 devem-se, sobretudo, àquilo que é a matéria-prima mais importante do turismo: as pessoas”, declarou o governante, que reafirmou o compromisso do governo com a “valorização” dos profissionais do setor e destacou que esse reconhecimento deve ser “acompanhado por uma progressão efetiva nas carreiras e nas condições profissionais”.

Bem-estar, sustentabilidade e inovação: O Congresso abordou as tendências do setor

Durante os dois dias de Congresso, os painéis abordaram temas cruciais para a hotelaria nacional, incluindo a diversificação das fontes de receita e a valorização de destinos fora dos grandes centros urbanos. Em uma sessão dedicada à atração de clientes locais para restaurantes de hotel, foi enfatizada a crescente importância da restauração como alavanca comercial, não apenas para reforçar a conexão das unidades hoteleiras com as comunidades locais, mas também para aumentar a resiliência dos negócios hoteleiros. Já o painel sobre a promoção de destinos menos conhecidos trouxe à tona a necessidade de estratégias integradas entre a hotelaria, entidades regionais e agentes econômicos, com foco na valorização de áreas com baixa densidade populacional e na construção de propostas diferenciadoras que possam atrair demanda e gerar movimentação econômica.

No segundo dia, os debates se concentraram em três pilares fundamentais para o futuro do setor: sustentabilidade, bem-estar e inovação tecnológica. A evolução das práticas ambientais e seu reflexo na operação hoteleira foram analisados em um painel que destacou a sustentabilidade como uma dimensão cada vez mais abrangente na gestão. Em seguida, houve uma reflexão sobre retenção de talentos, bem-estar e novos modelos de liderança, num momento em que a hotelaria ainda enfrenta desafios significativos em relação aos recursos humanos. Por último, a inteligência artificial e o uso estratégico de dados encerraram a série de debates e apresentações, focando em suas aplicações práticas para a operação hoteleira e no potencial dessas ferramentas para apoiar a tomada de decisões, otimizar resultados e responder a um mercado cada vez mais exigente.

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