ATMOS Space Cargo recebe autorização para reentrada da missão Phoenix 2.1 nos Açores
A licença concedida pela ANACOM inclui as operações de retorno do veículo Phoenix 2.1 da ATMOS Space Cargo, contemplando a reentrada na atmosfera e a recuperação marítima em uma área específica do Atlântico Norte, nas proximidades da ilha de Santa Maria, nos Açores.
Após a concessão da primeira licença para a operação de um centro de lançamento espacial no território nacional ao Atlantic Spaceport Consortium no ano anterior, a ANACOM autorizou a ATMOS Space Cargo a proceder com a reentrada e recuperação da missão Phoenix 2.1, que está programada para ser lançada na segunda metade deste ano.
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“Esta é a primeira licença comercial de reentrada espacial emitida em Portugal para o retorno e recuperação controlados de um veículo espacial comercial em solo europeu, sob um regulamento nacional”, destacou a ATMOS em um comunicado.
A licença contempla as operações de retorno do veículo, incluindo a reentrada na atmosfera e a recuperação marítima em uma área específica do Atlântico Norte, nas proximidades da ilha de Santa Maria, nos Açores, sob a jurisdição portuguesa.
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Fatores como a data de lançamento, o perfil de voo e os parâmetros de recuperação ainda necessitam de coordenação operacional e regulatória. Os calendários exatos da missão e as coordenadas para a recuperação serão confirmados mais próxima da data do voo, “em conformidade com as notificações marítimas e de aviação pertinentes”, afirma a ATMOS.
Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, menciona que “o desenvolvimento das capacidades nacionais em governança do Espaço é fundamental para a autonomia e resiliência da Europa, tanto para o acesso quanto para o retorno da órbita”.
O responsável destaca que apoiar “operações de reentrada licenciadas sob jurisdição portuguesa fortalece o papel de Portugal na criação de uma economia espacial europeia bidirecional, englobando pesquisa, fabricação e outras aplicações de alto valor que dependem de logística de retorno confiável”.
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Nesse mesmo sentido, Marta Oliveira, Chief Operating Officer (COO) e cofundadora da ATMOS, ressalta a relevância das missões de reentrada como um “componente essencial da infraestrutura espacial europeia”.
“Garantir uma licença de reentrada europeia sob um regime nacional é um passo significativo rumo à criação de uma capacidade de retorno independente e comercialmente viável”, aponta. “Essa licença representa um avanço importante em direção a uma infraestrutura espacial europeia soberana e bidirecional”.
É importante lembrar que a ilha de Santa Maria já havia sido designada como o local de aterrissagem do voo inaugural do Space Rider, o veículo em desenvolvimento na Europa que permitirá a realização de experimentos científicos em microgravidade e a testagem de tecnologias para outras missões espaciais.
O primeiro voo do Space Rider está programado para 2028, partindo a bordo de um lançador Vega-C, que começará sua jornada no Porto Espacial da Guiana Francesa, retornando à ilha de Santa Maria com o veículo reutilizável. A meta é que o Space Rider também funcione como lançador de pequenos satélites.
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No mês de novembro do ano passado, a Agência Espacial Europeia e a Agência Espacial Portuguesa firmaram um acordo para um investimento de 15 milhões no futuro Centro Tecnológico Espacial de Santa Maria, que acolherá o primeiro voo do Space Rider em 2028.
