Pesquisadores identificam suspeitas virais que podem estar alimentando a COVID longa
Para muitas pessoas que sofrem de COVID longo, problemas contínuos como falta de ar, fadiga e confusão mental continuam sendo difíceis de explicar. Um grupo de microbiologistas renomados acredita que pode ter descoberto uma pista importante.
A perspectiva deles é que, para alguns indivíduos, os sintomas do COVID longo podem resultar de infecções adicionais que ocorrem juntamente com o SARS-CoV-2.
Uma revisão publicada na eLife por 17 especialistas, incluindo pesquisadores da Rutgers Health, sugere que co-infecções adquiridas antes ou durante um episódio de COVID podem ajudar a impulsionar sintomas duradouros.
“Esse é um aspecto do COVID longo que não é muito comentado,” afirmou Maria Laura Gennaro, microbiologista da Rutgers New Jersey Medical School, que presidiu a Microbiology Task Force da iniciativa Researching COVID to Enhance Recovery dos Institutos Nacionais de Saúde, um estudo de grande escala sobre o COVID longo.
Provas Crescentes de Que Outros Patógenos Podem Ter um Papel
O COVID longo afetou até 400 milhões de pessoas no mundo todo e pode causar problemas que variam de distúrbios leves a incapacidades severas. Pode envolver o cérebro, coração, pulmões e sistema digestivo. Apesar de seu impacto generalizado, não existem tratamentos comprovados, pois a causa subjacente permanece incerta.
A nova revisão reúne descobertas científicas existentes e a opinião de especialistas para destacar uma ideia que recebeu atenção relativamente pequena: infecções além do próprio coronavírus podem ser contribuintes importantes.
Reativação do EBV como um Suspeito Principal
Uma das linhas de evidência mais fortes gira em torno do vírus Epstein-Barr (EBV), o vírus que causa a mononucleose. Aproximadamente 95% dos adultos portam o EBV em uma forma latente que geralmente permanece silenciosa até que um desafio imune, como o COVID, desencadeie sua reativação.
Em um estudo inicial, pesquisadores relataram que dois terços de pessoas com COVID longo mostraram marcadores de atividade recente do EBV, e aquelas com mais sintomas apresentaram níveis mais altos de anticorpos. Estudos subsequentes também correlacionaram a reativação do EBV com características bem conhecidas do COVID longo, incluindo fadiga e dificuldades cognitivas.
Tuberculose e Disrupção Imune
Outro patógeno que está recebendo atenção é a tuberculose (TB). Cerca de um quarto da população global carrega a TB latente. Evidências indicam que o COVID pode reduzir as células imunológicas que normalmente contêm a TB, aumentando o risco de reativação. A conexão pode também funcionar na direção oposta, uma vez que a TB parece ser capaz de agravar os resultados do COVID.
Os pesquisadores enfatizam que o momento é crucial. Infecções que ocorrem antes do COVID podem enfraquecer o sistema imunológico. Infecções durante a doença inicial podem intensificar o dano tecidual. Infecções que surgem após a recuperação podem aproveitar a disfunção imune persistente causada pelo COVID.
Aumento nas Taxas de Outras Doenças e a Ideia do Roubo de Imunidade
De acordo com os autores, 44 países experimentaram aumentos dez vezes maiores em pelo menos 13 doenças infecciosas em comparação com os níveis observados antes da pandemia. Uma ideia que eles discutem, conhecida como “roubo de imunidade”, propõe que um episódio agudo de COVID pode deixar as pessoas mais suscetíveis a outras infecções.
Se as co-infecções realmente contribuírem para o COVID longo, tratamentos já disponíveis poderiam potencialmente ajudar. Antibióticos e antivirais existentes poderiam ser reaproveitados para direcionar infecções subjacentes específicas, e ensaios clínicos poderiam estudar se o tratamento dessas infecções melhora os sintomas do COVID longo.
Uma Hipótese Que Ainda Precisa de Evidências
Os pesquisadores alertam que sua argumentação permanece preliminar. Embora as conexões que delineiam sejam biologicamente razoáveis, elas ainda não foram comprovadas. Nenhuma relação causal foi confirmada entre qualquer co-infecção e COVID longo.
“Todo mundo já ouviu isso milhões de vezes, mas vale a pena repetir: correlação não é igual a causalidade,” disse Gennaro.
Ela acrescentou que a verificação da hipótese exigiria grandes estudos epidemiológicos e pesquisas em animais, mas esse trabalho é dificultado pela falta de modelos animais confiáveis para o COVID longo.
Expandindo a Busca por Respostas
Os autores esperam que suas descobertas incentivem mais investigações sobre como co-infecções podem moldar o COVID longo. Embora a revisão não forneça soluções imediatas para aqueles que lidam com sintomas de longo prazo, os pesquisadores sugerem que um tratamento eficaz pode envolver olhar além do coronavírus isoladamente.
