Por que beber mais água não preveniu pedras nos rins

Por que beber mais água não preveniu pedras nos rins

Os cálculos renais são conhecidos por provocarem dores intensas e frequentemente incapacitantes. Eles podem interromper a rotina diária e muitas vezes fazem com que as pessoas procurem o pronto-socorro. Nos Estados Unidos, cerca de 1 em cada 11 pessoas desenvolverá cálculos renais, e quase metade delas enfrentará um novo episódio mais adiante.

Um novo grande ensaio clínico, liderado pela Rede de Pesquisa em Doença de Pedra Urinária e coordenado pelo Instituto de Pesquisa Clínica da Duke, buscou responder a uma questão crucial: um programa de comportamento estruturado pode ajudar as pessoas a ingerirem líquidos suficientes para prevenir o retorno dos cálculos renais?

Os resultados, publicados recentemente na revista The Lancet, esclarecem por que a prevenção de cálculos renais continua a ser um desafio, mesmo quando as pessoas estão motivadas e recebem suporte contínuo.

“Os resultados do ensaio mostram que, apesar da importância da alta ingestão de líquidos para prevenir a recorrência de cálculos, alcançar e manter uma ingestão muito elevada é mais difícil do que geralmente supomos para pessoas com doença de pedra urinária”, afirmou Charles Scales, M.D., autor correspondente e co-sênior do artigo e professor associado nos departamentos de Urologia e Ciências da Saúde Populacional da Escola de Medicina da Universidade de Duke.

“O desafio da adesão provavelmente contribui para a taxa relativamente alta de recorrência de cálculos em pessoas com essa condição crônica”, acrescentou Scales.

Garrafas Inteligentes e Coaching Não Foram Suficientes

Os participantes do estudo foram aleatoriamente designados para cuidados padrão ou um programa comportamental de hidratação destinado a aumentar a ingestão de líquidos. O programa incluía garrafas de água inteligentes habilitadas por Bluetooth que monitoravam a quantidade que os participantes bebiam, juntamente com metas de hidratação personalizadas (“prescrições de fluidos”), mensagens de lembrete, incentivos financeiros e coaching em saúde.

A “prescrição de fluidos” de cada participante foi calculada comparando sua produção urinária usual com a quantidade necessária para alcançar uma meta diária de pelo menos 2,5 litros.

Embora as pessoas no programa tenham aumentado a quantidade que bebiam, e sua produção média de urina ter aumentado, a melhoria não foi suficiente para reduzir significativamente a taxa de recorrência sintomática de cálculos renais em todo o grupo.

O Maior Estudo Comportamental de Seu Tipo

O ensaio incluiu 1.658 adolescentes e adultos de seis grandes centros clínicos nos EUA (Centro Médico UT Southwestern, Universidade de Washington em St. Louis, Universidade da Pensilvânia/Hospital Infantil da Filadélfia, Universidade de Washington, Clínica Mayo e Clínica Cleveland). Os pesquisadores acompanharam os participantes durante dois anos para monitorar os resultados.

Este estudo se destaca porque mediu diretamente se os cálculos renais retornaram, em vez de se concentrar apenas na ingestão de líquidos ou nos níveis urinários. Os pesquisadores utilizaram questionários regulares e exames de imagem para determinar se novos cálculos se formaram ou se os existentes cresceram.

Por Que Manter-se Hidratado é Tão Difícil

Os resultados destacam o quão difícil pode ser para as pessoas beberem grandes quantidades de líquido todos os dias, mesmo quando apoiadas por tecnologia e coaching. As descobertas sugerem que uma única meta de hidratação pode não funcionar para todos, uma vez que as necessidades de líquido variam com base em fatores como idade, tamanho do corpo, estilo de vida e saúde geral.

“Entre adolescentes e adultos, o estudo avança o campo em direção a uma prevenção mais precisa”, disse Gregory E. Tasian, M.D., coautor sênior e urologista pediátrico atendente na Divisão de Urologia e investigador principal do ensaio no Hospital Infantil da Filadélfia.

“Em vez de pedirmos a cada paciente que alcance a mesma meta de fluidos, devemos determinar quem se beneficia de quais metas, entender por que a adesão falha e construir intervenções — comportamentais e médicas — que reduzam de forma confiável a recorrência de cálculos”, acrescentou Tasian.

Rumo a uma Prevenção de Cálculos Renais Mais Personalizada

Os pesquisadores afirmam que os achados indicam a necessidade de novas abordagens para a prevenção. Isso pode incluir metas de hidratação mais individualizadas, estratégias para superar barreiras relacionadas ao trabalho e às rotinas diárias, e tratamentos potenciais que ajudem a manter os minerais dissolvidos na urina.

“A doença de cálculos renais é uma condição crônica, pontuada por episódios imprevisíveis e, às vezes, excruciantes que podem interromper o trabalho, o sono, a produtividade e a vida em geral”, disse Alana Desai, M.D., primeira autora do estudo e investigadora principal do site de pesquisa da Universidade de Washington em St. Louis.

“A maioria das pessoas apreciaria um meio simples de reduzir suas chances de experimentar outro evento”, afirmou Desai.

Além de Scales, Tasian e Desai, os autores do estudo incluem Naim M. Maalouf, Jonathan D. Harper, Sri Sivalingam, John C. Lieske, H. Henry Lai, Peter P. Reese, Hunter Wessells, Hongqiu Yang, Hussein R. Al-Khalidi e Ziya Kirkali.

O estudo, juntamente com outras pesquisas da Rede de Pesquisa em Doença de Pedra Urinária, foi financiado pelo Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais.

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