NASA encerra a missão MAVEN após mais de 11 anos de estudo da atmosfera de Marte
A sonda MAVEN, lançada em 2013 e em operação por mais de uma década, além do seu período de missão inicial que era de apenas um ano, deixou de responder em dezembro após uma rotação inesperada que esgotou suas baterias. O painel de revisão da NASA determinou que a sonda não pode ser recuperada.
A NASA anunciou o encerramento da missão da MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN), a primeira sonda exclusivamente dedicada ao estudo da atmosfera de Marte e sua evolução. Essa missão, inicialmente planejada para ter a duração de um ano, se estendeu por mais de uma década, operando de forma incansável por 11 anos, sempre na órbita do planeta vermelho.
Mantenha-se atualizado sobre as principais novidades do mundo da tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt
A sonda foi ouvida pela última vez em 6 de dezembro, quando perdeu sinal inesperadamente ao passar atrás de Marte. A telemetria coletada antes do evento mostrava que todos os subsistemas estavam funcionando normalmente, mas quando a MAVEN reemergiu do outro lado do planeta, a rede de antenas de rádio da NASA, chamada Deep Space Network, não conseguiu restabelecer a comunicação.
Descubra agora uma galeria de imagens significativas da sonda MAVEN
Um painel de revisão constituído em fevereiro concluiu que a MAVEN entrou em uma rotação inesperada, resultando no esgotamento de suas baterias, o que levou à perda de energia do sistema de comunicação. “Isso indica um problema do qual a sonda provavelmente não conseguiria se recuperar”, explicou Mike Moreau, gerente do projeto no Goddard Space Flight Center da NASA.
Uma missão que respondeu à grande questão sobre Marte
Iniciando suas atividades em novembro de 2013, a MAVEN explorou a alta atmosfera marciana, a ionosfera e suas interações com o Sol, contribuindo para o estudo da perda da atmosfera de Marte no espaço. Essa missão foi fundamental para entender a história climática do planeta, identificar traços que evidenciam a presença de água líquida e sua potencial habitabilidade no passado. Entre as descobertas mais importantes está a confirmação de que a erosão da atmosfera de Marte aumenta significativamente durante as tempestades solares, com o vento solar varrendo continuamente partículas atmosféricas para o espaço.
Vento solar desapareceu de Marte num fenômeno raro que permitiu descobertas incríveis
Um evento solar dramático observado pela missão MAVEN pode ajudar os cientistas a compreender a física que impulsiona a…
Esse fenômeno desempenhou um papel crucial na transformação de Marte, passando de um mundo potencialmente habitável para o deserto frio e árido que conhecemos hoje. A missão ainda descobriu diversos tipos de auroras em Marte que são diferentes das da Terra, incluindo auroras de prótons que, ao contrário da Terra, podem acontecer em toda a superfície marciana.
Além disso, conseguiu registrar o fenômeno conhecido como “sputtering” atmosférico, que se refere à colisão de íons na atmosfera em altas velocidades, expulsando moléculas de gás para o espaço, de forma similar ao efeito de uma pedra sendo atirada em uma piscina. Recentemente, a MAVEN participou da observação do cometa 3I/ATLAS, o terceiro objeto conhecido a se originar fora do sistema solar.
Durante sua operação, a equipe científica da MAVEN produziu mais de 800 publicações científicas. A sonda também se tornou um elo essencial na rede de retransmissão de dados entre Marte e a Terra, atuando como uma ponte para os rovers na superfície. Ela detém o recorde de maior volume de dados retransmitidos de outro planeta em um único dia.
“A ciência que a MAVEN nos forneceu é fundamental para determinar quais tipos de proteção contra a radiação e medidas de segurança serão necessárias antes de enviar humanos a Marte”, afirmou Louise Prockter, diretora da Divisão de Ciências Planetárias da NASA. “Os dados coletados pela MAVEN continuarão a oferecer informações valiosas sobre Marte por décadas.”
A MAVEN deverá permanecer em órbita de Marte pelos próximos 50 a 100 anos, até que sua trajetória sofra degradação suficiente para que a sonda se desintegre na atmosfera do planeta. Quando questionada sobre o que escreveria na lápide da missão, Shannon Curry, a investigadora principal, respondeu prontamente: “A melhor missão a Marte de todas.”
