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Descompasso em exame de sangue simples ligado a falência renal e morte

Descompasso em exame de sangue simples ligado a falência renal e morte

Uma diferença entre dois testes de sangue amplamente utilizados para a saúde dos rins pode servir como um sinal de alerta precoce para resultados sérios, incluindo insuficiência renal, doenças cardíacas e morte, de acordo com uma nova pesquisa.

Por muitos anos, médicos usaram um marcador sanguíneo chamado creatinina para estimar a eficiência com que os rins filtram os resíduos gerados pela atividade muscular. Diretrizes médicas mais recentes também recomendam a medição da cistatina C, uma proteína pequena produzida por todas as células do corpo, como uma outra forma de avaliar a função renal. Como esses dois marcadores são afetados por diferentes processos biológicos, utilizá-los em conjunto pode fornecer uma visão mais clara da saúde renal e dos riscos futuros do que qualquer um dos testes isoladamente.

Dois Testes, Uma Lacuna Preocupante

Pesquisadores do NYU Langone Health descobriram que grandes diferenças entre os resultados de creatinina e cistatina C são comuns, especialmente entre indivíduos que já estão doentes. Em uma extensa análise internacional, mais de um terço dos pacientes hospitalizados apresentaram resultados de cistatina C que sugeriam que a função renal era pelo menos 30% pior do que o indicado pelos níveis de creatinina. Essa lacuna, segundo os pesquisadores, pode sinalizar doenças subjacentes que poderiam passar despercebidas.

“Nossos achados ressaltam a importância de medir tanto a creatinina quanto a cistatina C para obter uma compreensão real de como os rins estão funcionando, especialmente entre adultos mais velhos e mais doentes”, afirmou a co-autora correspondente do estudo, Morgan Grams, MD, PhD. “Avaliar ambos os biomarcadores pode identificar muito mais pessoas com má função renal, e mais cedo no processo da doença, cobrindo os pontos cegos que acompanham cada teste.”

O estudo foi publicado na Journal of the American Medical Association e apresentado na conferência anual Kidney Week da American Society of Nephrology.

Por Que Testes Renais São Importantes Além do Diagnóstico

Medições precisas da função renal são essenciais não só para detectar doenças, mas também para determinar doses seguras de medicamentos. O desempenho renal ajuda a orientar a dosagem de tratamentos para câncer, antibióticos e muitos medicamentos comumente prescritos, segundo Grams, que é professora de Medicina na NYU Grossman School of Medicine.

Em um estudo separado divulgado no mesmo dia, o mesmo grupo de pesquisa relatou que a doença renal crônica agora afeta mais pessoas em todo o mundo do que nunca e se tornou a nona principal causa de morte globalmente. Grams observa que melhores ferramentas para a detecção precoce podem permitir que os pacientes iniciem o tratamento mais cedo e reduzam a necessidade de medidas extremas, como diálise ou transplante de órgãos. Ela também é professora no Departamento de Saúde da População da NYU Grossman School of Medicine.

Uma Análise Global Abrangente

No estudo atual, os investigadores revisaram registros médicos, resultados de testes sanguíneos e informações demográficas de 860.966 adultos representando seis nacionalidades diferentes. Todos os participantes tiveram tanto a creatinina quanto a cistatina C medidas no mesmo dia e foram acompanhados por uma média de 11 anos. A análise levou em conta fatores que podem influenciar esses marcadores, mas que não estão diretamente relacionados à função renal, incluindo tabagismo, obesidade e um histórico de câncer.

Realizada por meio do internacional Chronic Kidney Disease Prognosis Consortium, a pesquisa é a maior investigação até o momento a examinar como as diferenças entre esses dois testes se relacionam com resultados de saúde a longo prazo. O consórcio foi criado para melhorar a compreensão da doença renal crônica e apoiar definições globais consistentes da condição e seus riscos.

Riscos Maiores Associados a Diferenças Maior

O estudo revelou que indivíduos cujos resultados de cistatina C mostraram uma filtragem renal pelo menos 30% menor do que seus resultados de creatinina enfrentaram riscos significativamente mais elevados de morte, doenças cardíacas e insuficiência cardíaca. Eles também eram mais propensos a desenvolver doença renal crônica severa que exigiria diálise ou transplante de órgãos. Padrões semelhantes foram observados em 11% dos pacientes ambulatoriais e indivíduos que pareciam saudáveis no momento dos testes.

Grams destacou que o teste de cistatina C foi recomendado pela primeira vez em 2012 pela organização internacional Kidney Disease — Improving Global Outcomes. Apesar dessa orientação, uma pesquisa de 2019 mostrou que menos de 10% dos laboratórios clínicos nos Estados Unidos realizavam o teste internamente. Desde então, as duas maiores empresas de laboratório, Quest Diagnostics e Labcorp, começaram a oferecê-lo.

“Esses resultados ressaltam a necessidade de os médicos aproveitarem o fato de que mais hospitais e prestadores de saúde estão começando a oferecer testes de cistatina C”, disse o co-autor correspondente do estudo, Josef Coresh, MD, PhD, diretor do Optimal Aging Institute do NYU Langone. “Caso contrário, os médicos podem perder informações valiosas sobre o bem-estar e preocupações médicas futuras de seus pacientes.”

Coresh, que também é o Terry e Mel Karmazin Professor of Population Health na NYU Grossman School of Medicine, observou que entre os americanos hospitalizados incluídos no estudo, menos de 1% havia sido testado para cistatina C.

Apoio e Contribuidores do Estudo

A pesquisa foi financiada pela concessão R01DK100446 dos National Institutes of Health e pela National Kidney Foundation.

Michelle Estrella, MD, MHS, da Universidade da Califórnia, San Francisco, atuou como a primeira autora do estudo, enquanto Kai-Uwe Eckardt, MD, da Charite-Universitätsmedizin Berlin, na Alemanha, foi o autor sênior. Juntamente com Grams e Coresh, co-líderes do Chronic Kidney Disease Prognosis Consortium, contribuíram do NYU Langone Shoshana Ballew, PhD; Yingying Sang, MS; e Aditya Surapaneni, PhD. Outros investigadores vieram de instituições nos Estados Unidos, Europa, Ásia e Austrália, refletindo o escopo global do esforço de pesquisa.

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