Esta proteína sanguínea simples pode combater um fungo negro mortal

Esta proteína sanguínea simples pode combater um fungo negro mortal

Uma equipe internacional de cientistas descobriu que a albumina, a proteína mais abundante no sangue humano, desempenha um papel poderoso e anteriormente não reconhecido na proteção do corpo contra a mucormicose, uma infecção fúngica rara, mas frequentemente fatal. As descobertas foram publicadas na Nature. A pesquisa foi liderada por George Chamilos, MD, e sua equipe da Universidade de Creta e do Instituto de Biologia Molecular e Biotecnologia, com contribuições importantes de um grupo no The Lundquist Institute for Biomedical Innovation, liderado pelo Professor Ashraf Ibrahim, PhD.

A mucormicose, frequentemente chamada de “fungo negro”, é causada pelos fungos do gênero Mucorales e pode se espalhar rapidamente pelo corpo. A infecção é fatal em até metade dos casos, e em alguns pacientes, um diagnóstico traz um risco quase certo de morte. Os casos aumentaram na Índia durante a pandemia de COVID-19, especialmente entre pessoas com diabetes, sistemas imunológicos comprometidos ou desnutrição.

Níveis Baixos de Albumina Associados a Maior Risco de Morte

Os pesquisadores descobriram que pacientes diagnosticados com mucormicose apresentavam níveis de albumina significativamente mais baixos em comparação com pacientes lutando contra outras infecções fúngicas. Os baixos níveis de albumina — conhecidos como hipoalbuminemia — se destacaram como o principal preditor de desfechos graves, incluindo a morte, em diferentes grupos de pacientes em vários continentes.

“Esta é uma descoberta notável e tem o potencial de mudar a forma como os clínicos tratam a mucormicose,” afirmou Dr. Ibrahim, um dos autores seniores do estudo. Os resultados indicam que a hipoalbuminemia poderia servir como um biomarcador para ajudar os médicos a identificar pessoas em alto risco de desenvolver essa infecção agressiva. Com base nas descobertas, fornecer aos pacientes albumina enriquecida com ácidos graxos pode ajudar a prevenir a infecção, uma estratégia importante considerando a rapidez com que a mucormicose se desenvolve.

Como a Albumina Impede a Invasão Fúngica

“O estudo também nos informa como a albumina atua neutralizando fatores de virulência críticos, incluindo toxinas e outras proteínas fúngicas que causam danos aos tecidos e invadem agressivamente os órgãos humanos,” explicou Dr. Ibrahim. A pesquisa também abre a possibilidade de combinar o tratamento com albumina com imunoterapias destinadas a atacar fatores de virulência do Mucorales, que os investigadores do The Lundquist Institute estão atualmente desenvolvendo.

Experimentos laboratoriais mostraram que a albumina inibe especificamente o crescimento de fungos do gênero Mucorales sem interferir em outros microrganismos. Quando a albumina foi removida de amostras de sangue humano saudáveis, o fungo se multiplicou livremente. Camundongos que não tinham albumina estavam altamente vulneráveis à infecção, enquanto a restauração dos níveis de albumina proporcionou proteção significativa.

Ácidos Graxos São Cruciais

Testes adicionais revelaram que a atividade antifúngica da albumina depende dos ácidos graxos ligados à proteína. Esses ácidos graxos interferem no metabolismo fúngico e bloqueiam a produção de proteínas necessárias para a invasão do tecido e a progressão da doença. Amostras de sangue de pacientes com mucormicose mostraram níveis mais altos de oxidação de ácidos graxos, o que pode ajudar a explicar por que eram mais suscetíveis à infecção.

As descobertas juntas revelam um mecanismo de defesa natural previamente desconhecido dentro do corpo humano. Elas também sugerem que terapias baseadas em albumina poderiam fornecer uma nova abordagem muito necessária para prevenir ou tratar a mucormicose, uma doença que atualmente tem opções de tratamento limitadas e pouco eficazes.

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