Guarda viu Cláudio Valente em Brown várias vezes antes do ataque
Um segurança da Universidade Brown, localizada nos Estados Unidos, informou à mídia americana que avistou Cláudio Valente, “mais de uma dúzia de vezes”, no campus nas semanas que antecederam o trágico ataque que resultou em duas mortes e nove feridos.
Em uma entrevista ao WPRI, Derek Lisi, que trabalha na Universidade Brown há mais de uma década, afirmou que observou o suspeito rondando a instituição e expressou suas preocupações à equipe de segurança do campus antes do incidente. No entanto, suas notificações foram ignoradas.
“Ele estava observando o campus por semanas”, destacou, acrescentando que “sabia que algo não estava certo com ele” e, por isso, alertou a segurança “três vezes” sobre a situação.
Em uma das ocasiões, já em dezembro, Derek Lisi decidiu seguir o atacante português após vê-lo no estacionamento. Assim que o homem percebeu que estava sendo observado, afastou-se “rapidamente” e entrou “em um banheiro”.
“Foi nesse momento que tive certeza: algo não está certo com esse homem, preciso avisar sobre isso”, enfatizou.
Uma das vezes em que Derek Lisi recorda ter visto o atirador — que foi posteriormente identificado como Cláudio Manuel Neves Valente, natural do Entroncamento, de 48 anos — aconteceu por volta das 18h20 no dia anterior ao Dia de Ação de Graças.
Já no dia 1º de dezembro, ele avistou Valente após as 20 horas. “Algo me dizia: Não ignore isso. Não ignore isso”, revelou.
Ainda que tenha alertado a segurança da Universidade Brown por três vezes, Derek Lisi não tem certeza se alguma ação foi tomada para prevenir o ataque.
A publicação americana consultou a empresa de segurança envolvida, que afirmou não ser responsável pela vigilância do edifício. Eles comparecem ao campus somente quando são chamados para eventos específicos. A Universidade, por sua vez, optou por não comentar as alegações de Derek Lisi.
Após a liberação das imagens do suspeito pela polícia, capturadas por câmeras de segurança, Derek Lisi reconheceu imediatamente o homem. Ele fez uma ligação para a linha de denúncias, o que resultou em seu interrogatório pelos investigadores no dia 15 de dezembro, onde descreveu o que havia presenciado.
“Eu disse aos investigadores que era como se eu fosse a única pessoa capaz de vê-lo — é uma sensação estranha”, relatou o funcionário da Universidade de Brown. “A maneira como ele andava pelas salas de aula. Como ele virava os olhos para um lado e para o outro. E não era apenas em uma sala, era em todas as salas de aula”, concluiu.
Vale lembrar que Cláudio Valente, que posteriormente tirou a própria vida, não apenas invadiu a Universidade Brown e atirou contra diversos alunos, resultando em duas mortes e nove feridos, mas, dias depois, também ceifou a vida do físico português e diretor do MIT, Nuno Loureiro, de 46 anos.
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