Mensagem de Natal do Arcebispo de Évora 2023

Mensagem de Natal do Arcebispo de Évora 2023

À Arquidiocese de Évora,

Neste Tempo de Natal, que possamos nos preparar com a orientação de Maria e José para a chegada de Cristo, o Filho de Deus, que encarnou a nossa humanidade em toda a sua plenitude, exceto no pecado. É nesse cenário que se insere esta Mensagem de Natal, com o objetivo de destacar uma Beleza que fala por si mesma, mas que, por ser menos contemplada e mais usada, corre o risco de ser reduzida à superficialidade e ao uso indevido.

Em primeiro lugar, o Natal revela que o Amor de Deus por nós é tão imenso que Ele desejou viver a nossa experiência humana, tornando-se um Menino: frágil, vulnerável, dependente dos cuidados de Maria e José.

Esse Menino que vemos no presépio passará a maior parte de sua vida como um de nós, inserido na comunidade judaica do Egito e, posteriormente, em Nazaré, convivendo com amigos, familiares e compatriotas, participando das festas e rituais judaicos, além de compartilhar das dificuldades do seu povo. Certamente, assim como todas as crianças de sua época, crescera aprendendo e ajudando nas atividades de São José.

Ao olharmos para a Sagrada Família no presépio de Belém, somos lembrados da situação de tantas pessoas que, como Maria e José, não têm o essencial para cuidar de seus filhos. Como não lembrar das muitas famílias afetadas pela pobreza e pelos conflitos, como disse o saudoso Papa Francisco, espalhadas pelo mundo? Neste inverno, como não nos solidarizar, especialmente com as vítimas da guerra na Ucrânia e de Gaza, com todos, mas principalmente com as crianças, os idosos e os mais vulneráveis?

Com isso em mente, recordemos algumas palavras do Papa Leão XIII em sua exortação apostólica “Dilexi Te”: “Nenhuma expressão de carinho, nem mesmo a menor delas, será esquecida, especialmente se dirigida a quem se encontra na dor, sozinho, necessitado” (N.4). À luz deste apelo do Santo Padre, exorto e incentivo a todos vocês, neste Natal do Ano Santo 2025, a que em suas famílias realizem gestos concretos de afeto, presença e solidariedade para com os mais necessitados, sejam eles vizinhos, conhecidos ou familiares, transformando cada um deles na própria imagem de Jesus nascido em Belém.

Permitam-me destacar a urgência de cuidar dos idosos abandonados, dos que já não têm família; das crianças e das pessoas com qualquer tipo de deficiência, assim como os que se encontram sozinhos, seja em instituições ou em seus lares. Se estes gestos forem realizados em família e na presença das novas gerações, como não valorizarão a beleza do seu Natal!

Belém é um autêntico reflexo da universalidade da redenção: pastores pobres e excluídos da sociedade da época e sábios do Oriente, distintos e importantes, almejando, apesar de suas diferenças, adorar o Messias. Estas experiências neotestamentárias nos asseguram que a salvação que o Senhor nos oferece não é restrita a alguns privilegiados, mas destina-se a todos: homens e mulheres, jovens e idosos, de todas as etnias, origens e culturas. De fato, nós, cristãos, somos convocados a proclamar a universalidade da salvação que Jesus oferece, sendo discípulos missionários renovados pelo Natal.

Neste período de intensa mobilidade populacional, enfrentamos transformações demográficas e desafios que demandam acolhimento, cuidado, integração e promoção de inúmeros migrantes, especialmente no Alentejo Central e Ribatejo do Sul, parte integrante da nossa Arquidiocese, percebemos a mensagem de acolhimento humano que o presépio, sempre inserido na diversidade ecológica da natureza, oferece aos pastores locais e aos sábios que vêm de culturas distantes. Este é o desafio que nos é proposto: sermos Natal para aqueles que chegam até nós. Que em cada dia deste tempo novo, não sejamos um Belém fechado para Maria e José, mas um presépio e um colo abertos para pastores e magos.

No Tempo do Natal, a alegria do nascimento se contrasta com o sofrimento dos Santos Inocentes e com as dificuldades da fuga apressada da Sagrada Família para o Egito. Percebe-se já desde o início da vida de Jesus, o sinal da cruz que marcará sua trajetória.

É nesse sinal redentor que sustento minha fé ao convocar todos os cristãos de Évora a continuarmos a jornada do Ano Santo, como peregrinos da Esperança. Que, ao longo deste Ano Pastoral, possamos saborear a bondade de Deus e experimentar a contemplação e a gratidão, colocando-nos a serviço de nossas Comunidades Cristãs na construção de uma sociedade onde os valores do Natal façam parte do nosso cotidiano, iluminando e comprometendo-nos com Nosso Senhor Jesus Cristo, em última instância, a serviço da Igreja e do mundo.

Desejo a todos um Santo Natal!

+ Francisco José Senra Coelho

Arcebispo de Évora

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