Robô aprende a jogar tênis em poucas horas e já troca bolas com humanos

Robô aprende a jogar tênis em poucas horas e já troca bolas com humanos

Carlos Alcaraz “que se cuide”: após um desempenho superior nos tabuleiros de xadrez, os robôs podem em breve surpreender nos courts de tênis, conforme sugere o projeto TALENT.

Um robô humanoide segurando uma raquete e trocando bolas em uma quadra de tênis já é algo que chama a atenção, e a situação se torna ainda mais intrigante se considerarmos a metodologia que pode revolucionar a maneira como as máquinas aprendem habilidades físicas complexas.

O projeto LATENT, criado pela empresa chinesa Galbot, baseia-se em um conceito simples: ensinar um robô a jogar tênis sem necessitar de dados perfeitos. Ao invés de capturas minuciosas e completas de partidas reais – que são difíceis e custosas de obter – o sistema desenvolve suas habilidades a partir de fragmentos de movimentos humanos. Gestos simples, como um forehand, um backhand ou movimentos laterais, atuam como “blocos de construção” que o robô combina em tempo real.

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Os resultados já foram demonstrados com um Unitree G1 utilizando uma raquete padrão. Durante os testes, o robô foi capaz de realizar trocas de bola com um humano, respondendo a lançamentos que ultrapassam os 15 metros por segundo. Mais do que velocidade, destaca-se a coordenação: o sistema ajusta a postura, desloca-se e altera o ângulo da raquete quase de forma instantânea, realizando movimentos que, mesmo ainda mecânicos, se aproximam do estilo humano.

A apresentação ganhou notoriedade após a Galbot divulgar um vídeo na rede social X, mostrando o robô mantendo intercâmbios com um jogador humano.

A publicação rapidamente se tornou viral e chegou até Elon Musk, que respondeu com um simples “sim”, ao compartilhar o conteúdo, o que ajudou a ampliar o alcance global do projeto.

A inovação reside na maneira como o LATENT trabalha com dados “imperfeitos”. De acordo com os pesquisadores, mesmo informações incompletas possuem padrões fundamentais de movimento. Ao combinar tais padrões e aplicar correções durante a execução, o robô não apenas aprende a repetir gestos, mas também a adaptá-los a diferentes contextos. Em simulações, o sistema conseguiu altas taxas de sucesso, especialmente em golpes de direita.

Além disso, existe um controle adicional para impedir que o robô desenvolva movimentos não realistas, algo comum em aprendizado por reforço. O modelo se propõe a buscar apenas soluções próximas do comportamento humano, assegurando estabilidade e naturalidade.

Embora ainda esteja distante do nível competitivo dos jogadores profissionais, o avanço tem implicações que vão além do esporte. Se um robô consegue dominar uma tarefa tão complexa com dados limitados, o mesmo princípio pode ser aplicado a diversas atividades físicas onde a coleta detalhada de informações é impraticável, variando desde a indústria até a assistência pessoal. Assim, o tênis serve como um verdadeiro laboratório de testes.

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