Esquema da missão Transporter-16 da SpaceX que leva a bordo satélites portugueses

Sete Satélites Portugueses Lançados Hoje pelo Foguetão da SpaceX: Acompanhe em Direto

A bordo da missão Transporter-16 da SpaceX, embarcam quatro satélites da LusoSpace, além de dois da Força Aérea Portuguesa e do CEiiA, e o GEMS2-Amethyst da Weather Stream. O lançamento ocorrerá hoje a partir de Vandenberg, na Califórnia, às 4h02, horário do Pacífico, correspondente a 12h02 em Portugal continental. Essa missão transporta 119 “cargas”, incluindo cubesats, microsats e outros “passageiros”.

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O lançamento pode ser acompanhado online pelo perfil do X da SpaceX, começando 15 minutos antes da decolagem do foguete. As condições atuais parecem favoráveis para que o lançamento ocorra no horário previsto; no entanto, se não houver autorização para decolar, há uma nova janela disponível para amanhã, 31 de março, a partir das 3h19 locais, 11h19 em Portugal.

Confira as imagens do lançamento

A empresa de Elon Musk é referência nos lançamentos de satélites e já enviou mais de 1.600 cargas através do programa Rideshare, incluindo alguns satélites desenvolvidos em Portugal, como o PoSAT-2 e o PROMETHEUS-1, que foram lançados em janeiro de 2025.

O Falcon 9 já está preparado para a decolagem, conforme a imagem divulgada pela SpaceX.

Falcon 9 carregado com os satélites para a missão Transporter-16, representando carga “made in” Portugal

O planejamento desta missão, Transporter-16, pode ser conferido no site da SpaceX, que disponibiliza a lista completa dos satélites que serão lançados.

Esquema da missão Transporter-16 da SpaceX que leva a bordo satélites portugueses
Esquema da missão Transporter-16 da SpaceX que leva a bordo satélites portugueses

Sete satélites “made in” Portugal

Atualmente, o total de satélites desenvolvidos e autorizados em Portugal que orbitam a Terra já supera a dezena, incluindo o “veterano” PoSAT-1, que continua em órbita após mais de 30 anos desde a primeira incursão de Portugal no espaço.

Em março de 2024, o nanosatélite MH-1 foi lançado, mas já retornou à atmosfera, ao contrário do PoSAT-1, que, apesar de se tornar lixo espacial, ainda orbita. Logo depois, o PoSAT-2, que é o primeiro de uma constelação de microsatélites com identificação portuguesa da LusoSpace, foi lançado em 2024; e em 2025, dois novos satélites se uniram à lista: PoSAT-2 e PROMETHEUS-1.

Agora é a vez da LusoSpace lançar mais quatro satélites, nomeados com identidade portuguesa: Camões, Agustina, Pessoa e Saramago. Além disso, há ainda mais “carga” com origem em Portugal, incluindo um satélite da Força Aérea Portuguesa que vai integrar a Constelação do Atlântico e o VHRLight NexGen, desenvolvido pelo CEiiA em parceria com a N3O e outros colaboradores internacionais. Para completar, o GEMS2-Amethyst da Weather Stream, que possui uma filial em Coimbra e foi aprovado pela ANACOM.

Satélites com nomes portugueses da LusoSpace

Os nomes Camões, Agustina, Pessoa e Saramago foram escolhidos para os novos satélites da LusoSpace que partem para integrar a constelação Lusíada, que busca aumentar a segurança nas comunicações marítimas.

A constelação já conta com o PoSAT-2 e outros elementos estão em fase de desenvolvimento. Assim que esses quatro novos satélites estiverem em órbita e operacionais, a constelação Lusíada será composta por cinco unidades que se comunicarão entre si, com operações garantidas pela Geosat.

Esses satélites estão inseridos na Agenda New Space e fazem parte da missão VDES. O objetivo é permitir monitorar áreas de interesse com uma frequência aproximada de três horas. “Os dados gerados por esta constelação servirão para o desenvolvimento de soluções avançadas em áreas como resposta a catástrofes, agricultura de precisão, monitoramento ambiental, mapeamento de carbono, segurança e defesa”, afirma um representante da Agenda New Space, ressaltando que a constelação contará com satélites ópticos e de radar.

De acordo com as informações, o lançamento dos satélites representa um investimento de 15 milhões de euros, sendo que 10 milhões são financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A LusoSpace aportará cerca de 2,5 milhões de euros, enquanto o restante será captado junto a investidores privados.

Os lançamentos de hoje também irão fortalecer a Constelação Atlântico, com a adição de dois novos satélites da Força Aérea Portuguesa e do CEiiA, fruto de um trabalho em colaboração com a N3O, parceiros internacionais e a operadora nacional Geosat.

A constelação já possui três satélites em órbita e resulta de uma parceria com a Espanha, com a capacidade de monitorar a Terra em condições meteorológicas adversas, tanto de dia como à noite. “Essa capacidade melhora significativamente a vigilância contínua, a consciência situacional e a segurança nacional, permitindo respostas mais rápidas a operações militares, desafios de segurança marítima e proteção da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) de Portugal”, afirma um representante da Agenda New Space Portugal.

O CA-01 da Força Aérea Portuguesa “prepara Portugal para uma presença mais ambiciosa no futuro”, como foi enfatizado na apresentação. “Hoje se dá o primeiro passo para a autonomia da Força Aérea no espaço”, declarou o General Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Sérgio Pereira.

O satélite desenvolvido pelo CEiiA, o VHRLight NexGen, é fruto de um projeto liderado por este centro de pesquisa e a N3O, aliado a parceiros internacionais. Trata-se do segundo de dois satélites ópticos VHRLight NexGen, desenvolvidos para capturar imagens da superfície terrestre com resolução de 70 cm por pixel, utilizando tecnologia multiespectral avançada.

No âmbito da Agenda New Space Portugal, um Acordo entre a empresa Satellogic, a N3O e a Geosat será formalizado hoje para estabelecer “um quadro de colaboração no domínio de novas tecnologias para satélites e subsistemas, assim como serviços downstream, especialmente no âmbito do Atlantic Data Hub”.

GEMS2-Amethyst: de Coimbra para a órbita terrestre

O sétimo satélite “made in” Portugal que deverá ser lançado pela SpaceX apresenta um perfil mais discreto. Trata-se do GEMS2-Amethyst, desenvolvido pela Weather Stream, uma empresa norte-americana que possui uma filial em Coimbra. Este satélite foi licenciado pela ANACOM e fará parte do sistema Global Environmental Monitoring System (GEMS) da Weather Stream.

Este projeto, que não possui o suporte do PRR, representa um investimento de uma empresa privada americana que optou por Coimbra como o ponto de entrada para o mercado europeu. A companhia destaca que faz parte de um “esforço pioneiro para transformar a maneira como o mundo observa, compreende e atua com dados meteorológicos”.

A Weather Stream lançou em 2019 o primeiro radiômetro de micro-ondas comercial em órbita, demonstrando a capacidade dos sensores desenvolvidos pela empresa. Isso abriu caminho para a criação de uma constelação capaz de monitorar a atmosfera da Terra em tempo quase real. O GEMS2-Amethyst será o primeiro satélite dessa constelação a ser lançado.

“O GEMS2-Amethyst observa a radiação de micro-ondas e permitirá a captura de perfis tridimensionais de temperatura e umidade, desde a superfície terrestre até a estratosfera, proporcionando dados que incrementarão significativamente a precisão das previsões meteorológicas”, conforme comunicado emitido pela empresa.

(em atualização – O TEK Notícas está acompanhando o lançamento dos satélites e esta matéria será revista com novos desenvolvimentos)

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