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Valente retoma contato com Nuno Loureiro para assassinato?

"Valente retoma contato com Nuno Loureiro para assassinato?"

Continuam a surgir novos elementos sobre Cláudio Neves Valente, o indivíduo acusado de assassinar o físico português Nuno Loureiro em Boston e de ter planejado um ataque na Universidade Brown, resultando na morte de dois estudantes e em ferimentos em vários outros.

As autoridades dos EUA, em colaboração com a Polícia Judiciária (PJ), estão investigando minuciosamente o histórico acadêmico de Neves Valente.

Pouco tempo após ingressar na Brown para seu doutorado, onde permaneceu por apenas um ano, o português de Torres Novas optou por abandonar uma carreira acadêmica promissora, aceitando um emprego como desenvolvedor de software em Portugal.

Em 2017, ele decidiu retornar aos Estados Unidos. Vale destacar que, até o momento, a motivação por trás do ataque e do assassinato de Nuno Loureiro permanece desconhecida.

Cláudio reestabeleceu contato com Nuno Loureiro antes do crime?

Fontes indicam que Cláudio Valente teria recentemente reatado a relação com o físico e ex-colega Nuno Loureiro, o que lhe permitiu saber onde ele morava, de acordo com o Correio da Manhã(CM).

Nuno Loureiro acolheu o ex-colega em sua residência na segunda-feira, 15 de dezembro, sem imaginar que ele seria o responsável pelo ataque na Universidade Brown ou que o mataria logo em seguida.

“A postura de Cláudio era desagradável”

<pAlguns ex-colegas de Neves Valente têm discutido sobre ele, descrevendo seu percurso acadêmico como tumultuado.

O físico Filipe Moura foi seu “monitor” no Instituto Superior Técnico (IST) em Lisboa de 1996 a 1997 e revelou que teve contato com Valente até o início dos anos 2000, pontuando que ele não teve uma boa experiência na Universidade Brown, uma instituição da Ivy League, e desistiu do doutorado em 2001.

“Cláudio Valente e Nuno Loureiro eram meus colegas no curso de Engenharia Física Tecnológica. Eu era três anos mais velho e fui monitor de um deles (Cláudio), de Análise Matemática III, no meu ano final. Nas aulas práticas, eu fiquei com uma turma e Nuno Romão com a outra (sendo que João Palhoto Matos era o responsável pela matéria). Tudo ocorreu no Instituto Superior Técnico no ano letivo de 1996/97”, compartilhou Filipe Moura em uma publicação no Facebook.

O físico descreveu “o ano do Cláudio (e do Nuno Loureiro e outros)” como um “ano excepcional”, notando que Cláudio “era um dos melhores, mas nas aulas tinha uma necessidade intensa de se destacar e de mostrar que era superior aos colegas”.

“Em princípio, gosta-se de ensinar bons alunos, mas a atitude de Cláudio era desconfortável, frequentemente se envolvendo em disputas com colegas que ele considerava menos brilhantes (que provavelmente não eram – mas eram seus colegas e tinham todo direito de estar ali). Essas disputas eram completamente desnecessárias, não contribuíam para a aula e fizeram com que a lembrança de lecionar para Cláudio não seja das melhores (ao contrário de muitos outros alunos da mesma turma)”, continuou.

Filipe Moura mencionou que manteve “contato com Cláudio por três anos”, acrescentando que acompanhou “o restante de seu percurso no Técnico e o início de seu doutorado na Brown”, tendo trocado “muitos e-mails naquela época”.

“Percebi que ele mantinha a mesma postura – que me relatava – de criar conflitos desnecessários com colegas de doutorado nas aulas, que novamente considerava inferiores ao seu nível – e que talvez fossem mesmo. Tentei convencê-lo de que isso era apenas uma fase inicial, um choque cultural, e que o doutorado era uma excelente oportunidade que ele não deveria desperdiçar, e que quando começasse a fazer pesquisa e finalizasse a fase curricular, provavelmente iria gostar. Não surtiu efeito”, explicou.

E acrescentou: “Cláudio achava que nada daquilo valia a pena, que era perda de tempo e que os outros eram incapazes. Ele desistiu do doutorado após um ano. Essas foram as últimas notícias que tive sobre ele. Depois, concluí meu doutorado e perdemos contato, e a última vez que soube de Cláudio, ele tinha retornado a Portugal e trabalhava como informático no portal SAPO. Não soube mais dele até hoje. Nunca esperei que ele pudesse fazer algo desse tipo”.

Entretanto, alguns comentadores não concordam com a descrição do ex-aluno, afirmando que, apesar de Cláudio Valente poder ser “arrogante”, se comportava de maneira semelhante a muitos outros alunos brilhantes, sem exibir um comportamento antissocial.

“Cláudio? Como assim?”

Em uma entrevista ao Diário de Notícias (DN), uma ex-colega de Cláudio Neves Valente relatou que, ao ver as notícias, não o associou imediatamente. No entanto, foi através de um grupo no WhatsApp que alguém comentou: “Vocês viram o Cláudio?”

“Ficamos todos em choque, a reação geral foi: ‘Fónix, o Cláudio? Como assim?”, comentou.

A ex-colega, que preferiu não revelar seu nome verdadeiro, afirmou que tinha grande apreço por Cláudio e trabalhou com ele “duas vezes, a primeira a partir de 2001, por uns cinco ou seis anos, e depois novamente mais tarde”, explicando que Valente atuava como developer, escrevendo códigos para programar os serviços do SAPO.

“Ele era absolutamente brilhante, com uma inteligência excepcional, mas muito amigável e extraordinariamente acessível. Tinha muita paciência e explicava bem. Era uma pessoa maravilhosa. Um doce, realmente. E todos que conviveram com ele no SAPO dizem isso, que ele era acessível e simpático.”, acrescentou, ressaltando que Cláudio tinha um “excelente senso de humor”, porém era bastante reservado sobre sua vida pessoal.

Valente não tinha relacionamento com os pais

Segundo a mídia local, Cláudio Neves Valente era filho único e provinha de uma família de classe média do Entroncamento. O acusado havia rompido laços com os pais ao ir estudar na Brown.

Além disso, foi apenas na última sexta-feira, dia em que a identidade do suposto assassino de Nuno Loureiro foi divulgada, que a mãe teve notícias do filho.

Importante destacar que, após sua passagem pela Universidade Brown e a desistência do doutorado, pouco se sabe sobre a vida de Cláudio Valente. Sabe-se que trabalhou na SAPO e que, em 2017, conseguiu o status de residente permanente nos Estados Unidos, tendo sua residência registrada em Miami. O que se sucedeu a partir desse ponto é um mistério.

Autoridades localizaram Valente ‘ajudadas’ por postagem no Reddit

Foi por meio de uma postagem no Reddit que as autoridades conseguiram identificar Cláudio Manuel Neves Valente. Essa publicação fazia referência a um Nissan cinza com placas da Flórida, que Valente estaria dirigindo.

Recentemente se descobriu que essa postagem foi feita por um sem-teto, conhecido apenas como “John”. Este indivíduo estava pernoitando próximo ao edifício de Engenharia da Universidade Brown.

Conforme o New York Post, o sem-teto está sob “proteção” das autoridades e hospedado em um hotel, podendo até receber uma recompensa de 50 mil dólares por sua ajuda na investigação.

John e Cláudio Valente se encontraram em um banheiro do edifício de Engenharia horas antes do tiroteio. O sem-teto notou que as roupas que o português usava eram “inadequadas para o clima”.

Mais tarde, “John” viu novamente Valente e o questionou: “Seu carro está ali atrás, por que você está perambulando pelo quarteirão?”. O português teria respondido: “Não te conheço. Por que está me importunando?”.

Vale mencionar que “John” reconheceu a imagem do suspeito, que haviam sido divulgadas pelas autoridades, e postou no Reddit sugerindo que a polícia investigasse um Nissan cinza com a matrícula da Flórida.

Cláudio Valente foi encontrado sem vida

De acordo com os resultados da autópsia, Cláudio Neves Valente, o português de 48 anos, morreu de um tiro na cabeça e o caso foi considerado suicídio. “Com base nos resultados dos exames e nas informações investigativas disponíveis até o momento, estima-se que o Sr. Neves Valente tenha falecido em 16 de dezembro de 2025” – um dia após, supostamente, ter baleado Nuno Loureiro, que também veio a falecer na terça-feira.

Cláudio Valente foi encontrado sem vida na quinta-feira, 18 de dezembro, em um armazém em Salem, New Hampshire. Naquela ocasião, as autoridades já suspeitavam que o português havia cometido suicídio.

Cláudio Neves Valente, o homem suspeito de ter assassinado dois estudantes da Universidade de Brown e Nuno Loureiro, cometeu suicídio com um tiro na cabeça um dia após disparar contra o português com quem tinha estudado.

Carolina Pereira Soares | 22:29 – 19/12/2025

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