61% dos CEOs acreditam que os Conselhos de Administração estão a acelerar a adoção de IA demasiado depressa
Um recente estudo conduzido com 625 executivos de empresas que geram 100 milhões de dólares em receita anual sugere que os Conselhos de Administração tendem a favorecer a rápida implementação da inteligência artificial (IA), enquanto os CEOs adotam uma postura mais cautelosa.
Segundo uma pesquisa do Boston Consulting Group (BCG), 61% dos CEOs acreditam que os Conselhos de Administração estão acelerando a adoção da IA. Embora haja consenso sobre a relevância da tecnologia, os dois grupos divergem em relação à velocidade da implementação e à prontidão das empresas para obter resultados tangíveis.
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Os dados apresentados indicam que fatores como a falta de conhecimento sobre a tecnologia e o fenômeno do FOMO (Fear Of Missing Out, ou o medo de ficar para trás, em português) podem influenciar essa dinâmica.
Os membros da Administração que demonstram insegurança em relação ao seu conhecimento sobre IA são frequentemente os que percebem sua empresa como progredindo lentamente.
Apesar de 75% dos administradores acreditarem que seus conhecimentos sobre IA estão em paridade ou acima de seus colegas, os CEOs têm uma visão contrária. Quase 40% dos diretores executivos opinam que os membros da administração não compreendem plenamente o impacto da IA nas estratégias de crescimento, e um terço considera que eles subestimam as competências humanas que a tecnologia pode substituir.
Trabalho
Estudo revela que a substituição de pessoas por IA não está rendendo os resultados esperados
Segundo uma pesquisa da Gartner envolvendo 350 executivos globais, 80% das empresas que implementaram IA autônoma reduziram seus quadros de colaboradores, mas essas reduções não têm produzido os retornos esperados.
O estudo mostra que mais da metade dos CEOs acredita que os Conselhos de Administração precisam entender melhor a diferença entre o entusiasmo gerado pela IA e sua aplicação prática.
Enquanto os membros da administração apontam que os CEOs devem comunicar de forma mais clara e consistente a estratégia de IA de suas organizações, as altas lideranças se sentem cada vez mais pressionadas a demonstrar resultados práticos em relação à tecnologia.
Os dados indicam que os CEOs acreditam que 35% de sua avaliação de desempenho depende do retorno sobre investimento em IA, em comparação com 27% dos administradores, evidenciando um descompasso entre expectativas e responsabilidade formal.
Apesar das diferenças, o estudo revela que tanto os CEOs quanto os Conselhos de Administração concordam na importância de aumentar a alfabetização em IA nos altos cargos, com cerca de 80% de ambos os grupos acreditando que candidatos a administradores devem ter uma compreensão clara do impacto da tecnologia em seu setor.
“Os conselhos de administração sentem-se confiantes em relação à IA, mas os CEOs não confiam na capacidade de seus conselhos”, afirma José Koch Ferreira, Managing Director & Partner da BCG Lisboa, em comunicado. “É essa lacuna de percepção, e não de tecnologia, que vai determinar quais organizações liderarão na era da IA e quais enfrentarão muitos desafios no caminho”, conclui.
