7.500 clientes sem serviços de rede fixa quatro meses após tempestades
Apesar do restabelecimento dos serviços de comunicações móveis, os impactos das tempestades ainda são visíveis nas redes fixas. Com base em informações da ANACOM, o ministro das Infraestruturas e Habitação declarou que “a recuperação da rede fixa é morosa”.
Quase quatro meses após o “comboio” de tempestades que atingiu Portugal, 7.500 clientes ainda estão sem serviços fixos de telecomunicações, conforme dados apresentados por Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e Habitação, durante uma audição regimental na Assembleia da República nesta quarta-feira.
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Com base em dados da ANACOM, o ministro ressaltou que, apesar do progresso nas comunicações móveis, “a recuperação da rede fixa é morosa, pois os operadores necessitam reconstruir grande parte dessa rede, frequentemente em locais de difícil acesso”, conforme reporta o Diário de Notícias.
Em março, dados divulgados pela ANACOM mostravam que havia 29 mil clientes sem acesso a serviços fixos de telecomunicações, número que caiu para 20 mil em abril.
Tempestades
Três meses após as tempestades, 20 mil clientes ainda sem rede fixa. ANACOM contabiliza 1.200 reclamações
Três meses após a passagem do “comboio” de tempestades por Portugal, os efeitos ainda são sentidos nas telecomunicações. As dificuldades nas redes fixas têm retardado a total recuperação dos serviços, com milhares de pessoas sem acesso, segundo a ANACOM.
Na época, a ANACOM destacou, em declarações à Lusa, que a tempestade Kristin provocou um forte impacto no setor das comunicações, resultando em uma “destruição massiva de infraestruturas”, especialmente nos fios aéreos de fibra ótica e nas torres de suporte de antenas.
O regulador informou que a passagem da tempestade destruiu mais de 200.000 acessos fixos e afetou 300.000 usuários da rede móvel. Apesar dos esforços conjuntos, as operadoras já reconheceram continuar a enfrentar várias dificuldades que vêm atrasando a recuperação das redes fixas.
Embora a rede móvel já tenha sido restabelecida em abril, “a recuperação da rede fixa será mais demorada”, alertou a ANACOM, enfatizando a necessidade de reconstruir uma parte significativa da rede. “Poderá demorar semanas até alcançar uma recuperação total”, avisa.
Vale lembrar que, também em abril, o Governo apresentou a versão final do programa Portugal Transformaçãao, Recuperação e Resiliência (PTRR), um ano após o apagão elétrico que impactou a Península Ibérica, bem como três meses após as tempestades.
O programa inclui iniciativas como “a provisão a todas as juntas de freguesia de meios de comunicação robustos para funcionarem em qualquer situação, mesmo em cenários de catástrofe”, conforme anunciou Luís Montenegro durante a apresentação do PTRR.

PTRR
Reforço das comunicações de emergência confirmado com Starlink e telefones de satélite nas juntas de freguesia
O programa, que possui um orçamento total de 22,6 milhões de euros, inclui medidas já anunciadas para o fortalecimento das telecomunicações em situações de emergência.
Para a iniciativa, que recebeu o nome de “Freguesias Ligadas”, está prevista a distribuição de “telefones SIRESP, telefones por satélite e conexões de dados através de satélites Starlink”, conforme mencionado pelo Primeiro-Ministro, que destacou que esse é um objetivo para este ano.
Adicionalmente, outras estratégias incluem “o fortalecimento da capacidade das emissoras de rádio para atuarem como um meio de comunicação em crises” e a “compartilhamento temporário de infraestruturas entre operadores de telecomunicações e o roaming para mitigar interrupções de serviços sempre que necessário”.
O projeto totaliza um orçamento global de 22,6 milhões de euros, que inclui recursos públicos nacionais (37%), financiamento privado (34%) e fundos da União Europeia (19%).
Conforme as informações disponibilizadas no plano do PTRR, a medida “Freguesias Ligadas” conta com um investimento estimado em 46 milhões de euros. O fortalecimento do sistema nacional de comunicação de emergência é outra das medidas planejadas, com um investimento de 29 milhões.
