75% das Instituições Financeiras Usam IA: Desafios da Falta de Regras para a Tecnologia
Dados de uma pesquisa recente revelam que o setor financeiro está incorporando sistemas de inteligência artificial a um ritmo mais acelerado do que é capaz de estabelecer regras e mecanismos de controle apropriados, especialmente considerando que essa tecnologia já é utilizada em funções fundamentais, como gestão de riscos, conformidade e decisões estratégicas.
Segundo um novo estudo, aproximadamente 75% das instituições financeiras estão utilizando IA. No entanto, o setor ainda enfrenta dificuldades para gerenciá-la de forma eficiente, resultando em uma crescente lacuna entre a adoção tecnológica e a supervisão.
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No estudo, conduzido pela Zango AI, foram entrevistados 27 membros da alta administração e líderes seniores nas áreas de risco, conformidade e governança da IA em instituições financeiras do Reino Unido e da Europa, além de mais de 60 profissionais seniores.
Embora existam normas regulatórias, tanto no Reino Unido quanto na União Europeia, como é o caso do AI Act, o estudo conclui que há uma falta de uma “camada” intermediária que transforme esses princípios em orientações práticas, acessíveis para aplicação, auditoria e escalar.
Adicionalmente, muitos dos modelos de governança atualmente em vigor foram desenvolvidos para sistemas mais previsíveis e estatísticos, o que apresenta limitações quando são aplicados a sistemas adaptativos e cada vez mais autônomos.
Por outro lado, essas limitações já estão sendo exploradas por organizações criminosas. As perdas associadas a fraudes devem ter atingido 579 milhões de dólares até 2025, com 90% dos profissionais do setor financeiro relatando um aumento nos ataques que utilizam IA.
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Em declarações à imprensa, Ritesh Singhania, CEO e cofundador da Zango AI, destacou que “o setor financeiro enfrenta atualmente um ‘déficit de governança’, no qual a velocidade da inovação em IA ultrapassa a capacidade da supervisão.”
“Sem um padrão operacional unificado, estamos, sem perceber, criando vulnerabilidades sistêmicas no núcleo de nossa infraestrutura financeira. Precisamos ir além de princípios abstratos e avançar para um guia prático, conduzido pela indústria, que assegure que a segurança não seja comprometida em nome da agilidade”, defende.
O relatório identifica duas principais lacunas nas instituições financeiras: falta de competências técnicas nas equipes de risco e compliance; e ausência de normas setoriais que traduzam exigências regulatórias em processos concretos.
A ausência de uma governança eficaz da IA pode representar um risco sistêmico, alertam os especialistas. A capacidade da tecnologia de escalar decisões automaticamente pode intensificar erros, vieses ou falhas de controle em uma velocidade sem precedentes.
<pNesse contexto, o estudo sugere que o próprio setor financeiro desenvolva normas comuns para a IA, em colaboração com entidades reguladoras.
Nos Estados Unidos, esse movimento já se iniciou com o lançamento do Framework de Gestão de Risco em IA para Serviços Financeiros, criado por mais de cem instituições financeiras em parceria com autoridades públicas. Até o momento, não há uma iniciativa semelhante no Reino Unido ou na União Europeia.
Nota da redação: A informação foi atualizada com dados adicionais. (Última atualização: 11h17)
