Médico condenado por pornografia infantil na Suécia atua em Portugal

Médico condenado por pornografia infantil na Suécia atua em Portugal

Um psiquiatra português que foi condenado na Suécia pelo crime agravado de pornografia infantil está atualmente a exercer a sua atividade em Estremoz, no distrito de Évora. Apesar de haver uma notificação contra ele no Sistema de Informação do Mercado Interno (IMI) desde junho do ano passado, a Ordem dos Médicos (OM) não tinha conhecimento deste alerta.

A informação foi divulgada na quinta-feira pelo Expresso, que relatou que o médico, de 70 anos e identificado como José Afreixo, retornou a Portugal após ser condenado a seis meses de prisão. Quando contactado pela publicação, o médico declarou que não desejava comentar e que havia realizado a sua formação em Portugal.

A condenação é datada de 2023, mas não foi cumprida na íntegra, uma vez que o tribunal sueco acatou um recurso apresentado pelo médico. Segundo relata o semanário, José Afreixo afirmou ter pouco tempo de vida devido a um câncer e que também enfrentava “problemas sérios de memória” resultantes de um AVC.

Em junho de 2024, um ano após a sentença e ainda sem ter cumprido a totalidade da pena, lhe foi revogada a licença para atuar na Suécia.

Caso com uma década. Médico reconheceu ter pornografia infantil (e mais)

Conforme explicado na publicação, o médico foi interrogado sobre este assunto em 2025, momento em que admitiu às autoridades ter em sua posse material de pornografia infantil. O psiquiatra confessou também que tinha uma preferência sexual “por meninas antes da puberdade” e que compartilhava esses interesses e comportamentos em fóruns online. Segundo informações do Expresso, José Afreixo declarou ainda que “não tinha problemas com a sua sexualidade e que não precisava de apoio médico”.

A investigação revelou um grande número de vídeos e filmes “com descrições de abusos sexuais reais contra crianças, especialmente as mais novas, submetidas a coerção e exploração de maneira cruel”. As imagens eram “particularmente explícitas”, incluindo a violação de um menor.

Um caso (desconhecido pela Ordem) entre mais de 500 notificações

Dada a gravidade da situação, o crime foi agravado e as autoridades informaram o IMI assim que a licença do médico na Suécia foi revogada. No entanto, escreve o Expresso, essa informação não chegou a ser lida pelas entidades responsáveis em Portugal, e este caso não é único.

Segundo informações do Organized Crime and Corruption Reporting Project, um consórcio internacional de jornalistas com o qual colabora o Expresso, as autoridades portuguesas não leram mais de 500 alertas sobre médicos que foram enviados para o sistema, tanto este ano quanto no ano anterior. Entre essas mais de 500 notificações devido a “razões significativas” está a que envolve Afreixo, conforme reporta a agência sueca Siren.

O Expresso entrou em contato com a OM, que confirmou não ter conhecimento do caso, garantindo que “nada chegou até nós”. De acordo com a Ordem, cabe aos serviços jurídicos acessar e registrar informações no IMI.

No geral, em relação à falta de leitura desses avisos de 2024, a OM nega essa informação: “Não corresponde à verdade. Além disso, a Ordem emitirá vários alertas na próxima semana”.

Quais serão as consequências para o psiquiatra?

O Conselho Disciplinar Regional do Sul (CDRS) informou ao Expresso não existir “uma norma específica que obrigue a OM a conhecer sanções judiciais ocorridas no exterior”.

“Contudo, o dever de comunicação por parte do médico é crucial, já que tais sanções podem impactar sua idoneidade profissional e o cumprimento das obrigações deontológicas”, detalha o CDRS.

O médico não cumpriu com essa obrigação de informar, o que, segundo o CDRS, “pode resultar em sanções disciplinares pela OM”. A Ordem esclarece que decisões judiciais ou disciplinares em outros países não têm “efeito automático” em Portugal, significando que “um médico condenado em outro país não é automaticamente impedido de exercer a medicina em Portugal”.

A OM assegura que “em respeito ao dever de confidencialidade legalmente estabelecido” e enquanto existirem queixas ou processos em andamento, há um impedimento para divulgar informações públicas.

Leia Também: Amadora-Sintra abre inquérito a alegado abuso sexual de doente internada

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