Carla Lourenço: A Biologia Marinha nas Redes Sociais e a Conexão com o Mundo Natural
Através das redes sociais, da televisão e do seu primeiro livro, Carla Lourenço tem construído uma trajetória focada na biologia marinha e na divulgação científica. Nesta entrevista ao TEK Notícias, ela compartilha como essas áreas se interconectam em sua vida cotidiana.
Carla Lourenço é uma bióloga marinha e divulgadora científica que no Instagram traz o público mais próximo do mundo natural, apresentando vídeos sobre biodiversidade, conservação e a vida no mar. Este é um projeto pessoal que conecta com sua atuação mais institucional na Coral Research & Development Accelerator Platform (CORDAP) desde 2023.
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“Cresci em uma vila de pescadores no sudoeste alentejano, por isso minha infância e juventude foram sempre ao lado do mar”, compartilha em entrevista ao TEK Notícias. Seu interesse pela vida marinha e pela natureza se manifestou cedo, embora ela admita que não era uma criança que declarava o desejo de ser bióloga marinha.
Na adolescência, considerou outras áreas, como engenharia ambiental, química e até teatro, antes de perceber que o caminho que realmente fazia sentido unia suas maiores paixões: o mar e a biologia marinha.
Carla seguiu essa direção na universidade e, posteriormente, avançou para a pesquisa, iniciando pelo mestrado e depois pelo doutorado, durante um período em que começou a entender a relevância de comunicar ciência fora do ambiente acadêmico.
Um dos momentos em que ela se deu conta dessa importância ocorreu em 2015, quando um vídeo de uma tartaruga marinha com uma palhinha enroscada no nariz se tornou viral na internet.
“Se eu sou bióloga marinha, já tenho a licenciatura, estou no mestrado e no doutoramento, e às vezes não percebo tudo isso, como posso querer que as outras pessoas saibam o que está acontecendo?”
A partir desse momento, a comunicação científica começou a ocupar um espaço cada vez maior em sua trajetória. Em 2016, ela criou um projeto de divulgação científica e conscientização ambiental, através de limpezas de praia no Algarve, palestras e atividades em escolas.
Posteriormente, já longe da pesquisa acadêmica, passou pelo Pavilhão do Conhecimento, onde trabalhou em programação científica e projetos voltados à literacia do oceano, antes de se dedicar à criação de conteúdos sobre ciência e biodiversidade.
Divulgação científica nas redes sociais
Encontrar o equilíbrio entre rigor científico e formatos cada vez mais curtos é um desafio para quem atua na comunicação científica nas mídias sociais. “Na ciência, existe esse desafio de transmitir uma mensagem de maneira atraente, sem comprometer a precisão”, explica. Além da curta duração dos vídeos, existe o desafio de capturar a atenção do público.
Diante dessas dinâmicas, Carla adota uma abordagem que visa simplificar as informações sem abrir mão da precisão científica. “A estratégia é ter uma mensagem clara sobre o que realmente queremos transmitir”, ressalta.
Frequentemente, os vídeos atuam como uma porta de entrada para questões mais complexas, que ela desenvolve posteriormente nas descrições ou nas respostas às perguntas dos seguidores.
A rapidez na circulação de informações online trouxe novos desafios à comunicação científica, principalmente em tempos em que a desinformação se propaga com facilidade. Para a criadora de conteúdo, uma forma de enfrentar esse problema é reconhecer os limites do próprio conhecimento.
“Eu tento focar e tenho me concentrado cada vez mais na minha área de estudo e na minha especialização”
A autonomia que ela possui em seus projetos pessoais é algo que considera essencial para trabalhar no seu próprio ritmo, sem a pressão constante de publicar. Essa relação mais orgânica com as plataformas também abriu portas para novas colaborações com outros criadores.
Dentre essas colaborações, Carla destaca seu trabalho com o linguista Marco Neves, com quem já havia trabalhado na revisão científica para a editora Raíz, que surgiu de forma natural.
Como ela revela, a experiência tem sido enriquecedora, não apenas pela troca de conteúdo com diferentes públicos, o que amplia o alcance da ciência, mas também pelo impacto que a colaboração trouxe para seu crescimento digital.
Ao longo do caminho, Carla tem conhecido outras personalidades na comunicação científica, como Joana Wilton, do projeto Prima Tás de Bata, com quem troca experiências e feedback, formando uma rede de apoio mútua.
Além do espaço online, as oportunidades de comunicar ciência também incluem outros meios, como a participação no programa Intercidades no canal Conta Lá, e mais recentemente, o lançamento de seu primeiro livro intitulado “Isto não é…”, que estará disponível nas livrarias em breve.
No entanto, apesar dos novos projetos, a criação de conteúdos continua a ser uma parte essencial de sua vida, uma extensão de sua criatividade que nem sempre consegue explorar no contexto institucional, mas também para “continuar a conectar as pessoas com o meio natural”.
“Há uma distância muito grande entre nós humanos e a natureza (…) eu acredito que é necessário fomentar essa proximidade desde a infância”
Para Carla Lourenço, o futuro é incerto. “Não sei exatamente o que virá a seguir, pois tudo tem sido tão orgânico e inusitado”, admite, embora esteja “aberta ao que está por vir” e, acima de tudo, ao que realmente ama fazer. “Enquanto for algo que eu faço por paixão, estarei aqui”, conclui.
