Aumento no Número de Sem
De acordo com o Inquérito sobre a Caracterização das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, até 31 de dezembro de 2024, o perfil típico de um sem-abrigo no continente é de um homem português, solteiro e com um nível educacional baixo.
O relatório faz uma distinção entre as pessoas sem-teto, que vivem nas ruas, e as pessoas sem-casa, que estão alojadas em locais como centros de acolhimento temporário.
Ao todo, 9.403 indivíduos eram considerados sem-teto, enquanto 5.073 eram sem-casa.
As regiões de Lisboa, Alentejo e Norte eram as que apresentavam maior concentração de sem-abrigo, destacando-se no Alentejo interior e no Algarve um número significativo de pessoas sem-teto.
Conforme os dados divulgados, em 31 de dezembro do ano passado, os concelhos com maior número de sem-abrigo por mil habitantes eram Monforte (87), Mourão (68), Moura (47) e Avis (33). Contudo, a área metropolitana de Lisboa registrou o maior número de casais sem-teto ou sem-casa.
Em termos de concelhos, Lisboa era, de longe, o que apresentava o maior número de sem-abrigo, totalizando 3.122. A seguir, estavam Moura (634), Porto (553), Aveiro (488) e Beja (369). Entre os 20 concelhos pesquisados, Braga possuía o menor número de sem-abrigo, com 174.
O inquérito revela que a figura típica de um sem-abrigo é um homem, com idades entre 45 e 64 anos, solteiro, português, com escolaridade baixa e dependendo do rendimento social de inserção. A principal causa dessa condição está associada ao desemprego ou à precariedade laboral.
Em termos estatísticos, 68% dos sem-abrigo no continente eram homens, sendo o Alentejo a região com a maior proporção de mulheres sem-abrigo (46%). Na área metropolitana de Lisboa, as mulheres representavam apenas 22%.
Em relação às idades, o “retrato” do continente mostra uma porcentagem alta de sem-abrigo jovens no Alentejo, com 46%, enquanto a média nacional é de apenas 21%. Na Área Metropolitana de Lisboa, a maior parte dos sem-abrigo eram solteiros (60%), comparado a 55% no Alentejo.
Em termos de origem, a Área Metropolitana de Lisboa é a que possui o maior número de sem-abrigo oriundos de países africanos de língua portuguesa, representando 23%, enquanto que, de forma reduzida (4%), o Algarve tem o maior número de sem-abrigo da União Europeia.
Quanto à escolaridade, na média nacional, a maioria dos sem-abrigo possui apenas o ensino básico – 2.º ou 3.º ciclo. O Alentejo se destaca com 36% de sem-abrigo que não completaram qualquer nível de escolaridade. Por outro lado, na Área Metropolitana de Lisboa, apenas 4% dos sem-abrigo possuem ensino superior.
Os dados também indicam que, no ano anterior, 1.345 pessoas deixaram a condição de sem-abrigo e conseguiram uma habitação permanente, a maioria nas regiões Norte e Centro. Barcelos foi o concelho com mais pessoas que conseguiram deixar de ser sem-abrigo, seguido por Faro, Loures e Braga.
No ano passado, os dados apontavam que em 2023 o número de pessoas em situação de sem-abrigo havia alcançado 13.128, representando um aumento de 23% em relação ao ano anterior.
O Inquérito de Caracterização das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo – referente a 31 de dezembro de 2024 – é parte de um conjunto de iniciativas previstas na Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA 2017-2023), prorrogada até 31 de dezembro de 2024.
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