Proibição de aplicativos de IA que criam imagens sexualizadas recebe "luz verde" do Parlamento Europeu

Proibição de aplicativos de IA que criam imagens sexualizadas recebe luz verde do Parlamento Europeu

O Parlamento Europeu ratificou hoje modificações ao regulamento da inteligência artificial da União Europeia com 423 votos a favor. A proibição de ferramentas de IA que criam imagens sexuais sem consentimento ainda depende da aprovação formal do Conselho da UE para seguir em frente.

Hoje pela manhã, em sessão plenária, o Parlamento Europeu aprovou um conjunto de modificações ao AI Act, que regula a inteligência artificial na Europa. A proposta de alteração foi aprovada com 423 votos a favor, 57 contra e 174 abstenções. Essa votação, parte do sétimo pacote destinado à simplificação da Comissão Europeia, visa reduzir as obrigações regulatórias para as empresas e aumentar as proteções contra usos abusivos da IA.

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Entre as modificações aprovadas, a que possui impacto social mais imediato é a proibição das chamadas “nudifier apps”. Esse termo refere-se a ferramentas de IA capazes de criar ou manipular imagens, vídeos e áudio que retratam partes íntimas de pessoas identificáveis ou atividades de natureza sexual explícita, sem a autorização da pessoa envolvida.

A proibição também inclui a criação de material sexualmente abusivo envolvendo menores através de IA. As plataformas que oferecem esse tipo de aplicação têm até 2 de dezembro de 2026 para implementar medidas que as tornem conformes às novas diretrizes. Após essa data, as aplicações que não estiverem em conformidade estarão sujeitas a banimento do mercado europeu.

O eurodeputado irlandês Michael McNamara, do partido Renovar a Europa, comentou que essas aplicações “afetam pessoas reais, principalmente mulheres, com a intenção de humilhá-las, degradá-las e objetificá-las”, considerando a proibição uma conquista para a dignidade da pessoa humana.

Prazos maiores para adaptação das empresas

No que diz respeito à simplificação, o pacote aprovado estende alguns prazos do AI Act, oferecendo mais tempo e segurança jurídica às empresas. Os sistemas de IA de alto risco que operam de forma autônoma só precisam cumprir as normas a partir de 2 de dezembro de 2027. Enquanto isso, sistemas que são integrados como componentes de segurança em dispositivos já regulamentados por leis setoriais na Europa terão até 2 de agosto de 2028.

A obrigação de rotulação em formato legível por máquina para conteúdo gerado por IA é adiada para 2 de dezembro de 2026, coincidindo com o prazo das “nudifier apps”. É importante lembrar que essa medida já havia sido aprovada pela Comissão Europeia para entrar em vigor a partir de 2 de agosto.

O pacote também simplifica as exigências para máquinas industriais com componentes de IA, esclarecendo a definição de “componente de segurança”. Com isso, evita-se que sistemas meramente auxiliares sejam considerados de alto risco, estendendo isenções já previstas para pequenas e médias empresas.

Cabe lembrar que o Parlamento Europeu e o Conselho da UE já tinham concordado em proibir esse tipo de plataformas após a polêmica com o Grok. Para que as novas regras entrem em vigor, é necessária a aprovação formal do Conselho da UE. Fora essas modificações, a maior parte das diretrizes do AI Act manterá a data de 2 de agosto para sua implementação.

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