L'Oréal olha para o futuro da beleza com IA, gémeos digitais e parcerias com gigantes tecnológicas

O Futuro da Beleza: Como Ouvir as Necessidades da Pele Antes de Agir

A indústria da beleza está a passar por uma transformação rumo a um modelo mais preditivo, focando na capacidade de antecipar as necessidades da pele através da análise de dados, diagnóstico e inteligência artificial. Em conversa com o TEK Notícias, Guive Balooch explica como esta evolução afeta o desenvolvimento de novos produtos e a interação com os consumidores.

O setor da beleza também está a integrar a tecnologia e, à medida que as soluções fundamentadas em IA e na ciência dos dados ganham importância crescente, Guive Balooch, vice-presidente global para tecnologia e inovação da L’Oréal, afirma que existem “dois caminhos principais para a evolução”.

Em entrevista ao TEK Notícias, o executivo detalha que o primeiro caminho para a transformação da beleza envolve investigação, um campo onde as colaborações com empresas tecnológicas desempenham um papel muito relevante.

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A colaboração que temos com a NVIDIA e a IBM, utilizando IA para acelerar a inovação dos nossos cientistas, é uma tendência significativa, ressalta, referindo também a tecnologia de gêmeos digitais, que permite “testar milhares de produtos em variados tipos de pele e cabelo através de modelos preditivos”.

Conforme mencionado anteriormente por Barbara Lavernos, Chief Executive Officer adjunta responsável pela pesquisa, inovação e tecnologia da L’Oréal, o trabalho em conjunto com essas duas grandes empresas de tecnologia está a acelerar a descoberta de novos ingredientes, assim como o desenvolvimento de modelos dedicados às fórmulas dos produtos.

Guive Balooch, Diretor Geral da L’Oréal

Além do setor de I&D, Guive Balooch acredita que a convergência entre microeletrônica e IA terá um impacto profundo na indústria da beleza. “O meu sonho é algo como no filme O Quinto Elemento, onde os óculos fazem automaticamente a maquiagem da Leeloo”, compartilha.

Segundo o executivo, “a ideia de que nossas mãos não se limitarão a alcançar os resultados desejados pode se tornar uma realidade muito em breve”, o que representará “um momento crucial para a beleza”.

A beleza é sinônimo de confiança, autoexpressão e bem-estar, e estou convencido de que a robótica, a microeletrônica e a IA irão transformar isso profundamente.

Mudanças rumo a uma beleza mais intuitiva e proativa

Enquanto a tecnologia redefine como a L’Oréal desenvolve novos produtos, ela também está alterando a forma como os consumidores fazem suas escolhas. Para Guive Balooch, o futuro da beleza se dirige a uma experiência mais intuitiva, suportada por diagnósticos cada vez mais precisos e recomendações personalizadas.

“90% das mulheres sentem frustrações sobre quais cuidados para a pele são verdadeiramente adequados para elas”, observa. “Essa frustração surge do fato de termos sido excessivamente reativos em relação aos cuidados da pele, em vez de proativos”.

Nesse contexto, a aposta se orienta cada vez mais para aquilo que é descrito como “beleza intuitiva”, uma abordagem fundamentada em recomendações respaldadas por dados científicos. “O objetivo é proporcionar um diagnóstico personalizado para que cada pessoa encontre o produto ideal”, elucida.

Com a IA emergindo como uma das principais tendências na tecnologia, e com assistentes virtuais proliferando, Guive Balooch acredita que, no universo da beleza e cosméticos, o foco deve ser a capacidade de aprimorar a orientação aos consumidores.

Para ele, o verdadeiro intuito da tecnologia deve ser ajudar as pessoas a navegar por um ecossistema de informações cada vez mais complexo. O desafio aqui reside em centralizar essa informação de maneira rigorosa, oferecendo recomendações que evoluam continuamente e sejam fundamentadas por conhecimento científico.

“Fornecer melhores orientações às pessoas não é uma tendência: é uma necessidade constante no setor da beleza”, argumenta. No entanto, o executivo acredita que os avanços recentes em IA, e especialmente nos grandes modelos de linguagem (LLMs), têm potencial para tornar esse processo mais acessível e eficiente.

As soluções diagnósticas para cuidados da pele, incluindo sistemas como o Lancôme Skin Screen, que utiliza IA e tecnologia de luz polarizada para diagnosticar múltiplos sinais clínicos, ou o Cell BioPrint, que analisa o envelhecimento da pele e estratégias para retardar este processo, são pilares essenciais na estratégia da L’Oréal, focada na longevidade.

Para Guive Balooch, a próxima grande meta nesse âmbito não só inclui diagnósticos mais sofisticados, mas também envolve prever continuamente o comportamento da pele ao longo do tempo.

Mas quão próximo estaremos de um futuro em que produtos e soluções tecnológicas na beleza possam se adaptar a dados em tempo real? “Acredito que estamos muito próximos disso”, assegura o executivo, antevendo um horizonte de três a quatro anos.

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