Associações acolhem 500 sem

Associações acolhem 500 sem

Em 2024, 55 indivíduos ingressaram no mercado de trabalho: seis graças à Comunidade Vida e Paz, 39 pela CRESCER e 10 pela Orientar. No ano anterior, foram 587 as pessoas que receberam alojamento: 569 através da Comunidade Vida e Paz, 15 pela CRESCER (no âmbito do projeto “É UMA CASA”) e três da Orientar.

“Nós ouvimos, [as pessoas em situação de sem-abrigo] não saem da rua porque não querem. Não! Elas não conseguem fazer escolhas adequadas e saudáveis que as ajudem a deixar a situação em que se encontram”, comentou à Lusa Renata Alves, diretora-geral da Comunidade Vida e Paz, em referência ao Dia Internacional da Solidariedade Humana, que se celebra no sábado.

Renata Alves destacou que essas pessoas enfrentam diversas questões, como comportamentos aditivos, alcoolismo, dependência de drogas, problemas de saúde mental, ausência de suporte familiar e social, desemprego e questões legais (como a falta de documentação).

Miguel Meirendes, um beneficiário da Comunidade Vida e Paz, com 48 anos, lembrou à Lusa que, antes de se tornar sem-abrigo, foi vítima de violência doméstica e começou a usar drogas aos 27 anos, passando um ano e meio vivendo nas ruas.

“Usei o cartão como colchão e como cobertor”, contou Miguel Meirendes, ressaltando que foi um voluntário da organização que o incentivou a deixar a rua.

Atualmente, ele reside em um dos apartamentos da organização, trabalha como taxista e está em processo de recuperação das suas dependências.

A Comunidade Vida e Paz fornece abrigo para pessoas em situação de sem-abrigo através de Apartamentos Partilhados de Primeira Linha, de uma Unidade Integrativa para a Pessoa em Situação de Sem-Abrigo e de Comunidades Terapêuticas e de Inserção, dependendo das necessidades dos beneficiários.

A Associação de Intervenção para a Mudança – Orientar – acolhe pessoas provenientes de outras instituições e apoia aquelas que desejam trabalhar para superar a situação de sem-abrigo.

Aquelas que são selecionadas precisam completar as atividades propostas pela Orientar, como procurar emprego, preparar para entrevistas, cozinhar e limpar, sendo que “tudo isto é um exercício de competências para o mercado de trabalho”, segundo Cristina Serra, diretora técnica executiva da associação.

Os beneficiários são alojados na Residência de Transição (para aqueles em situação econômica mais crítica ou que estão iniciando a sua trajetória profissional) e na Residência de Autonomia (para quem já tem emprego estável e precisa se organizar financeiramente para conseguir uma habitação própria).

João Fernandes, um beneficiário da Orientar e técnico de informática de 48 anos, relatou à Lusa que passou uma semana nas ruas após a sua companheira lhe roubar tudo o que possuía.

Sem ninguém a quem recorrer, ele contou: “O meu cartão multibanco desapareceu. Fui ao banco, mas já era tarde. O dinheiro já havia sido transferido para outra conta”.

Atualmente, ele recebe várias propostas de emprego.

A Lusa também entrou em contato com a CRESCER – Associação de Intervenção Comunitária, que prioriza a habitação, conforme explicou o diretor executivo da CRESCER, Américo Nave.

A organização lançou o projeto ‘Housing First’, também conhecido como “É UMA CASA”, que oferece habitações personalizadas para pessoas em situação de sem-abrigo, contando com 140 apartamentos disponíveis para arrendamento.

Brenda Belbuto, uma beneficiária do projeto com 50 anos, contou à Lusa que esteve em situação de sem-abrigo por 20 anos.

A usuária, que participa do projeto há seis anos, mencionou que recebeu uma casa, apoio psicológico e médico, enfatizando que a organização a auxiliou no tratamento de problemas de saúde mental.

O projeto promove ajuda a longo prazo. Algumas pessoas já residem nos apartamentos há 10 anos e, ao conseguirem emprego, passam a contribuir financeiramente para a CRESCER. Em 2025, o projeto conseguiu retirar 22 pessoas das ruas.

A CRESCER também desenvolveu o projeto “É um Restaurante”, que emprega pessoas que estão saindo da situação de sem-abrigo.

Todas as organizações contam com colaboradores que foram beneficiados e agora trabalham nas associações.

Em 2024, foram registradas 3.122 pessoas em situação de sem-abrigo em Lisboa, de acordo com o balanço de 2025 do Núcleo de Planejamento e Intervenção Sem-Abrigo.

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