Consumo de energia dos centros de dados triplicará até 2030, com a China liderando o mercado

Consumo de energia dos centros de dados triplicará até 2030, com a China liderando o mercado

Um estudo realizado pela Global Data aponta que a China está se preparando para ultrapassar os Estados Unidos na competitividade dos centros de dados. Especialistas destacam que a energia se tornará o novo “ouro digital”.

A infraestrutura global de centros de dados está vivendo um momento de crescimento inigualável, impulsionada pela aceleração da computação em nuvem, pela adoção de modelos híbridos e, acima de tudo, pela rápida ascensão da inteligência artificial.

Essa transformação está elevando a demanda por capacidade instalada e por energia a níveis históricos. O acesso à energia se torna um dos pontos cruciais para decisões de investimento e escolha de localizações. Essas são algumas das conclusões e previsões do relatório “Powering Data Centers Market Report” da Global Data.

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De acordo com a pesquisa, o uso de energia nos centros de dados deverá triplicar até 2030, aumentando a uma taxa anual de 21,1%. Esse crescimento está diretamente relacionado ao aumento das workloads de IA, que exigem maiores densidades de energia e grandes agrupamentos de GPUs.

A GlobalData ressalta que um único campus de centros de dados de grande escala pode consumir tanta energia quanto uma cidade pequena, pressionando as redes elétricas em sua capacidade de produção e transmissão e afetando os investimentos em distribuição. O relatório destaca a energia como o principal desafio para a expansão global do setor.

Os Estados Unidos e a China continuam a dominar o mercado, respondendo por 38% e 24,2%, respectivamente, do consumo global de energia em 2024. Porém, essa dinâmica tende a se inverter, uma vez que a China deverá superar os Estados Unidos até 2030, alcançando 30,1% do consumo global, podendo chegar a 33,6% nos anos seguintes.

Em relação à capacidade instalada, a China deve aumentar sua participação de 27% em 2024 para 35% em 2030, se consolidando como o principal motor da expansão global. Ambos os países continuarão representando cerca de 69% da capacidade instalada a nível mundial, o que revela uma notável assimetria geográfica no desenvolvimento dessa infraestrutura crítica.

Fora desses dois gigantes, o restante do mundo deverá manter uma participação relativamente estável de cerca de 31% da capacidade instalada. A região da Ásia-Pacífico se destaca como o bloco mais ágil, impulsionada pela rápida digitalização, adoção de cloud e investimentos constantes em infraestrutura, conforme indicado pelo relatório.

Mercados como Índia, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Rússia têm planos robustos, com projetos em todas as fases, desde o planejamento até a construção. O relatório da GlobalData mapeia projetos ativos e planejados em 34 países, permitindo a identificação de mercados emergentes antes que atinjam a saturação.

O crescimento do setor está sendo moldado por três segmentos principais: os hyperscalers, os operadores de colocação e as empresas com infraestrutura própria. O primeiro grupo inclui AWS, Microsoft Azure, Google Cloud e Meta, que continuam a liderar a expansão do mercado devido à crescente demanda por capacidade de computação e armazenamento.

Os operadores de colocação serão responsáveis por oferecer energia, espaço e interligações prontas para uso, atendendo à demanda de empresas que não desejam ou não podem construir suas próprias infraestruturas.

As políticas públicas também estão alterando o cenário global dos centros de dados. Os Estados Unidos adotaram um decreto para acelerar o licenciamento federal de grandes instalações, facilitando o acesso a financiamento e reduzindo a burocracia.

A China, por sua vez, está estimulando a construção de centros de dados em regiões ocidentais, onde há maior disponibilidade de espaço, energia e fontes renováveis. Enquanto isso, a Índia oferece incentivos fiscais e programas de apoio para atrair investimentos estrangeiros em um esforço para acelerar a expansão do setor.

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