Governo investe 500 milhões para recuperar residências no Ensino Superior

Governo investe 500 milhões para recuperar residências no Ensino Superior

“Estamos a destinar mais de 500 milhões de euros para a recuperação ou edificação de 135 residências. Teremos, no próximo ano letivo, um acréscimo de 11 mil camas em comparação com o que tínhamos antes do PRR [Programa de Recuperação e Resiliência]”, declarou o ministro Fernando Alexandre após uma reunião na Câmara de Sines, localizada no distrito de Setúbal.

Quando questionado pela imprensa sobre a posição das associações de estudantes do ensino superior, que na quarta-feira manifestaram preocupação em relação ao subfinanciamento crónico da ação social, Fernando Alexandre assegurou que este investimento “vai mudar as condições para o alojamento dos estudantes”.

“O desafio que estamos a debater com as instituições é, de fato, como gerirmos estas infraestruturas que devem ser ambientes de bem-estar para os estudantes, locais de integração e promoção do êxito dos estudantes deslocados”, explicou.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, as associações de estudantes do ensino superior reagiram às afirmações do ministro feitas na terça-feira durante a apresentação do novo modelo de ação social para o Ensino Superior.

Na nota, os estudantes de todo o país sustentaram que a degradação das residências resulta do “subfinanciamento crónico da ação social” e da “falta de uma estratégia consistente de investimento, manutenção e valorização” dos edifícios.

Conforme indicado pelo ministro, este investimento de 516 milhões de euros permitirá a criação de “cerca de 19 mil camas”, estando “concluídas cerca de 4.500” camas.

“Todos os meses teremos novas residências a serem inauguradas. É uma grande oportunidade, mas também é um desafio para que as residências sejam geridas de uma maneira diferente” e com condições de recursos distintos daquelas que tiveram nas últimas décadas, de modo que possam ser “espaços de bem-estar e que não se degradem como ocorreu nas últimas décadas com as residências já existentes”, defendeu.

Interpelado se as associações de estudantes poderiam ter um papel ativo na gestão e preservação das residências, o governante afirmou que “têm um papel essencial” nesse contexto.

“A exigência dos estudantes é sempre um alerta, uma convocação para as prioridades das instituições e, portanto, os usuários, que são os estudantes, têm um papel essencial nas residências, assim como em qualquer serviço público”, ressaltou.

Durante a cerimônia de apresentação do novo modelo de ação social para o ensino superior, na terça-feira, Fernando Alexandre argumentou que as residências públicas devem acolher alunos de diversos estratos sociais, pois, do contrário, poderão deteriorar-se mais rapidamente.

As declarações foram classificadas como “preconceituosas e discriminatórias” pelo PS e como “estigmatizantes” pelo Livre, levando a um pedido de audição urgente do ministro na Assembleia da República por parte do PCP.

O movimento Missão Escola Pública (MEP) exigiu um pedido de desculpas aos estudantes em situação de vulnerabilidade, afirmando que as declarações do governante foram injustas e estigmatizantes.

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