José Mourinho revela duas contusões e projeta Gil Vicente x Benfica: A equipe está sólida
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José Mourinho fez a antevisão do Gil Vicente x Benfica na manhã deste domingo e partilhou a sua perspectiva sobre o confronto que ocorrerá na segunda-feira, às 20h15, no Estádio Cidade de Barcelos. O treinador confirmou que Bruma e Sudakov estarão ausentes do encontro:
«O Gil Vicente não há muito a dizer. Está em quinto lugar no campeonato, tem feito um campeonato extraordinário. Penso que há ali um grande trabalho estrutural e o próprio treinador tem potenciado ao máximo as características dos jogadores. Vai ser um jogo difícil pelo adversário, esperemos que seja só difícil pelo adversário. A equipa está bem, não estará ótima porque fomos eliminados da Champions, mas a equipa sabe o que fez e o que deu. Temos algumas lesões, o Bruma teve ontem uma lesão de alguma importância e o Sudakov também estará fora por algum tempo. O facto de ter estado em Madrid era só caso houvesse uma situação de emergência, para além disso está tudo em condições», afirmou o técnico dos encarnados, em resposta à primeira pergunta.
José Mourinho também comentou a polémica em torno do pedido de camisola de Sidny Cabral a Vinícius Júnior:
«Sidny Cabral a pedir camisola ao Vinicius? A camisola não acho que seja criticável, acho que seria evitável. Não criticável porque é uma prática normal e corrente entre jogadores trocarem camisolas, especialmente em jogos grandes, onde os jogadores desejam trocar com aqueles que admiram. Em função do que aconteceu durante a semana, poderia ser evitável».
O treinador português expressou sua tristeza pela falta do banco de suplentes no jogo Real Madrid x Benfica:
«Fora do banco frente ao Real Madrid? Foi algo que me entristeceu, foi frustrante, mas o trabalho foi feito. O facto de ter ficado no autocarro é a minha prática comum. Tinha à minha disposição vários monitores com quatro ângulos diferentes que me permitiram dizer que, no final do jogo, a única coisa que senti falta foi o contato direto, a emoção e a adrenalina. O futuro e as modernices vão acabar por empurrar o treinador principal para uma posição privilegiada e de controle sobre tudo».
José Mourinho foi questionado sobre o penálti controverso no jogo entre FC Porto e Arouca e comentou:
«Penálti FC Porto x Arouca? Não vi o penalti. Tu viste? Por isso é que és um gajo sério e somos amigos há muito tempo».
O treinador do Benfica explicou a sua ausência nas conferências de imprensa do Real Madrid x Benfica:
«Ausência na conferência de imprensa do Real Madrid x Benfica? Não estive na conferência porque é um princípio que tenho desde sempre. Estás impedido de estar com a equipa. O João Tralhão é um treinador como eu. Cada palavra dele é como uma palavra minha. É da mesma maneira que o seu chefe de redação confia em si quando o envia para aqui. É um princípio que eu tenho e todos sabem que sempre tomei a mesma posição quando fui suspenso. Futuro? Tem de perguntar ao presidente Rui Costa. A cláusula é apenas uma forma de facilitar a saída. Na altura, chamei-lhe de cláusula de ética e respeito pelos candidatos às eleições e agora é a cláusula da facilidade. Quanto à classificação, há uma real e outra virtual; se formos aos pontos do que tem acontecido, sabemos que a classificação real seria bem diferente».
José Mourinho, sem hesitar, interrompeu a conferência de imprensa para abordar o racismo:
«Normalmente consigo antecipar o tipo de perguntas que me vai fazer, mas errei estrondosamente. Depois de um tsunami de críticas, queria ter a possibilidade de dizer algo a respeito disso e terei de me antecipar. Eu, enquanto cidadão e enquanto treinador, repudio qualquer tipo de discriminação, preconceito e ignorância. Aconselho veemente a perderem cinco minutos e a lerem a declaração universal dos direitos humanos, que são só 30 pontos, mas há ali um ou dois que são fundamentais. As críticas refletem mais o que são os críticos do que aqueles que são criticados».
José Mourinho explicou a opção por Ivanovic à esquerda e as ausências de Sudakov e Lukebakio no jogo em Madrid:
«Sensações do Real Madrid x Benfica e opção por Ivanovic à esquerda? Há coisas que vocês não sabem nem têm de saber, porque faz parte do nosso trabalho enquanto treinadores selecionar aquilo que queremos que saibam. O Sudakov foi a Madrid por uma razão simples: no campeonato só se pode ter nove jogadores no banco e nas competições europeias doze. Nesse sentido, o Sudakov foi a Madrid com poucas possibilidades de jogar. O Lukebakio também não está lesionado, mas não está numa situação fácil. Amanhã, volta a não jogar, principalmente de início; temos dados científicos sobre os últimos jogos e o Lukebakio só poderia jogar os últimos 10 minutos do jogo. E mesmo assim, deixava-nos uma grande dúvida: se fôssemos a prolongamento, como iria ele jogar mais 30 minutos? O Ivanovic entrou porque queríamos dar mais velocidade no lado esquerdo e que ele pudesse ser mais uma presença na área. Podíamos estar a falar mais tempo, mas o Benfica não me paga para dar explicações».
José Mourinho garantiu que deseja continuar no Benfica e esclareceu que não tem interesse em treinar o Real Madrid:
«Há uma coisa que eu controlo, que é a minha vontade, as minhas motivações e o meu controle emocional. Vocês são profissionais de nível e qualidade, mas às vezes parecem deixar passar algumas coisas importantes que poderiam ler. Depois do problema dos jogos do Real Madrid, agarraram-se a dizer que eu perdi uma oportunidade de voltar ao Real Madrid. Um dia antes de jogar com o Real, perguntaram-me se poderia dizer não ao Florentino. Acha que eu diria ‘sim, pode-se’ se quisesse sair do Benfica e ir para o Real Madrid? Eu tenho muitos defeitos, mas acha que sou estúpido? Eu fui muito objetivo; não sei se era do vosso interesse captar essa objetividade, mas fui eu que disse que queria ficar no Benfica. Quero permanecer e que seja em um único campeonato. Porque se for para jogar o campeonato real e virtual, não gosto. E neste momento estamos a jogar os dois. Se o Benfica quiser renovar o meu contrato por mais alguns anos, eu assino, mas quero jogar um campeonato».
José Mourinho comentou as declarações de Álvaro Arbeloa e o futuro de Gianluca Prestianni:
«Eu amo o Álvaro Arbeloa e vou continuar a amar. Mas acho que quem tomou a posição correta fui eu, não ele. E eu mencionei isso na conferência quando fui confrontado pelas declarações do Álvaro e de um jogador. Ser equilibrado não significa defender o meu, nem atacar o outro. Antes dessa conferência, referi: Não quero vestir a camisola vermelha referindo-me ao Benfica, nem quero vestir a camisola branca, referente ao Real Madrid. Quero ser imparcial em um caso que pode ser de grande gravidade. Quando referi para lerem a declaração dos direitos humanos, refere-se exatamente à presunção de inocência. Eu repudio qualquer tipo de discriminação e idiotice; eu fiz isso e outros não fizeram. Se o meu jogador não respeitou estes princípios, que são os meus e os do Benfica, a sua carreira com o treinador chamado José Mourinho ou em um clube chamado Benfica, chega ao fim. Não sou um letrado, mas também não sou um ignorante; presunção de inocência é um direito humano ou não? Futuro de Prestianni? Se o jogador for efetivamente culpado, não o verei da mesma maneira que costumava ver e para mim acabou, mas tenho que colocar muitos “se” à frente».
