Meta irá registrar movimentos de rato, cliques e teclas dos funcionários para treinar modelos de IA
A Meta, empresa de Mark Zuckerberg, está prestes a implementar um software de vigilância nos computadores de seus funcionários nos EUA para monitorar as interações realizadas e utilizar as informações obtidas para treinar seus sistemas de inteligência artificial.
A Meta vai adotar um sistema de monitoramento nos PCs de sua equipe nos Estados Unidos, que registrará movimentos de cursor, cliques e teclas digitadas. O propósito dessa ação é empregar esses dados para aperfeiçoar seus modelos de inteligência artificial (IA). A informação foi divulgada pela Reuters, com base em memorandos internos que a agência teve acesso.
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A ferramenta, chamada MCI (Model Capability Initiative), será instalada em aplicações e sites de uso profissional, e realizará capturas periódicas da tela dos funcionários. De acordo com a companhia, a intenção é aprimorar os modelos de IA em tarefas onde ainda enfrentam desafios em replicar o comportamento humano ao interagir com computadores, como a seleção de menus, uso de atalhos de teclado ou navegação entre janelas.
Um dos memorandos mencionados no relatório afirmava que “é aqui que todos os colaboradores da Meta podem apoiar nossos modelos a melhorar, simplesmente realizando suas atividades diárias.” Essa iniciativa é parte de um esforço mais abrangente da empresa, agora denominado Agent Transformation Accelerator (ATA), visando integrar agentes de IA nos processos internos de trabalho. O CTO da Meta, Andrew Bosworth, descreveu em uma comunicação interna a visão de um futuro onde os agentes realizam a maior parte das atividades e o papel humano é orientá-los, revisá-los e auxiliá-los a progredir.
A empresa também formou uma nova equipe de engenharia dedicada a ampliar as capacidades de programação dos seus sistemas de IA. Essa equipe tem incentivado os colaboradores a utilizarem agentes em tarefas de código, mesmo que isso possa resultar em uma redução de produtividade no curto prazo. Um porta-voz assegurou que os dados coletados não serão utilizados para avaliações de desempenho, e que existem medidas para proteger informações sensíveis, embora detalhes não tenham sido especificados.
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Esta informação é divulgada em paralelo com a confirmação de que a Meta realizará um despedimento em massa, atingindo 10% de sua força de trabalho global a partir de 20 de maio, com a possibilidade de cortes adicionais ainda neste ano. A Amazon também anunciou recentemente a eliminação de aproximadamente 30.000 empregos em seu setor corporativo. Esses movimentos refletem uma tendência mais abrangente no setor tecnológico norte-americano, que se reestrutura em torno da inteligência artificial.
Questões Legais e Éticas
Essa prática de monitoramento gera consideráveis preocupações legais e de privacidade. Especialistas enfatizam que, embora a legislação federal nos EUA não imponha restrições à vigilância dos funcionários, o cenário seria bastante diferente na Europa. A legislação europeia, especialmente o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), provavelmente proíbe essa modalidade de monitoramento.
Em países como a Itália, a vigilância eletrônica com o intuito de monitorar a produtividade dos colaboradores é claramente ilegal. Na Alemanha, os tribunais têm restringido o uso de gravação de teclas a situações excepcionais, como a suspeita de crimes graves.
