Paulo Topa: Detido e Solto Duas Vezes, Estaria a Preparar Fuga?
Paulo Topa, acusado de desviar 10 milhões de euros em processos de insolvência e recuperação empresarial, será apresentado nesta segunda-feira, 22 de dezembro, ao primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal do Porto, a fim de determinar as medidas de coação que se considerem apropriadas.
Esta é a terceira vez que o advogado é preso este ano. Nas duas primeiras, foi liberado. Contudo, nesta ocasião, as autoridades levantaram suspeitas de que ele estaria preparando sua fuga para o Brasil.
Paulo Topa foi detido no domingo, no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, na cidade do Porto, após retornar de uma viagem a Casablanca, Marrocos.
A detenção ocorreu poucos dias após aSIC noticiar que o advogado e três administradores de insolvência são suspeitos de desviar 10 milhões de euros de empresários em falência.
Conforme a investigação da SIC, ao longo de dez anos, Paulo Topa teria estado envolvido na criação de 50 empresas de fachada, elaborando créditos falsos e recrutando pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo um sem-abrigo, para atuarem como testas-de-ferro.
O advogado liderava uma rede e estaria novamente tentando captar clientes em situação de risco antes de ser detido pela Polícia Judiciária (PJ), apesar de seu registro profissional no site da Ordem estar indicado como inativo.
“Risco de fuga iminente”
Segundo a PJ, Paulo Topa, também suspeito de corrupção pelo esquema de desvio de fundos, foi preso novamente por se avaliar que existia “risco de fuga iminente”.
Após a coleta de diversas informações, essa foi a conclusão de autoridades que investigam o caso “há vários meses”.
A operação foi executada pela PJ, em cumprimento a um mandado de detenção emitido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto.
O advogado enfrenta acusações por “corrupção ativa, insolvência dolosa, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro, por meio dos quais já havia sido detido em outras duas ocasiões”, tendo sido solto posteriormente.
A investigação da PJ foca na atuação coordenada do suspeito, que participou de processos de insolvência e/ou recuperação de empresas, dentro de sua atuação profissional como advogado”, conforme a nota divulgada.
O Ministério Público (MP) investiga Paulo Topa como parte de um grupo, juntamente com outros dois suspeitos, detidos pela PJ em abril, por “desenvolver um esquema criminoso que favoreceu devedores e favoreceu a apropriação de bens por si ou por terceiros, em detrimento dos credores”, conforme comunicado.
De acordo com a PJ, o esquema incluía indivíduos e empresas de confiança do advogado, os quais apresentavam “créditos fictícios e documentação forjada, incluindo contratos envolvendo bens imóveis ou alvarás, que eram prontamente reconhecidos sem a devida demonstração”.
Os créditos falsos, ressalta, não somente permitiam “a apropriação imediata de bens móveis ou imóveis”, mas também “a aprovação dos planos de recuperação [dos envolvidos no esquema], possibilitando que os devedores se beneficiassem dos efeitos, suspendendo a ação dos verdadeiros credores e dissipando o patrimônio existente”.
No comunicado de abril, emitido na ocasião das detenções dos outros suspeitos, a PJ afirmou que os delitos “foram praticados, pelo menos, desde 2016”.
Conforme reportado pela SIC Notícias, Paulo Topa será (novamente) apresentado ao primeiro interrogatório judicial hoje, no Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para a definição das medidas de coação consideradas adequadas.
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