ULS Gaia/Espinho reduz infeções e poupa mais de um milhão
O programa Stop Infeção 2.0, que foi desenvolvido pela Direção-Geral da Saúde, a Fundação Gulbenkian e um instituto americano focado na qualidade da saúde, o Institute for Healthcare Improvement, começou a ser implementado na ULS Gaia/Espinho em janeiro de 2023.
A ULSGE adotou novos procedimentos e intervenções que incluem tanto os profissionais quanto os pacientes, o que levou a uma redução na taxa de infecções, resultando na prevenção de 13 mortes e 170 casos de infecção, além de uma economia superior a um milhão de euros.
“Estes números são estimativas baseadas em dados históricos. Analisamos o período que antecedeu o início do projeto e constatamos que a incidência diminuiu”, relatou à Lusa o diretor do Serviço de Doenças Infecciosas da ULS Gaia/Espinho e coordenador da unidade de controle de infecções, Tiago Teixeira.
A ULSGE atribui esses resultados à revisão e aprimoramento de procedimentos, com destaque para a introdução de uma consulta pré-operatória, onde os pacientes recebem orientações sobre cuidados a serem tomados antes da cirurgia, incluindo o uso de esponjas antissépticas específicas para o banho antes da operação.
“Outra mudança significativa foi a decisão de realizar a tricotomia [remoção de pelos em uma área do corpo] exclusivamente na sala de cirurgia, aumentando a segurança e reduzindo consideravelmente o risco de infecção”, afirma um resumo do projeto enviado à Lusa.
Tiago Teixeira também destaca outros aspectos, desde o básico, como a higienização das mãos, até alterações na inclinação das camas.
“Se um paciente estiver entubado e deitado por longos períodos, há um risco maior de aspirar bactérias. Observamos que, assim que conseguimos garantir que as camas nas unidades de terapia intensiva estavam inclinadas corretamente, os resultados melhoraram. Em outras palavras, a adesão a este indicador foi inversamente proporcional ao número de novas infecções. Quando os profissionais valorizam [os novos procedimentos], as infecções resultam em menor incidência”, detalha.
Sobre a consulta pré-operatória, o coordenador da Unidade de Controle de Infecção aponta dois benefícios: o paciente passa a entender melhor o que esperar no dia da cirurgia e recebe dicas sobre como se preparar de forma adequada.
“Frequentemente, o desconhecimento é uma fonte de morbidade, ansiedade e até de práticas inadequadas, como administração errada de medicamentos ou higiene ineficiente”, acrescentou.
A participação da ULSGE no projeto Stop Infeções 2.0 concentrou-se na redução de cinco tipos de infecções associadas aos cuidados de saúde: infecção no sítio cirúrgico em cirurgias colorretais, infecção no sítio cirúrgico em artroplastias de quadril e joelho, infecção urinária relacionada ao cateter vesical, pneumonia associada à intubação e infecção relacionada ao cateter venoso central.
Iniciado no serviço de ortopedia no início de 2023, o Stop Infeção 2.0 da ULSGE foi expandido para outros setores, visando que “deixe de ser um projeto e se torne parte do cotidiano, ou seja, que os novos procedimentos sejam integrados como práticas normais”, enfatizou o presidente do conselho de administração, Luís Matos.
Em declaração à Lusa, o presidente da ULSGE reconheceu que as infecções hospitalares são “definitivamente um problema grave em todo o mundo” que exige “sérias preocupações e reflexões”.
“Com este projeto, alcançamos resultados fantasticamente bons que nos proporcionam confiança. Agora, queremos expandir este projeto para a área da neonatologia e, posteriormente, para os cuidados intensivos”, revelou.
Fazendo um primeiro balanço do projeto, a ULSGE destacou também a redução de 51% nas infecções urinárias associadas ao cateter vesical e 56% nas pneumonias relacionadas à intubação na Medicina Intensiva, além de uma redução de 57% nas infecções ortopédicas.
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