Uma simples mudança diária que pode reduzir o risco de depressão
Reduzir o tempo diante da televisão e dedicar-se a outras atividades pode ser benéfico para prevenir o transtorno depressivo maior, especialmente durante a meia-idade. Essa é a conclusão de um novo estudo publicado na Psicologia Europeia em nome da Associação Psiquiátrica Europeia pela Cambridge University Press. Os pesquisadores descobriram que os benefícios para a saúde mental decorrentes da diminuição do tempo de TV foram mais significativos entre os adultos de meia-idade, enquanto os efeitos foram menores em grupos mais jovens e mais velhos.
A autora principal, Rosa Palazuelos-González, da Universidade de Groningen, destacou que a pesquisa se destaca por analisar o que acontece quando o tempo de TV é intencionalmente substituído por outras atividades, como exercícios ou sono. Pesquisas anteriores se concentraram principalmente nas relações entre estilos de vida sedentários e a depressão, sem investigar como a transição para atividades alternativas específicas poderia influenciar o risco de desenvolvimento da condição.
“Nós descobrimos que reduzir o tempo de assistir TV em 60 minutos e reallocá-lo para outras atividades diminuiu a probabilidade de desenvolvimento de depressão maior em 11%,” afirmou Palazuelos-González.
“Para realocação de 90 e 120 minutos, essa diminuição na probabilidade chega a 25,91%.”
A Meia-Idade Revela os Maiores Benefícios para a Saúde Mental
As melhorias mais notáveis foram observadas em adultos de meia-idade. Nesse grupo, substituir uma hora diária de TV por outras atividades reduziu o risco de depressão em 18,78%. Mudar 90 minutos resultou em uma diminuição de 29%, enquanto a substituição de duas horas levou a uma queda de 43%.
Praticamente todas as trocas foram associadas a um menor risco de depressão, com uma exceção. A substituição de apenas 30 minutos de TV por tarefas domésticas não produziu uma mudança significativa. No entanto, alocar 30 minutos para esportes diminuiu o risco em 18%. Trocar esse tempo por atividade física no trabalho ou na escola reduziu o risco em 10,21%, atividades de lazer ou de deslocamento em 8%, e sono em 9%. Em todas as faixas de tempo estudadas, os esportes proporcionaram a maior redução na probabilidade de desenvolver transtorno depressivo maior.
Menores Efeitos em Adultos Mais Velhos e Mais Jovens
Entre os adultos mais velhos, apenas redistribuir o tempo de TV para outras atividades diárias não resultou em mudanças significativas nas taxas de depressão. A única atividade que apresentou diferença mensurável foi a participação em esportes. Trocar 30 minutos de TV por esportes reduziu a probabilidade de depressão de 1,01% para 0,71%. Com 60 minutos, o risco caiu para 0,63%, e com 90 minutos, para 0,56%.
Nos adultos mais jovens, mover o tempo de TV para atividades físicas não alterou significativamente o risco de depressão. Os pesquisadores observaram que os participantes mais jovens tendem a ser mais ativos fisicamente no geral. Eles sugerem que este grupo pode já ultrapassar o nível de atividade que ajuda a proteger contra a depressão.
Detalhes e Métodos do Estudo
As descobertas são baseadas em um grande estudo populacional (uma iniciativa holandesa chamada ‘Lifelines’) que acompanhou 65.454 adultos que não apresentavam depressão no início da pesquisa. Os participantes foram monitorados por quatro anos, com comparações cuidadosas feitas entre os grupos etários. Indivíduos relataram quanto tempo passavam em atividades como deslocamento ativo, exercícios de lazer, esportes, tarefas domésticas, atividade física no trabalho ou escola, assistindo TV e dormindo. Diagnósticos de transtorno depressivo maior foram determinados usando o Mini International Neuropsychiatric Interview.
