Voo de Estado para Lisboa com 5 milhões em notas

Voo de Estado para Lisboa com 5 milhões em notas

O voo que trouxe consigo a esposa do ex-presidente da República da Guiné-Bissau e o chefe de protocolo de Sissoco Embaló foi designado como voo de Estado, conforme confirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros à Lusa.

“A designação como voo de Estado foi fundamentada na condição de a pessoa em questão ser cônjuge de um chefe de Estado (e o cônjuge ter direito a tratamento prototocal equivalente ao chefe de Estado)”, afirmou uma fonte oficial do MNE à Lusa, validando a informação divulgada hoje mais cedo pelo Jornal de Notícias.

“Embora tenha sido deposto, e na ausência de reconhecimento das novas autoridades, decidiu-se que, por motivos de segurança alegados e apenas nas situações pertinentes, deveriam ser concedidas algumas prerrogativas de Estado, negando outras”, completa a fonte, enfatizando que “entre as quais estava a classificação de voo de Estado, que tem efeitos apenas protocolares – daí que as autoridades com funções policiais pudessem agir normalmente, sem aviso prévio do Protocolo de Estado”.

Cinco milhões de euros em dinheiro

A Polícia Judiciária (PJ) prendeu em 14 de dezembro, no Aeroporto Figo Maduro, em Lisboa, o chefe de protocolo de Sissoco Embaló sob suspeita de contrabando e lavagem de dinheiro, por transportar na bagagem cerca de cinco milhões de euros em espécie, informou anteriormente à Lusa uma fonte ligada à investigação.

Tito Fernandes foi posteriormente liberado sem comparecer a tribunal e no avião, vindo da Guiné-Bissau, também viajava a esposa do ex-presidente guineense, Dinisia Reis Embaló, que, apesar de não ter sido detida, foi constituída arguida por suspeita de envolvimento nos mesmos crimes.

O acusado, cuja relação com Sissoco Embaló foi confirmada por uma fonte da investigação, foi detido no domingo pela PJ no Aeroporto Militar de Figo Maduro, em Lisboa, estando sua bagagem carregada com cerca de cinco milhões de euros em espécie.

Lusa | 15:23 – 15/12/2025

Conforme a mesma fonte, a quantia foi apreendida e sua origem agora será investigada pelas autoridades.

Segundo um comunicado emitido pela PJ em 14 de dezembro, “o voo tinha a princípio a classificação de militar e, após Lisboa, seguiria para [o aeroporto de] Beja”, no sul de Portugal, mas depois foi averiguado que sua natureza e destino final “eram diferentes” dos informados às autoridades aeronáuticas.

Uma fonte da investigação esclareceu na terça-feira à Lusa que o destino final era o Dubai.

A operação policial, realizada em conjunto com a Autoridade Tributária, ocorreu após uma denúncia anônima.

“A designação como voo de Estado, salienta-se, é uma questão estritamente protocolares e com efeitos puramente de tratamento oficial, tanto que cabe ao Protocolo de Estado”, ressaltou o MNE, acrescentando: “Esclarece-se que o pedido que chegou ao Protocolo do Estado nunca foi para um voo militar, sempre foi para um voo civil”.

Os efeitos protocolares incluem prerrogativas de prioridade na aterragem e descolagem, a opção de utilização de aeroportos reservados, e a recepção por um representante do protocolo de Estado, entre outros aspectos, explicou o MNE nas respostas à Lusa.

Após a detenção dos passageiros, o Ministério Público (MP) instaurou um inquérito no caso de um homem próximo ao ex-presidente da Guiné-Bissau Sissoco Embaló que foi detido em um aeroporto em Lisboa.

Um autodenominado “alto comando militar” tomou controle na Guiné-Bissau em 26 de novembro, três dias após as eleições gerais (presidenciais e legislativas) no país africano e um dia antes da divulgação dos resultados anunciados.

A oposição e figuras internacionais alegam que o golpe foi um ato encenado por Sissoco Embaló, que supostamente foi derrotado nas eleições, impedindo assim a divulgação dos resultados e ordenando a detenção arbitrária de diversas figuras que apoiavam o candidato que reivindica vitória, Fernando Dias.

Após ser deposto, Sissoco Embaló deixou Bissau em 28 de novembro, rumo a Dacar, no Senegal, e alguns dias depois saiu desse país e foi para Brazzaville, no Congo.

Em 4 de dezembro, circulava nas redes sociais informações de que ele teria viajado, no dia anterior, para Marrocos.

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