Portugal altera posição sobre mecanismo de solidariedade para refugiados

Portugal altera posição sobre mecanismo de solidariedade para refugiados

Portugal mudou seu voto de oposição para abstenção na discussão da proposta de Bruxelas sobre a redistribuição de refugiados no âmbito do mecanismo de solidariedade europeu, conforme anunciado pelo governo nesta terça-feira.

Após uma reunião do Conselho Nacional de Migração e Asilo, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, destacou que a decisão da Comissão Europeia de reavaliar a situação migratória do país levou o governo a modificar seu voto, que havia sido definido no início de dezembro. No entanto, o governo mantém sua recusa em receber esses solicitantes de asilo, optando por alternativas.

Anteriormente, Portugal havia votado contra a proposta, junto com a Hungria e a Eslováquia, por acreditar que os dados utilizados para a decisão estavam desatualizados. A solicitação de uma exceção só recebeu resposta na quarta-feira, por meio de uma carta do Comissário Europeu dos Assuntos Internos e Migração, prometendo a reavaliação da situação portuguesa.

“Estamos satisfeitos porque o diálogo com a Comissão Europeia nas últimas semanas foi bastante construtivo e a Comissão reconheceu que a situação” dos imigrantes em situação irregular em Portugal não corresponde à realidade.

A Comissão baseou sua decisão em dados de junho, “quando a AIMA [Agência para a Integração, Migrações e Asilo] ainda não havia finalizado o processamento das informações”, e só depois foram considerados os dados das manifestações de interesse, que aumentaram os casos de retorno de estrangeiros de 400 para 27 mil.

“A Comissão Europeia não tinha conhecimento disso” e agora entende “que a realidade migratória em Portugal não é a que estava descrita naquele relatório” que considera a situação de todos os Estados-membros.

Quando o governo menciona “pressão migratória”, explicou Leitão Amaro, não se refere aos 1,5 milhões de estrangeiros com autorização de residência em Portugal, mas aos critérios do mecanismo de solidariedade relacionados a situações irregulares, processos de retorno ou refugiados.

“Ter passado de 1 milhão para 1,5 milhão, por si só, não conta, porque o argumento na perspectiva europeia é que, se os Estados-membros criaram leis para permitir isso, é uma pressão autoinduzida e, portanto, não é considerada para efeitos de mecanismos de solidariedade”, esclareceu Leitão Amaro.

Diante da abertura de Bruxelas para reexaminar a situação de Portugal, o governo alterou seu voto de oposição à redistribuição de 21 mil refugiados para abstenção, embora não pretenda acolhê-los.

“Como cumprimos as regras europeias de solidariedade? Não pode ser prometendo receber realocação, porque não temos capacidade”, então a “opção é assumir compromissos financeiros”, previstos no mecanismo, que poderão ser suspensos no contexto da prometida reavaliação dos números da imigração irregular em Portugal.

Ao final dessa negociação, o ministro considerou que o resultado “é claramente justo para a situação portuguesa” e é “reconhecido pela Comissão que a realidade era diferente” e que “Portugal está em uma situação especial que merece suporte e que sejam encontradas soluções flexíveis”.

Na carta enviada na quarta-feira, a Comissão Europeia informou que está “analisando as informações adicionais recentemente fornecidas por Portugal sobre o agravamento da situação migratória” e que irá realizar “uma nova avaliação e propor as medidas de acompanhamento adequadas”.

Leia Também: Comissão Europeia vai “reavaliar situação migratória em Portugal”

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