Rovers Curiosity e Perseverance Revelam Pistas Inesperadas sobre o Passado de Marte
Distribuídos em áreas opostas de Marte, os rovers Curiosity e Perseverance estão, de certa forma, viajando no tempo em direções opostas. Essa noção se torna quase tangível com as novas panorâmicas recém-divulgadas pela NASA.
Enquanto um sobe uma montanha buscando capítulos mais recentes da história de Marte, o outro avança em direção a algumas das paisagens mais antigas do Sistema Solar. Em lados distintos de Marte, separados por 3.775 quilômetros, os rovers Curiosity e Perseverance estão, de certa forma, a viajar no tempo em direções inversas. Essa ideia se torna quase visível através das novas panorâmicas que a NASA divulgou.
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Elaboradas a partir de mais de 2.000 imagens combinadas, as duas vistas de 360 graus não apenas capturam cenários impressionantes do planeta vermelho, mas também revelam o rastro de uma complexa história geológica, influenciada por água, química e possivelmente elementos associados à vida.
Composta por 1.031 imagens coletadas entre novembro e dezembro de 2025, a panorâmica do Curiosity oferece uma visão detalhada de uma região caracterizada por estruturas enigmáticas em “boxwork”, que, vistas do espaço, assemelham-se a imensas teias de aranha. Essas elevações rochosas foram moldadas por água subterrânea há milhões de anos. Os minerais remanescentes solidificaram essas fraturas, que, com a erosão, se tornaram marcas duradouras na paisagem.
Essa é mais uma parte do quebra-cabeça que o rover vem montando desde 2012, quando aterrissou na Cratera Gale com o objetivo de responder a uma pergunta crucial: Marte teve condições propícias para sustentar vida? Logo, a resposta começou a emergir, com um leito antigo revelando química favorável e nutrientes que poderiam ter sido adequados para microrganismos.
Desde então, o Curiosity avança lentamente pelo Monte Sharp, uma montanha sedimentar de cinco quilômetros de altura que serve como um arquivo geológico em camadas. À medida que se desloca para cima, o rover atravessa diferentes períodos da história do planeta.
Nos últimos anos, essa exploração trouxe descobertas fascinantes. A missão identificou siderita, um mineral carbonatado que pode conter indícios de uma atmosfera antiga mais densa e rica em dióxido de carbono. E, talvez mais significativo, detectou algumas das moléculas orgânicas mais complexas já registradas em Marte, incluindo compostos que podem estar relacionados à química pré-biótica.
Enquanto o Curiosity se eleva para ler a história em camadas mais recentes, o Perseverance penetra em terrenos ainda mais antigos. Criada a partir de 980 imagens obtidas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a sua nova panorâmica se concentra em “Lac de Charmes”, na borda da cratera Jezero, um antigo lago e delta fluvial que tem intrigado os cientistas como um potencial habitat microbiano.

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No local, o rover estuda rochas que datam dos primórdios do planeta. Uma das descobertas mais discutidas ocorreu em 2024 com uma rocha chamada “Cheyava Falls”, conhecida por padrões designados como “manchas de leopardo”, que na Terra estão associados a reações químicas possivelmente envolvendo atividade microbiana.
Diferente do Curiosity, que processa amostras pulverizando rochas in loco, o Perseverance coleta pequenos testemunhos intactos, armazenando-os em tubos metálicos para possível envio a laboratórios na Terra. Até agora, já transporta 23 amostras.
Contudo, o rover não está apenas em busca de indícios de vida passada. Também tem revelado fenômenos inéditos em Marte atualmente: registrou pela primeira vez faíscas elétricas dentro de redemoinhos de poeira e capturou auroras visíveis a partir da superfície de outro planeta, algo nunca antes registrado.
Hoje, ambos os rovers exploram desertos frios e aparentemente estéreis. Entretanto, cada panorama sugere outra história: a de um mundo outrora vibrante, com água fluindo, química complexa e possivelmente condições propícias à vida. De acordo com a NASA, o Curiosity agora se dirige a camadas ricas em sulfatos, enquanto o Perseverance se aventura em regiões ainda mais remotas, incluindo uma área chamada “Singing Canyon”.

