Mercado tecnológico português inicia nova fase: salários estabilizam e IA transforma funções.
A edição mais recente do relatório Tendências de Talento Tecnológico indica que o mercado de habilidades tecnológicas em Portugal não se encontra mais em crescimento, mas sim em um estágio mais maduro, caracterizado pela estabilização dos salários e pelo aumento da influência da IA nas funções e competências.
Segundo as conclusões do estudo realizado pela Landing.jobs, em parceria com a Damia, a oferta e a demanda estão a equilibrar-se, os salários começam a se estabilizar e o ecossistema entra em uma fase mais estruturada e focada na eficiência, após anos de crescimento acentuado.
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Entre as dinâmicas mais relevantes, o relatório destaca uma estabilização nos salários. De 2019 a 2026, o salário médio bruto anual subiu de 30.861 euros para 53.671 euros, um crescimento de 74% em sete anos. No entanto, o ritmo de crescimento desacelerou consideravelmente. Após um “salto” de 14% em 2025, o crescimento deste ano foi de apenas 0,9%.
A remuneração está cada vez mais atrelada ao modelo e local de trabalho. O estudo revela que as funções totalmente remotas continuam a oferecer salários superiores em comparação às funções presenciais.
Além disso, as empresas de produtos remuneram significativamente mais do que as do setor de consultoria. As scale-ups estão entre as que apresentam o crescimento mais acelerado.
Para além do modelo de trabalho e do tipo de empresa, a formação educacional exerce um papel relevante nos salários. Profissionais com formação avançada alcançam níveis salariais mais elevados, sendo os portadores de doutorados e mestres os que lideram em termos de remuneração média.
O Tech Talent Trends 2026 também revela que o mercado está tornando-se cada vez mais seletivo, com a demanda concentrando-se fortemente em perfis sêniores. À medida que as oportunidades diminuem para profissionais juniores e intermediários, isso se deve, em parte, à IA, que tem aumentado a produtividade de engenheiros mais experientes.
IA: uma realidade cada vez mais pervasiva
Os especialistas afirmam que a IA está transformando funções, competências e expectativas de forma abrangente, ressaltando que, se antes a tecnologia era um diferencial, hoje ela se tornou um requisito indispensável.
De acordo com os dados, 60,8% dos Product Managers em Portugal já têm experiência prática com IA. A tecnologia também está mudando funções relacionadas a áreas como Machine Learning e Data Science, elevando os salários de profissionais que combinam competências em IA e engenharia de dados.
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O estudo demonstra que os profissionais estão adotando ferramentas “alimentadas” por essa tecnologia em larga escala. Ao todo, 74% dos profissionais de tecnologia entrevistados afirmam utilizá-las. Entre as ferramentas mais populares estão o GitHub Copilot (56%), o Claude Code (34%) e o ChatGPT Code Interpreter (31%).
Os dados indicam que 54% dos entrevistados usam IA frequentemente para apoiar seu trabalho. Somente 12% integram a tecnologia em fluxos de trabalho complexos e apenas 6% desenvolvem ou personalizam modelos de IA.
Em relação aos desafios associados ao uso da tecnologia, 79% dos profissionais reconhecem enfrentar dificuldades com as ferramentas. A maioria das dificuldades está relacionada a erros que a IA não consegue detectar a tempo (55%), preocupações sobre vazamentos de dados e privacidade (50%) ou questões de segurança (25%).
No que diz respeito às percepções sobre a IA, 60% consideram a tecnologia como uma aliada que aumenta a produtividade. Além disso, 30% dos entrevistados acreditam que a tecnologia criará novas funções e oportunidades, e apenas 11% temem ser completamente substituídos por ela.
47% dos profissionais acreditam que a IA deve ser utilizada nos processos de recrutamento, mas com supervisão humana. Por outro lado, apenas 3% dos entrevistados sentem-se confortáveis com a ideia de um processo completamente automatizado.
Talento mais exigente e móvel
Além das tendências salariais e do uso tecnológico, o relatório destaca alterações na forma como os profissionais interagem com o mercado de trabalho. A força de trabalho está se tornando mais internacional e também mais móvel.
Os dados mostram que cerca de 54% dos entrevistados estão abertos ou em busca ativa de novas oportunidades. Fatores como flexibilidade, impacto e progresso na carreira emergem ao lado do salário como decisivos na escolha do empregador.
Por parte das empresas, reter talento requer mais do que apenas um salário atraente, e o estudo enfatiza a importância de equipes e culturas de trabalho sólidas, oportunidades claras de crescimento e flexibilidade como diferenciais
A desigualdade de gênero continua a ser um desafio: entre os profissionais sêniores de tecnologia, as mulheres ganham, em média, 14% a menos que os homens. Embora a representatividade esteja melhorando, ainda não passa dos 22%.
