Pai de jovem atropelado por taxista pede agravamento das penas
Paulo Gonçalves comentou com a imprensa após a leitura da sentença que resultou na condenação do taxista que atropelou seu filho a 14 anos e nove meses de prisão pelos crimes de homicídio, condução perigosa e omissão de auxílio a Afonso Gonçalves.
O pai de Afonso Gonçalves expressou que a pena imposta ao responsável pela tragédia “é adequada” dentro das normas legais em Portugal.
No entanto, Paulo Gonçalves enfatizou que ele trocaria “de bom grado” com o réu e cumpriria a pena de prisão, se isso pudesse trazer seu filho de volta.
“A justiça dos homens foi feita, mas a condenação que nós, como família, recebemos é perpétua e não possui condicional”, acrescentou, destacando que não irá apelar da decisão, buscando assim fechar este capítulo e seguir em frente.
Juntamente com o advogado da família, Paulo Gonçalves declarou que assumiu a responsabilidade de pleitear um endurecimento das penas relacionadas à omissão de auxílio após atropelamentos, com uma petição em andamento para levar o assunto ao debate na Assembleia da República.
“Vamos iniciar uma luta intensa, ativa e contínua contra as autoridades políticas, contra as câmaras municipais e, se necessário, contra o Governo, com o objetivo de estabelecer um plano nacional que implemente medidas para prevenir esse tipo de ocorrência”, afirmou o advogado Manuel Luís Ferreira.
“Se for necessário instalar sistemas de monitoramento, criar novas faixas de pedestres, identificar áreas de risco de acidentes e sinalizá-las, ou solicitar reforço de equipe para fiscalizar essas situações, faremos isso”, acrescentou.
Paulo Gonçalves afirmou que tem observado “quase diariamente casos de atropelamentos, muitos deles fatais, onde a fuga se tornou o novo normal”.
“Além disso, não vejo os órgãos públicos tomando atitudes que vão além de intervenções superficiais, como a instalação de pequenas barreiras e pintura de faixas, enquanto isso é um verdadeiro flagelo. Centenas de pessoas perdem a vida anualmente em nossas estradas e é preciso agir”, reforçou, ressaltando que sua missão é associar o nome de Afonso a essa causa, “para que não haja mais Afonsos”, o que tem ajudado a família a manter “alguma sanidade”.
Afonso Gonçalves, um jovem de 21 anos e estudante de engenharia informática na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa, foi atropelado e abandonado sem assistência em uma faixa de pedestres no cruzamento da Avenida dos Estados Unidos da América com a Avenida Rio de Janeiro, em Lisboa, no dia 08 de setembro de 2024, vindo a falecer.
O taxista que o atropelou sem prestar socorro foi condenado hoje por homicídio, condução perigosa e omissão de auxílio.
O indivíduo se encontrava em prisão preventiva após o atropelamento, mas na época dos crimes estava sob liberdade condicional e já havia estado envolvido em pelo menos três incidentes de atropelamento anteriores, um dos quais foi fatal.
Mesmo com um histórico de 21 crimes, sendo 11 relacionados ao trânsito, o réu continuou a exercer a profissão de taxista, segundo informações do Tribunal.
Após a leitura da sentença, o condenado considerou que “foi injusto”.
“Injusto? Injusto é eu passar este Natal e todos os Natais até o fim da minha vida sem o meu filho. Isso sim é injusto”, afirmou Paulo Gonçalves.
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