A Desumanização do Email na Era da Automatização de Processos

A Desumanização do Email na Era da Automatização de Processos

Uma pesquisa realizada pela Hostinger, analisando bilhões de emails, aponta que 87% do tráfego global é originado por sistemas automáticos, e mais da metade nunca chega a ser visualizada na caixa de entrada do destinatário.

O email, com quase cinquenta anos desde sua criação, continua sendo uma das ferramentas de comunicação mais amplamente utilizadas no mundo digital. No entanto, os dados de um estudo da Hostinger, um dos principais provedores de hospedagem e domínios da web, revelam um cenário preocupante. Após analisar bilhões de mensagens enviadas em janeiro de 2026, os pesquisadores chegaram a uma conclusão que resume o atual estado do email.

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A pesquisa revelou que apenas 13% dos emails que circulam na internet são compostos por pessoas. Os 87% restantes são criados por sistemas automatizados, como notificações, promoções, alertas, redes sociais, ferramentas SaaS e sistemas de marketing. Além disso, apenas 44% desses emails conseguem passar pelos filtros de segurança dos destinatários, como antivírus e anti-spam.

Isso significa que menos da metade dos emails que são enviados realmente chegam à caixa de entrada dos usuários. Para Walter Guido, diretor regional da Hostinger na Espanha, esse dado é mais do que um mero detalhe técnico.

O email deixou de ser um canal acessível e se transformou em um ecossistema rigorosamente filtrado por algoritmos de confiança. O fato de mais da metade do tráfego global não atingir a caixa de entrada não é apenas uma estatística; representa uma mudança estrutural, afirma

Filtros automatizados garantem a segurança contra emails indesejados

A reputação do remetente é o principal aspecto que leva ao bloqueio de mensagens. O estudo aponta que 34% dos emails são barrados pelos sistemas de filtragem de phishing, malware ou redes de bots antes mesmo que o conteúdo das mensagens seja analisado. A disputa pela atenção do destinatário começa bem antes de se observar o assunto ou o corpo do email. Este início acontece na maneira como o sistema de email classifica (ou não) o remetente como uma fonte legítima e confiável.

Esse panorama impacta diretamente os serviços de email marketing, como eram operados há uma década. O envio massivo de mensagens, independentemente da qualidade do conteúdo, está cada vez mais ameaçado devido à crescente dificuldade em ultrapassar os filtros de entrada. A inteligência artificial generativa tem possibilitado uma personalização mais eficaz dos textos, mas o usuário consegue identificar rapidamente se uma comunicação foi feita de forma automatizada.

Se a impressão for positiva, a tendência é ignorar ou excluir. “Trocar o nome do destinatário não é personalizar, é apenas uma automação disfarçada. Os usuários notam rapidamente quando há um esforço genuíno por trás de uma comunicação e quando não há”, destaca Walter Guido da Hostinger. Há também um fator cultural que não pode ser descartado. As gerações mais jovens enxergam o email como um meio de comunicação antiquado e ineficiente, utilizado apenas para tarefas mínimas, como receber códigos de verificação.

Dessa forma, a caixa de entrada se tornou uma espécie de arquivo indesejado, acumulando mensagens que raramente são requisitadas e, consequentemente, não são lidas. Em contrapartida, as plataformas de mensagens instantâneas, como o WhatsApp para fins pessoais ou o Slack e Teams para comunicações profissionais, estão ganhando cada vez mais popularidade.

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