Ministro da Educação assegura continuidade da correção digital dos exames nacionais sem prejuízo para alunos

Ministro da Educação assegura continuidade da correção digital dos exames nacionais sem prejuízo para alunos

Na Assembleia da República, nesta manhã, Fernando Alexandre reconheceu que a tutela considerou recuar na implementação do novo modelo. No entanto, assegurou que o EduQA está otimista quanto à conclusão do processo dentro do prazo. O ministro alegou que a maioria das críticas nas redes sociais é “falsa”.

O ministro da Educação, Ciência e Inovação, defendeu hoje a continuidade do sistema de correção digital dos exames nacionais do ensino secundário, garantindo que nenhum estudante será prejudicado pelas dificuldades observadas no início do processo. Fernando Alexandre foi ouvido nesta manhã em uma audição na comissão parlamentar de Educação e Ciência, onde respondeu a questionamentos do grupo parlamentar do Chega sobre os vários problemas relatados nos últimos dias por sindicatos e movimentos de professores.

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A controvérsia iniciou-se em 25 de junho, quando o EduQA, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, reconheceu publicamente atrasos causados por dificuldades técnicas na nova plataforma de classificação eletrônica, resultando em ajustes no cronograma do processo. Desde então, sindicatos como a FNE e o Stop, assim como o movimento cívico MetaPROF, que lançou o site “Exames 2026: O caos documentado”, compilaram várias reclamações de professores.

Entre os problemas relatados figuram atrasos na entrega de credenciais para as provas, convocações para professores de áreas distintas, docentes aposentados e até mesmo professores já falecidos. Também surgiram relatos de folhas de resposta atribuídas a um mesmo aluno com caligrafias diversas, além de exames com páginas ausentes.

Diante desse panorama, o ministro foi claro em sua avaliação. “A maioria é falsa,” comentou, referindo-se às situações expostas nas redes sociais, e acrescentou que tanto o EduQA quanto o Júri Nacional de Exames (JNE) têm recebido instruções para investigar cada uma das ocorrências reportadas. Reconhecendo a existência de “anomalias pontuais, que depois são corrigidas”, Fernando Alexandre admitiu que a tutela considerou recuar na implementação do modelo, que foi expandido este ano para todas as disciplinas após ser testado no ano anterior apenas com a prova de Filosofia, seguindo a prática de países como Reino Unido, Itália e Finlândia.

A decisão de continuar foi mantida porque, segundo o governante, “o EduQA reiterou que está confiante que vai conseguir garantir a correção digital”. Quanto às convocações erradas dos professores classificadores, o ministro negou qualquer responsabilidade direta da tutela, afirmando: “Quem convoca são os diretores. Se convocam incorretamente, é uma responsabilidade dos diretores.”

Essa posição foi criticada pela Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), que já havia rejeitado quaisquer responsabilidades e considerado inaceitável que o ministério tentasse transferir para as escolas as responsabilidades que “manifestamente não lhes pertencem.” Do ponto de vista técnico, Fernando Alexandre destacou as vantagens do novo sistema de e-marking, onde em vez de cada professor corrigir um exame inteiro de 40 alunos, poderá avaliar 200 vezes a mesma pergunta em testes de alunos diferentes.

“Quando temos um professor corrigindo apenas uma parte do exame, reduzimos o viés que a correção individual pode introduzir e, por isso, garantimos mais rigor e mais objetividade na avaliação,” comentou. A classificação digital da primeira fase dos exames, que ocorreu entre 16 e 26 de junho, deverá ser finalizada até 10 de julho, e a segunda fase está prevista para os dias 16 a 22 de julho.

O ministro aproveitou a oportunidade para anunciar uma nova iniciativa para o próximo ano letivo. Fernando Alexandre informou que será implementado um projeto-piloto de normalização estatística das notas dos exames, visando tornar os resultados comparáveis ao longo dos anos e eliminar o impacto das variações de dificuldade entre as provas. Desta maneira, será garantido que nenhum aluno seja favorecido ou prejudicado por realizar o exame em um ano em que a prova tenha sido mais fácil ou mais difícil.

O modelo será submetido a validação técnica independente antes de qualquer aplicação generalizada. A audiência de hoje ocorreu em um contexto em que o MECI também apresentou dados positivos sobre a carreira docente. No ano letivo de 2025/2026, 6.543 novos professores foram integrados na escola pública, incluindo novos docentes, aqueles que retornaram após ausência e professores que prolongaram suas carreiras.

Além disso, o processo de recuperação integral do tempo de serviço congelado envolveu 89.922 professores com pelo menos uma progressão validada, resultando em um aumento da proporção de docentes no topo da carreira de 32% para 63%. Este é um dado que o ministério considera um dos maiores avanços da legislatura na valorização da profissão.

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