Portugal se une a missão de "arqueologia cósmica" para desvendar segredos galácticos ocultos

Portugal se une a missão de arqueologia cósmica para desvendar segredos galácticos ocultos

Existem narrativas inscritas nas regiões mais tênues e quase imperceptíveis do Cosmos. Estas são precisamente as histórias cósmicas que a missão ARRAKIHS almeja descobrir.

Da mesma forma que os arqueólogos buscam vestígios de civilizações perdidas, os astrônomos têm como meta investigar os “fósseis” cósmicos que relatam a história das galáxias. Esse é o propósito da ARRAKIHS, uma iniciativa agora oficialmente apoiada pela Agência Espacial Europeia (ESA), que tem a previsão de lançamento para o espaço em 2030 com o intuito de estudar o que se denomina “Universo de baixo brilho superficial”.

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A denominação ARRAKIHS deriva da expressão em inglês “Analysis of Resolved Remnants of Accreted Galaxies as a Key Instrument for Halo Surveys”. Na prática, trata-se de uma iniciativa voltada ao estudo dos halos estelares difusos que rodeiam galáxias como a Via Láctea. Essas estruturas extremamente finas agem como verdadeiras “marcas ancestrais” da evolução das galáxias, preservando vestígios de fusões, interações e processos que moldaram as galáxias ao longo de bilhões de anos.

Os astrônomos acreditam que muitas respostas para os grandes enigmas da cosmologia contemporânea – incluindo o papel da matéria escura na formação das galáxias – estão ocultas nessas áreas pouco investigadas. No entanto, o desafio reside no fato de que sua baixa luminosidade dificulta a observação com os instrumentos atualmente disponíveis.

A ARRAKIHS foi desenvolvida precisamente para superar esse obstáculo. Devido à sua alta sensibilidade, será capaz de detectar estruturas que até então eram praticamente invisíveis, abrindo novas possibilidades para a compreensão de como as galáxias evoluíram e acumularam matéria ao longo da historia do Universo.

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Esta missão resulta de uma ampla colaboração internacional que envolve mais de 250 cientistas e engenheiros de sete países membros da ESA, liderados pela Espanha, com contribuições de diversas instituições e empresas de várias nações da Europa, América do Norte e Ásia.

Portugal terá um papel significativo nesta empreitada científica por meio do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), que faz parte do consórcio internacional da missão. A coordenação da participação nacional é feita por Polychronis Papaderos, pesquisador do IA e da Universidade do Porto.

Dentre as responsabilidades de Portugal, destaca-se a liderança na operação dos instrumentos e no Centro de Dados Científicos da missão, uma função vital para a gestão e exploração dos resultados científicos. As equipes nacionais também serão encarregadas do desenvolvimento de software que integrará o sistema de processamento de dados da ARRAKIHS, fortalecendo competências em processamento avançado de imagem, desenvolvimento de software científico e análise de grandes volumes de dados.

A indústria portuguesa também terá uma contribuição fundamental, assumindo a responsabilidade de desenvolver e fabricar o sistema de isolamento multicamadas do telescópio espacial, um componente crítico para proteger o satélite das temperaturas extremas do espaço e garantir a estabilidade necessária para observações de alta precisão.

A adoção oficial pela ESA é o resultado de anos de trabalho científico e tecnológico. O projeto passou com êxito pelas principais etapas de verificação, incluindo a revisão preliminar do instrumento e a conclusão do estudo de definição da missão.

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