Publicidade online: revelando mais do que imaginamos e deixando uma impressão digital invisível
A utilização de inteligência artificial na publicidade online pode colocar em risco ainda mais a nossa privacidade. É viável extrair informações sensíveis e criar perfis pessoais apenas com os anúncios que visualizamos, sem precisar acessar nosso histórico de navegação.
Um novo estudo global levanta questões sérias sobre a privacidade na internet, sugerindo que a publicidade online pode revelar muito mais sobre nós do que imaginamos. A pesquisa indica que sistemas de inteligência artificial podem deduzir informações pessoais sensíveis a partir desses anúncios.
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Com o uso de modelos de linguagem, a equipe de pesquisadores da UNSW Sydney e da Queensland University of Technology demonstrou que é possível criar perfis pessoais sem recorrer ao histórico de navegação ou dados fornecidos pelos usuários. As informações que podem ser extraídas incluem preferências políticas, nível educacional, situação profissional e até a posição socioeconômica.
Conforme o estudo, a inteligência artificial não só iguala como pode superar a capacidade humana nesse tipo de análise. Além disso, realiza isso de maneira muito mais rápida e econômica.
Os pesquisadores explicam que os anúncios exibidos não são aleatórios: eles são escolhidos com base em perfis e comportamentos previamente estimados pelas plataformas. Isso faz com que o conjunto de anúncios apresentados funcione como uma espécie de “impressão digital”, capaz de revelar características pessoais.
Há ainda um alerta sobre um risco adicional: extensões de navegador aparentemente inofensivas podem ser empregadas para coletar anúncios e montar perfis detalhados dos usuários, contornando as proteções adotadas pelas plataformas.
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Para os pesquisadores, essas descobertas evidenciam que as normas atuais de privacidade podem ser insuficientes. A regulamentação deve evoluir para considerar não apenas os dados coletados, mas também o que pode ser deduzido a partir dos conteúdos que cada indivíduo visualiza.
Embora os usuários possam reduzir riscos ao limitar permissões e avaliar as extensões que instalam, os pesquisadores ressaltam que o problema é estrutural e demanda respostas mais abrangentes por parte das plataformas e reguladores.
A pesquisa envolveu a análise de mais de 435 mil anúncios do Facebook visualizados por cerca de 900 usuários, coletados através do projeto Australian Ad Observatory.
