Substituir Pessoas por IA: Resultados Abaixo do Esperado

Substituir Pessoas por IA: Resultados Abaixo do Esperado

Uma pesquisa da Gartner com 350 executivos de empresas ao redor do mundo aponta que 80% das organizações que adotaram a IA autônoma reduziram seu quadro de funcionários, embora essas demissões não estejam gerando os retornos esperados.

A ideia de que a inteligência artificial permite cortar custos através de demissões passa a ser questionada pelos dados. Conforme o estudo da Gartner, cerca de 80% das empresas que implementaram soluções de negócios autônomos, incluindo agentes de IA, automação inteligente e ferramentas de RPA, realizaram cortes em suas equipes.

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O problema reside no fato de que essa abordagem não está proporcionando os resultados financeiros desejados. A conclusão mais alarmante do estudo é a sua simetria. As taxas de redução de pessoal foram quase idênticas entre as empresas que obtiveram alto retorno e aquelas que viram ganhos modestos ou prejuízos. Isso indica que os cortes de pessoal, por si só, não são o fator que distingue as empresas que realmente se beneficiam da IA.

Helen Poitevin, analista Distinguished VP da Gartner, comentou de forma clara, afirmando que demissões podem criar folga orçamentária, mas não geram retorno. As organizações que melhoraram seu retorno sobre investimento (ROI) não são aquelas que eliminaram a necessidade de mão de obra, mas sim as que amplificaram as capacidades das pessoas, permitindo que elas orientem e escalem os sistemas autônomos.

A análise demonstra que as empresas com melhores retornos são aquelas que investiram em sua força de trabalho humana. Para a Gartner, a empresa autônoma ideal não é aquela desprovida de humanos, mas sim aquela que conta com humanos com habilidades ampliadas. Para isso, é fundamental a formação contínua dos colaboradores, a criação de novas funções operacionais, a supervisão humana e a governança.

A longo prazo, a consultoria prevê um cenário diferente do que muitos temem. A Gartner estima que a empresa autônoma será um criador líquido de empregos entre 2028 e 2029, impulsionado por novas modalidades de trabalho que não podem ser absorvidas pela automação. Isso incluirá fatores estruturais, como o declínio demográfico e a necessidade de juízo humano em momentos de alta confiança do consumidor.

O contexto financeiro ajudará a entender a magnitude do investimento que está em andamento. O gasto global em software de agentes de IA deve aumentar de 86,4 bilhões de dólares (aproximadamente 73,4 bilhões de euros) em 2025 para 206,5 bilhões de dólares (175 bilhões de euros) em 2026. Para 2027, essa cifra pode chegar a 376,3 bilhões de dólares (cerca de 320 bilhões de euros).

Com investimentos dessa magnitude, a questão para as empresas não é mais se adotar essas ferramentas sem comprometer o capital humano, mas sim como reestruturar suas operações em torno delas.

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