Telescópio James Webb surpreende novamente: nova imagem revela galáxia de maneira inédita

Telescópio James Webb surpreende novamente: nova imagem revela galáxia de maneira inédita

Além de apresentar imagens exclusivas do cosmos, o telescópio James Webb continua a ser um aliado valioso para os cientistas na investigação da evolução das galáxias, buracos negros e das primeiras estrelas. Neste quarto ano de missão, uma nova imagem reafirma essa importância.

Passados quatro anos desde que começou a desvendar alguns dos maiores enigmas do espaço, o telescópio James Webb comemora seu aniversário com uma nova imagem da galáxia Centaurus A (NGC 5128). A nova imagem revela seu núcleo como nunca antes visto, destacando milhões de estrelas ocultas pela poeira e os vestígios de uma colossal colisão cósmica que ocorreu há aproximadamente dois bilhões de anos.

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Situada a cerca de 11 milhões de anos-luz da Terra, Centaurus A é relativamente próxima em termos astronômicos, mas definitivamente não é uma galáxia comum. No seu núcleo, há um buraco negro supermassivo ativo, que se alimenta do material circundante e é responsável por emitir vastas quantidades de energia, além de lançar jatos poderosos de matéria.

Observações anteriores realizadas pelos telescópios Hubble e Spitzer já tinham permitido o estudo desta galáxia, mas uma densa camada de poeira ocultava grande parte da região central. Graças à sua habilidade em observar em comprimentos de onda infravermelhos próximos e médios, o James Webb é capaz de penetrar essa cortina de poeira e expor milhões de estrelas individuais, oferecendo a representação mais detalhada até agora do interior da galáxia.

As novas imagens revelam estruturas complexas de poeira, incluindo uma faixa deformada que atravessa o centro da galáxia, além de uma estrutura intrigante em forma de “S”, cuja origem ainda é um mistério. Para os pesquisadores, esses detalhes levantam novas questões sobre a influência do buraco negro e o impacto da grande colisão com outra galáxia, ocorrida há cerca de dois bilhões de anos.

De acordo com as equipes científicas, Centaurus A se tornou uma verdadeira “escavação arqueológica” do Universo. Ao identificar estrelas de múltiplas idades, os astrônomos conseguem reconstruir a história da galáxia: desde a formação das populações estelares mais antigas até o intenso período de formação estelar desencadeado pela fusão galáctica e as evoluções subsequentes.

O James Webb vai além de criar imagens impressionantes. Através da análise da luz emitida pelos gases, o telescópio é capaz de medir seus movimentos. As primeiras observações indicam que gás ionizado está se movendo rapidamente para fora, provavelmente impulsionado pela atividade do buraco negro, enquanto hidrogênio molecular quente está em rotação em um disco distorcido próximo ao núcleo da galáxia. Esses dados são cruciais para ajudar os cientistas a entender melhor como um buraco negro pode simultaneamente incentivar e inibir a formação de novas estrelas.

O quarto ano de operação do James Webb também foi marcado por outras descobertas significativas. O telescópio detectou novas evidências de um planeta orbitando Alpha Centauri, analisou auroras na atmosfera de Urano, capturou algumas das mais impressionantes lentes gravitacionais já vistas, e identificou uma supernova que aconteceu apenas 730 milhões de anos após o Big Bang. Além disso, contribuiu para reforçar a teoria de que alguns dos misteriosos “pequenos pontos vermelhos”, descobertos em 2022, podem representar um novo tipo de objeto chamado “estrelas de buraco negro”.

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