AMÁLIA: Modelo Soberano, Gêmeos Digitais e Competências em IA nas Prioridades da Administração Pública

AMÁLIA: Modelo Soberano, Gêmeos Digitais e Competências em IA nas Prioridades da Administração Pública

O uso do modelo LLM português AMÁLIA, que será apresentado em julho na Administração Pública, trouxe à tona a questão da adoção de gêmeos digitais e a capacitação em Inteligência Artificial, conforme mencionado por Gonçalo Matias da Rede de Simplificação e Tecnologias do Estado.

Gonçalo Matias, ministro adjunto e responsável pela Reforma do Estado, destacou que o AMÁLIA, cuja estreia está prevista para julho, não pode ser visto como um “concorrente de IA” comparável ao que existe em outros países, mas sim como “uma ferramenta soberana” que terá um papel significativo na Administração Pública portuguesa.

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Após a segunda reunião da Rede de Simplificação e Tecnologias do Estado, o governante enfatizou que, na Administração Pública, o AMÁLIA será considerado “um modelo soberano”, permitindo “casos de uso bastante específicos, como na área da saúde ou, até mesmo, nas forças armadas, (…) em áreas que exigem um cuidado especial com a informação”, oferecendo assim “uma solução soberana portuguesa que controlamos e onde garantimos a veracidade dos dados”.

Embora reconhecendo que o modelo “não resolverá todos os desafios”, Matias afirmou que o AMÁLIA “é um instrumento que temos à nossa disposição para casos em que a soberania precisa ser especialmente protegida”, enfatizando que o LLM, descrito como uma solução de código aberto, “nos fornece todas as condições e garantias necessárias”.

Sobre o uso de outros modelos de IA, Gonçalo Matias mencionou que ainda não foi tomada uma decisão, sendo que a Rede de Simplificação e Tecnologias do Estado está atualmente analisando quais serão “as soluções mais amplas.”

No que diz respeito ao financiamento do LLM nacional, que é cofinanciado pela Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) e pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, Matias garantiu que “está assegurado” até 2030. Um novo modelo de financiamento da entidade será definido posteriormente.

Vale ressaltar que, para o projeto, não está prevista a criação de uma interface similar ao ChatGPT, sendo o modelo destinado apenas para serviços e aplicações da Administração Pública.

Na semana passada, Fernando Alexandre também adiantou que o LLM português seria “apresentado até o fim do mês”, reafirmando que o modelo “tem apresentado resultados muito positivos”.

Segundo o ministro, o projeto, que foi inicialmente anunciado durante o Web Summit de 2024, representa um “investimento superior a 5 milhões de euros por parte do governo português, com recursos do PRR.”

O desenvolvimento do modelo está sendo realizado por uma equipe formada pela Universidade Nova de Lisboa, Instituto Superior Técnico, Universidade de Coimbra, Universidade do Porto, Universidade do Minho e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, utilizando os supercomputadores MareNostrum 5 e Deucalion, assim como as infraestruturas das universidades participantes.

Gêmeos digitais e ênfase nas competências em IA

Junto ao LLM português, outras questões em pauta incluem a incorporação de gêmeos digitais, em desenvolvimento pela ARTE, além da capacitação dos funcionários da Administração Pública em IA, como parte do Pacto de Competências Digitais, observou Gonçalo Matias.

O governante mencionou que o Pacto de Competências Digitais prevê um investimento de aproximadamente 80 milhões de euros para capacitação em IA na Administração Pública, com um primeiro aporte de 25 milhões.

No âmbito da IA, o pacto “tem como objetivo equipar as PMEs e a Administração Pública com as competências necessárias para elevar a literacia digital.” “O investimento em IA que estamos realizando só terá sucesso se os trabalhadores da Administração Pública estiverem prontos para utilizar essa tecnologia”, afirmou Gonçalo Matias.

No que diz respeito aos gêmeos digitais, o ministro apontou para aplicações em áreas como saúde e proteção civil. No primeiro caso, o foco é a previsão de “situações de pico”, como durante períodos de maior pressão no Serviço Nacional de Saúde, diante de aumentos de temperatura ou picos de gripe, além de otimizar a mobilização de recursos “de forma mais eficiente para essas situações”.

“Igualmente, no que toca à proteção civil, os gêmeos digitais podem se mostrar extremamente úteis, tanto na época de verão para o combate a incêndios, quanto no inverno para lidar com cheias”, afirma, acrescentando que a tecnologia também facilitará “a coleta de informações e a antecipação” de possíveis riscos.

Lembre-se de que acelerar a adoção de IA na Administração Pública é uma prioridade do governo, com iniciativas integradas no Plano de Ação da Agenda Nacional de IA, que faz parte do Plano de Ação da Estratégia Digital Nacional apresentada no final do ano passado.

Dentre as atividades programadas para essa área, destaca-se o estabelecimento de um Centro de Excelência em IA, previsto para este ano, que será incorporado à ARTE.

Para impulsionar a adoção da tecnologia na Administração Pública, o governo planeja investir 25 milhões de euros, apoiando projetos como agentes de auxílio à contratação pública ou soluções para automatização de faturas.

Nota editorial: A notícia foi atualizada com informações adicionais. (Última atualização: 19h23)

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