Fundadores Soko

Descubra o aplicativo português que visa ser o mapa vivo da cidade com a ajuda da IA e dos moradores locais

A Soko, plataforma co-fundada por João Matos Albino e João Graça, utiliza inteligência artificial e a colaboração da comunidade local para reunir eventos que estão dispersos na internet, em redes sociais e nas ruas. Lisboa é apenas o começo desta jornada.

“Menos scroll, mais engajamento com a vida local.” É a partir dessa ideia que surge a Soko, uma aplicação nacional de descoberta urbana que combina inteligência artificial e a contribuição de usuários para unir eventos, locais e experiências em uma cidade. Este projeto é respaldado por dois empreendedores portugueses com experiência internacional: João Albino, ex-cofundador da Urbvan (startup de mobilidade), e João Graça, co-fundador da Unbabel.

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A proposta central da Soko é que descobrir o que está acontecendo em uma cidade ainda é mais complicado do que deveria ser. Os eventos estão espalhados por diversos sites, redes sociais, grupos de WhatsApp e cartazes nas ruas, sem uma fonte única, pesquisável e personalizada. A plataforma propõe-se a solucionar esse problema ao agregar essa informação dispersa, utilizando IA para organizar, personalizar e ampliar o que as comunidades locais conhecem e compartilham.

“Estamos sempre conectados digitalmente, mas desconectados do lugar onde residimos. Passamos horas nas redes sociais e continuamos sem saber o que acontece ao nosso redor. Ao nos perdermos em feeds infinitos, deixamos de descobrir o que realmente nos interessa,” destaca João Albino, CEO da Soko. Nesta fase inicial, a aplicação estará disponível apenas na região de Lisboa, onde já reuniu, só durante este mês de junho, mais de 1.000 eventos, que vão desde festas populares a exposições.

A tecnologia em favor do que já existe

A Soko teve origem na criação de um bot de WhatsApp, que foi testado ao convidar pessoas a interagir e conhecer a cidade, como uma alternativa ao interminável scroll nas redes sociais. Esse canal continua disponível na versão atual, permitindo que os usuários enviem mensagens para questionar o chatbot.

Pode perguntar algo como “O que posso fazer com os meus filhos amanhã?” ou “Onde posso ver uma exposição esta semana?”, e receber uma resposta personalizada com base no histórico da conversa. Contudo, a lógica de contribuição na Soko vai além do digital. Um dos gestos mais simples que a plataforma possibilita é tirar uma foto de um cartaz de rua e enviá-lo; a IA se encarregará do restante, extraindo as informações e criando o evento na plataforma.

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Isso resolve uma lacuna estrutural que ferramentas como ChatGPT ou Google não conseguem preencher. Descobrir eventos, como a inauguração de um novo espaço em uma esquina ou o que está acontecendo em um bairro específico, depende do conhecimento de quem está no local. A Soko se destaca por não se basear somente em modelos de IA que utilizam dados disponíveis online.

A combinação de tecnologia com curadoria coletiva é intencional, o que também torna a plataforma escalável. “Desenvolvemos a tecnologia para que possa ganhar dimensão global, permitindo que qualquer usuário, em qualquer cidade, converse com a Soko, descubra eventos e até contribua com novos conteúdos,” explica João Albino ao TEK Notícias.

Da Instagram e Facebook até os cartazes de rua

No lançamento, a Soko já integra publicações do Instagram e outras fontes. A inclusão de outras redes sociais está nos planos futuros, com o Facebook sendo o próximo passo lógico, especialmente em Portugal, onde essa rede ainda possui uma relevância significativa. “Nosso objetivo é fazer da Soko a maneira mais fácil de descobrir o que está ocorrendo em uma cidade, independente da origem das informações,” diz o CEO.

A plataforma é gratuita tanto para usuários quanto para aqueles que desejam submeter eventos, sejam promotores independentes, comunidades locais ou entidades governamentais.

De acordo com João Albino, CEO da Soko, “queremos muito colaborar com as câmaras municipais e já iniciamos esse caminho com a Câmara Municipal de Lisboa, a quem apresentamos o projeto, pois é exatamente esse tipo de colaboração que dá vida à plataforma.”

Nesta fase inicial, o foco da plataforma está em demonstrar sua utilidade e ganhar tração, mas já admitiram que a monetização está nos planos para um futuro próximo. Isso deve ocorrer de maneira natural, através de possíveis funcionalidades premium voltadas para negócios e organizações que desejam ter maior visibilidade na plataforma.

Lisboa primeiro, o resto depois

Para o responsável da plataforma, a expansão geográfica é uma parte fundamental da visão desde o início. Após estabelecer a presença em Lisboa, a Soko planeja expandir-se para outras cidades portuguesas de forma gradual, como o Porto e regiões com dinâmica sazonal forte, como o Algarve. Internacionalmente, o Rio de Janeiro será a primeira cidade a adotar a plataforma, uma vez que já foram realizados testes piloto com resultados positivos.

Lisboa é o nosso ponto de partida, mas desde o princípio concebemos a Soko para funcionar em qualquer cidade. Além disso, qualquer pessoa pode praticamente iniciar uma cidade na Soko apenas começando a adicionar informações, e é exatamente isso que queremos: uma plataforma descentralizada, construída por quem reside em cada cidade,” ressalta o responsável da plataforma.

A Soko está disponível para dispositivos iOS através da App Store, bem como para Android via Google Play, e também através da Web App.

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