Portugal quer liderar a próxima onda da IA com mais capital, infraestrutura e parcerias público
Na quinta edição do Investors Dinner, organizado pela Investors Portugal em Lisboa, um grupo de investidores, especialistas e representantes do governo discutiu os desafios e as possibilidades que a inteligência artificial traz para o ecossistema nacional.
O evento, trazido à tona pela Investors Portugal sob a temática “Preparando Portugal para a Próxima Onda da IA“, teve lugar na noite de 21 de maio e ajudou a reunir investidores, especialistas e representantes do governo para discutir o futuro de Portugal na próxima fase da inteligência artificial. A sessão também foi marcada pela entrega dos Prêmios Investors Portugal 2025.
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Na abertura do evento, Lurdes Gramaxo, presidente da Investors Portugal, apresentou um panorama atual da associação e seus objetivos estratégicos. Segundo ela, o intuito da associação é crescer junto aos stakeholders, fortalecer as relações com as principais entidades públicas e aprofundar a cooperação com a APFIPP e a APCRI.
Os números refletem esse crescimento, com mais de 300 Business Angels, mais de 30 capitais de risco e plataformas de crowdfunding, além de já terem apoiado mais de 1.000 startups, resultando em um volume de negócios superior a 10 bilhões de euros. Apenas em 2025, chegaram dois novos membros na área de Business Angels e cinco na área de Capital de Risco, além de cinco novas sociedades anônimas.
Citando seu pai, Miguel Figueiredo, professor e pesquisador do Instituto Superior Técnico, lembrou que “a melhor arma de um investigador é saber como e onde procurar.” Ele destacou que o verdadeiro problema para as startups de IA não reside na tecnologia, que está amplamente acessível, mas na dificuldade de identificar o que realmente é necessário.

De acordo com os dados apresentados, 90% das startups não conseguem sobreviver, sendo a falta de necessidade de mercado a razão mais recorrente, que representa 42% das falências, seguida pela insuficiência de financiamento (29%) e pela ineficácia nas escolhas das equipes (23%).
Para Miguel Figueiredo, é essencial que os investidores busquem fundadores com uma visão humanista e a capacidade de formular as perguntas certas, aspectos mais cruciais do que o domínio da tecnologia.
A Inteligência Artificial no cotidiano dos investidores
No primeiro painel, moderado por Pedro Cerdeira, os participantes compartilharam como a inteligência artificial já está mudando suas operações. Teresa Fiúza, do Banco Português de Fomento, apresentou um dos exemplos mais concretos. No segmento de garantias, a aplicação de IA possibilitou um aumento de 500 milhões para seis bilhões de euros, acelerando todos os processos de pesquisa, análise de risco e implementação.

Mariana Costa, da EDP Ventures, mencionou que a empresa já utiliza IA para gerenciar clientes e prever crises energéticas em diferentes prazos. Ela observou uma tendência notável no mercado, onde a maior demanda por soluções de IA está resultando em um aumento de investimento em infraestrutura, hardware e energia, em detrimento do software e serviços.
Manuel Macedo Santos, da Start Campus, expressou diretamente sua opinião, afirmando que “a principal limitação da IA atualmente é a energia. Tudo o mais é escalável.” Sobre a posição estratégica de Portugal, o consenso foi de otimismo, mas com desafios. O país possui vantagens únicas, como as ligações submarinas a todos os continentes e uma produção maioritariamente renovável de energia, mas deve avançar na melhoria de infraestrutura.
Tereza Fiúza, do Banco de Fomento, expressou seu desejo de ver uma Gigafactory europeia em Portugal, ao mesmo tempo que anunciou o “Fundo de fundos”, que vai liberar capital para outros fundos de investimento, permitindo diversificar riscos e atrair capital privado para a economia. De acordo com ela, essa iniciativa terá um papel crucial em colocar o país entre os líderes em infraestrutura de IA.

Fora dos centros tecnológicos tradicionais, João Paulo Diogo, da CoreAngels Lisbon, defendeu um maior envolvimento dos cidadãos no setor de investimento, para que possam estar preparados e beneficiar das transformações que se aproximam.
Para encerrar o evento, foi realizada a entrega dos Prêmios Investors Portugal 2025, que premiaram a GoParity (Prêmio ESG), a Tekever (Investimento do Ano), Nuno Sebastião (Business Angel do Ano) e a LC Ventures (Investidor em Fase Inicial do Ano).

Finalizando o evento, o Secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, expressou suas ambições: “A próxima onda da IA deveria se assemelhar ao canhão da Nazaré, forte e impactante na transformação da economia e da vida das pessoas.”
Ele também comentou sobre a implementação de um novo instrumento financeiro do PRR, que disponibiliza 300 milhões de euros para apoiar as PME na transição, ressaltando que a inovação “é a melhor e única maneira de progredirmos enquanto sociedade.” Concluiu seu discurso desafiando o setor a “esperar que 50% dos investidores que apostavam nas indústrias tradicionais se adaptem e invistam nessas novas oportunidades.”
