Cientistas descobrem sinergia de especiarias que aumenta a anti

Cientistas descobrem sinergia de especiarias que aumenta a anti

A inflamação crônica muitas vezes se desenvolve de forma silenciosa, sem dor óbvia ou sintomas notáveis. Com o passar do tempo, no entanto, pode contribuir para sérios problemas de saúde, como diabetes tipo 2, doenças cardíacas, obesidade, artrite e até câncer. Dentro do corpo, esse processo é impulsionado por células imunológicas que liberam sinais químicos para responder a lesões ou infecções. A alimentação das pessoas pode influenciar essa atividade. Muitos alimentos e temperos comuns, incluindo ervas, especiarias e plantas aromáticas, contêm compostos naturais conhecidos como fitoquímicos que podem afetar as vias inflamatórias. Esses ingredientes têm sido combinados em dietas tradicionais e remédios herbais por séculos, muito antes que seus papéis biológicos fossem compreendidos.

Mesmo com essa longa história, os pesquisadores têm encontrado dificuldades para explicar exatamente como os alimentos à base de plantas reduzem a inflamação. Em ambientes de laboratório, compostos individuais de plantas frequentemente demonstram efeitos anti-inflamatórios, mas geralmente apenas em níveis muito superiores aos que uma dieta normal pode fornecer. Isso gerou dúvidas sobre se os chamados ‘alimentos anti-inflamatórios’ podem realmente influenciar o sistema imunológico na vida real. Outra questão ainda não resolvida é se diferentes compostos podem agir em conjunto dentro das células, produzindo efeitos mais fortes em combinação do que sozinhos. Até recentemente, esse tipo de sinergia raramente era testado ou explicado em nível molecular.

Estudo Investiga a Sinergia Entre Compostos de Plantas

Para entender melhor isso, uma equipe liderada pelo Professor Gen-ichiro Arimura, do Departamento de Ciência e Tecnologia Biológica da Universidade de Ciência de Tóquio, Japão, analisou como combinações de compostos derivados de plantas afetam a inflamação em células imunológicas. Suas descobertas, publicadas na Edição 3, Volume 18 do jornal Nutrients, focaram em compostos comumente encontrados em hortelã, eucalipto e pimentas. Os pesquisadores queriam saber se a combinação desses compostos poderia reduzir os sinais inflamatórios de forma mais eficaz do que usá-los individualmente.

Avaliação dos Efeitos Anti-inflamatórios em Células Imunológicas

A equipe estudou macrófagos, células imunológicas que desempenham um papel crucial na inflamação ao liberar proteínas sinalizadoras chamadas citocinas. Essas proteínas ajudam a impulsionar as respostas inflamatórias. Para simular a inflamação, os pesquisadores expuseram macrófagos murinos a lipopolissacarídeo, um componente bacteriano frequentemente utilizado em experimentos laboratoriais. Em seguida, trataram as células com mentol (derivado da hortelã), 1,8-cineol (do eucalipto), capsaicina (das pimentas) e β-eudesmol (do lúpulo e do gengibre), testando cada composto isoladamente, bem como em combinações específicas.

Usando análise de expressão gênica, medições protéicas e imagens de cálcio, os cientistas monitoraram como esses tratamentos afetaram marcadores inflamatórios importantes. Eles também investigaram se os compostos atuavam através dos canais do receptor transiente potencial (TRP), que são proteínas na membrana celular que detectam sinais químicos e físicos e regulam a atividade de cálcio ligada às respostas imunológicas.

Sinergia Poderosa Entre Compostos Comuns de Alimentos

Quando testado individualmente, a capsaicina mostrou o maior efeito anti-inflamatório. No entanto, os resultados mais impressionantes apareceram quando os compostos foram combinados. “Quando a capsaicina e o mentol ou o 1,8-cineol foram usados juntos, seu efeito anti-inflamatório aumentou várias centenas de vezes em comparação a quando cada composto foi usado isoladamente”, destaca o Prof. Arimura.

Experimentos adicionais ajudaram a esclarecer como essa sinergia funciona. O mentol e o 1,8-cineol influenciaram a inflamação através dos canais TRP e da sinalização de cálcio. A capsaicina, por outro lado, parece atuar por meio de uma via diferente que não depende dos canais TRP. “Demonstramos que esse efeito sinérgico não é uma coincidência, mas se baseia em um novo modo de ação resultante da ativação simultânea de diferentes vias de sinalização intracelular”, afirma o Prof. Arimura. “Isso fornece evidência clara em nível molecular para os efeitos empiricamente conhecidos da combinação de ingredientes alimentares.”

Implicações para a Dieta e Produtos de Saúde Futuros

Esses resultados sugerem que misturas de compostos vegetais podem produzir efeitos biológicos significativos, mesmo em níveis menores tipicamente consumidos em uma dieta normal. As descobertas também apontam para novas oportunidades de desenvolver alimentos funcionais, suplementos dietéticos, temperos ou até fragrâncias que proporcionem benefícios mais fortes utilizando menores quantidades de ingredientes ativos.

Mais amplamente, a pesquisa reforça a ideia de que os benefícios à saúde de dietas ricas em plantas podem não vir de ‘super compostos’ individuais, mas sim da maneira como muitos compostos interagem e se reforçam mutuamente.

Um Passo para Compreender Alimentos e Inflamação

Embora sejam necessários mais estudos em animais e humanos para confirmar esses efeitos, este trabalho fornece uma explicação mais clara de como alimentos cotidianos e compostos naturais podem ajudar a regular a inflamação crônica. Com o tempo, isso pode desempenhar um papel importante no suporte à saúde a longo prazo.

Sobre o Professor Gen-ichiro Arimura da Universidade de Ciência de Tóquio

Dr. Gen-ichiro Arimura é Professor no Departamento de Ciência e Tecnologia Biológica da Universidade de Ciência de Tóquio, Japão. O Prof. Arimura obteve seu doutorado em 1998 na Escola de Pós-Graduação da Universidade de Hiroshima. Sua pesquisa enfoca comunicações biológicas, biotecnologia vegetal e ecologia vegetal. Desde 1996, publicou 130 artigos revisados por pares com mais de 6.600 citações. Ele também possui quatro patentes e recebeu um prêmio da Sociedade Internacional de Ecologia Química em 2023.

Informações sobre financiamento

Este trabalho foi parcialmente apoiado pela Sociedade Japonesa para a Promoção da Ciência (JSPS) KAKENHI (24K01723) e por subsídios de pesquisa da Universidade de Ciência de Tóquio.

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