A Ilusão da Velocidade da Fibra: Ookla Alerta que Não é Suficiente para uma Internet Rápida

Um estudo realizado pela Ookla evidencia que, embora a fibra proporcione altas velocidades de conexão, há diversos fatores que podem interferir na eficácia da rede.

A fibra óptica se consolidou como uma das principais histórias de sucesso na área de conectividade na última década, conforme destaca a Ookla. Provedores têm investido pesadamente em redes que oferecem velocidades de gigabit e multi-gigabit para residências e empresas. Contudo, o relatório da Ookla enfatiza que essas altas velocidades de conexão representam apenas uma parte da realidade, uma vez que uma ligação veloz não assegura, por si só, uma boa experiência de internet.

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Aspectos como o desempenho do Wi-Fi em residência, o gerenciamento do tráfego e a distância até a infraestrutura de telecomunicações impactam significativamente a experiência real do usuário. Isso indica que usuários com conexões de fibra similares podem vivenciar resultados bastante distintos, levando o setor a focar não apenas na “última milha”.

A maior parte das limitações percebidas pelos usuários se originam dentro de casa. A Ookla ressalta que muitos lares ainda utilizam roteadores desatualizados ou dispositivos que só suportam padrões como Wi-Fi 5, resultando nos chamados “gargalos” que impedem o pleno aproveitamento da velocidade contratada, independentemente da excelência da fibra que chega ao domicílio.

Adicionalmente, o ritmo de substituição de smartphones, laptops e TVs inteligentes está diminuindo, o que quer dizer que muitos equipamentos são incapazes de acompanhar as demandas das conexões multi-gigabit atuais. Como o estudo aponta, uma conexão multi-gigabit não tem grande valor se o equipamento só aceita Wi-Fi 5.

Além do Wi-Fi, a latência e o gerenciamento do tráfego são fundamentais para a experiência do usuário. Atividades como jogos online, videoconferências, serviços em nuvem e aplicações de inteligência artificial dependem enormemente da velocidade e eficiência com que os dados trafegam entre os usuários e as plataformas digitais. A localização da infraestrutura também é um fator decisivo.

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A Ookla aponta que, na Itália, a latência em jogos varia consideravelmente entre as regiões, apesar da ampla disponibilidade de fibra, uma vez que os usuários do sul estão fisicamente mais distantes dos centros de interconexão localizados em Milão. Fatores como IXPs, acordos de peering, posicionamento de servidores na nuvem e eficiência do roteamento têm impacto direto nessa experiência.

O crescimento da inteligência artificial também está elevando as exigências sobre as redes. Aplicativos interativos de IA, como modelos de voz e vídeo em tempo real, são muito mais sensíveis a latências e ao desempenho de upload do que o simples streaming, tornando a localização em relação aos principais pontos de rede ainda mais crucial. Usuários distantes dos centros de interconexão sentirão essas limitações com mais intensidade à medida que a IA se tornar parte integrante do seu cotidiano digital.

O relatório também esclarece a importância de tecnologias alternativas. Tanto o satélite quanto os pontos de acesso fixos sem fio (FWA) não competem diretamente com a fibra, mas servem como complementos essenciais para suprir lacunas geográficas onde a instalação de fibra é difícil ou excessivamente cara, além de atuarem como redundância em caso de falhas das redes terrestres. Em muitos casos, essas soluções são escolhidas por conta da rapidez de instalação ou por contratos mais flexíveis, mesmo em áreas onde a fibra está disponível, conforme afirma uma especialista em telecomunicações.

A resiliência das redes tornou-se um outro aspecto competitivo. Após o apagão ibérico de 2025, que afetou infraestruturas críticas em Portugal e Espanha, provedores e agentes reguladores passaram a priorizar sistemas de backup energético, redundância via satélite e autonomia operacional para garantir a conectividade em caso de falhas de grande escala.

Alguns provedores já transformaram essa resiliência em um produto comercial, como a T-Mobile nos Estados Unidos, que combina FWA com Starlink para assegurar um sistema de backup automático. A Vodafone no Reino Unido também proporciona baterias backup aos clientes que dependem da linha fixa para chamadas em situações de emergência.

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